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Receita de feriado

Deolhonailha: 25/03/2013 - Postado por: Felipe Lenhart

Receita de feriado
23/3/13: ''sábado de regatas''.
Foto: Felipe Lenhart

Tão logo a lua cheia desponte por cima do Morro da Lagoa, na quinta-feira à noite, é indispensável que já estejam a caminho da praia, porque Páscoa em Florianópolis é doce como em qualquer outra cidade, mas tem gosto também de água salgada e até cheiro de maresia.

Ora, que exagerem, comprem, sei lá, uns 2 quilos de salmão, se quiserem mesmo pôr em prática o plano de vingança contra os japoneses que fecham no feriado, têm fila de espera às oito da noite ou oferecem festivais sem peixe cru à vontade: comer sashimi durante todo o fim de semana.

E 1 quilo de alcatra para preparar hambúrguer feito à mão, sem minhoca, patente ou marca registrada.

Na Sexta-feira Santa, terão de espanar a preguiça do corpo, vencer o conforto da cama e acordar cedo, mas cedo de verdade, para ir à peixaria buscar um desses grandes peixes recém-abatidos, que chegam à vitrina sujos de areia e ainda afogados em água do mar. Que o bicho vá para o forno quente do almoço, assar banhado nos temperos dela.

Sugiro cerveja de qualidade para o senhor e vinho branco para a madame, mas isso de se embriagar a dois é sempre negociável e gostoso de se decidir. Divirtam-se!

É recomendável que, ao comprar o peixe, não se esqueçam de colher folhas verdes frescas, folhas roxas frescas, tomate-cereja e tudo o mais que resulte em saudável e vistosa salada do campo.

Do camarão frito com alho naquela infusão mágica de ervas e azeite ele não abrirá mão.

Se fizer o sol que todos esperam, como no último e festivo "sábado de regatas" do aniversário da cidade, que a sorveteria esteja aberta para recebê-los depois do banho de mar renovador.

Por outro lado, se a lua cheia não nascer, o sol ficar amuado, o vento Sul bater com força, os bois feridos surgirem desembestados pelas ruas em busca de paz e refúgio, que tenham o 190 no celular e um estoque de jornais, revistas, filmes e séries de qualidade no computador.

Importante: há que se ter força de vontade para caminhar até o costão direito da praia se a consciência empanturrada assim o exigir - e ela o fará, acreditem.

E que à noite, não se sabe qual e nem é bom que se saiba já, os dois se trancafiem no quarto com tudo à flor da pele, dos pés à cabeça, sem hora para amanhecer.

São os meus votos, com os meus cumprimentos.

Sobre o colunista

Felipe Lenhart

Crônica de segunda

Felipe Lenhart

Felipe Lenhart é jornalista e editor do DeOlhoNaIlha. Escreve crônicas desde a faculdade. No Diário Catarinense, foi cronista interino de Sérgio da Costa Ramos e titular no caderno Variedades. Considera o gênero enorme: da altura de Rubem Braga, da largura de Nelson Rodrigues e com o peso de Luis Fernando Verissimo.

Contato: felipe.lenhart@gmail.com

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