


Rafael Zanette é Manezinho da Ilha nascido na maternidade Carlos Corrêa, atualmente mora em São Paulo, mas sempre que pode, retorna pra Floripa.
Administrador formado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 2004 e pós-graduado em Gestão e Marketing no Esporte pelo Instituto Catarinense de Pós-Graduação (ICPG) em 2006. Estudioso do marketing esportivo desde 2003, com artigos publicados na área. No ano de 2006 foi convidado a ser o Diretor de Marketing do Instituto Brasileiro de Marketing Esportivo (IBME), cargo que ocupa até hoje, além de acumular a função de Vice-Presidente da Instituição. Em 2007, foi gerente de marketing do Brusque Futebol Clube e atualmente trabalha no Departamento de Marketing da Informídia Pesquisa Esportivas em São Paulo.
A ideia geral da coluna é falar sobre o mundo do marketing esportivo: conceitos, exemplos, patrocínios, novidades, erros, acertos, enfim...Rafael fala sobre assuntos relacionados aos negócios esportivos.
Caros,
Eis um ponto que me preocupa, não apenas como profissional da área, porém também como consumidor do esporte. A dificuldade para a compra de um ingresso é imensa, sem contar a falta de informação e o descaso com o torcedor. A bilheteria é uma das principais formas de receita de um clube. O processo precisar ser revisto para que haja uma otimização e consequentemente um melhor resultado que gerará uma série de benefícios ao clube.
Acho inadmissível o tratamento sofrido pelos torcedores na compra de ingressos, vou levantar alguns pontos que precisam ser melhorados, muitos deles já sofri na pele:
1) Falta de informação: nem sempre o site do clube está atualizado. Já aconteceu de ligar no telefone de contato e ninguém atender para dar informações. Quando se deixa para comprar ingresso na hora do jogo, os seguranças costumam dar informações desencontradas. E em se tratando de um estádio de futebol, uma informação que a venda de um ingresso é no portão 10 e o certo é no portão 18 pode ser uma diferença de 500 metro ou mais.
2) Poucos pontos de vendas: de maneira geral, são poucos os pontos de vendas de ingressos. Os estádios muitas vezes são afastados, por isso deve-se pensar em outros locais, de preferência no centro da cidade ou em pontos que possuam fácil acesso. Seria interessante fazer parcerias com lojas espalhadas por toda a cidade, utilizar os patrocinadores se for o caso, fazer ações de ativação nesses pontos de vendas. Porém é necessário que atinja grande parte da cidade para que as pessoas não tenham que se deslocar muito, sem contar as filas gigantescas que se formam.
3) Formas de adquirir o ingresso: não é possível que em pleno 2010, pessoas precisem dormir na fila, correr o risco de receber spray de pimenta, bombas caseiras, rojão, etc. como aconteceu no último jogo do Flamengo contra o Grêmio no final do ano passado. Por que não utilizar outros meios? Alguns clubes utilizam a internet, porém é restrita a algumas áreas do estádio e não a todos os ingressos. Não seria interessante cobrar um preço a mais e entregar o ingresso na casa do torcedor? Os grandes eventos de música que algumas vezes são muito maiores que um jogo, não seria um belo benchmarking?
4) Preço dos ingressos: já ouvi de muitas pessoas do meio que o futebol deve ser um jogo para elite, deve-se se pagar caro por um espetáculo como uma peça de teatro. Que o dito povão tem que se contentar em assistir aos jogos pela TV. Ok, concordo em parte, no entanto, precisa-se dar condições para que valha o preço cobrado. Cobrar mais de cinqüenta reais para apanhar chuva e ter que sentar no cimento é justo? O preço deve ser segmentado, com valor agregado e justo para todos os lugares. Se você comprar ingresso para o camarote, que possua ar condicionado, TV plasma, comida e bebida liberada, não pode ser o mesmo preço da arquibancada. No teatro não se corre o risco de apanhar chuva, a poltrona é confortável, ninguém jogará nada na sua cabeça, por isso o preço é mais elevado.
Os pontos que coloquei acima e meus comentários soam muito mais como um desabafo de torcedor que como um profissional da área. Confesso que teria que estudar mais a fundo todas as maneiras de melhorar a venda de ingressos. Talvez algumas práticas sugeridas por mim já foram testadas e reprovadas, outras podem ser inviáveis. No entanto é preciso bom senso e tratar o torcedor como um cliente deve ser tratado. Os parceiros e patrocinadores devem agir de maneira conjunta com o clube, o ingresso pode vir com o logo dos mesmos, ações de ativação podem ser feitas nos pontos de vendas bem como promoções na compra de tantos produtos do patrocinador ganhe um ingresso. Enfim, fica a dica para ver se melhoramos neste aspecto que no meu ponto de vista ainda é bem sofrível, com poucas exceções.
Para interagir comigo: rafazanette@ibme.org.br
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