

Ricardo Valls é cidadão florianopolitano e deseja ver a sua cidade pronta para explorar todos os seus enormes potenciais. Estudioso de questões urbanísticas e empreendedor nas áreas de desenvolvimento urbano, imobiliário e turístico, o principal objetivo de Ricardo é trazer questões relevantes sobre a cidade para reflexão e debate com os leitores do De Olho Na Ilha, todos os domingos, sempre com um olho no futuro de Florianópolis e da região metropolitana.
Curiosamente, Floripa é umas das cidades onde a questão do que devemos ser, como nos vemos no futuro, para onde dirigir os esforços públicos e privados e etc. é mais discutida - em quantidade e em intensidade - em todo o país. Frequentemente, vemos ou participamos de debates do gênero, com textos inflamados, acusações, defesas apaixonadas, teses incontestáveis e várias outros posicionamentos que mostram, claramente, que não há consenso - o que é bom.
Por outro lado, este altamente alarmante, nada fazemos. Criticamos os outros, mas ficamos parados. Ridicularizamos os abraços na Lagoa Rodrigo de Freitas e as roupas brancas (tudo bem, são ridículos mesmo - porém são alguma coisa), mas não somos capazes de abraçar nenhuma causa pra valer. E continuamos a vida no dia seguinte, sem mexer uma pestana. Talvez com a sensação que escrever um comentário em algum blog da net já foi o suficiente - "fiz minha parte".
Precisamos escrever menos e fazer mais. Subsituir o execrável "fora haole" e o odioso "todo mané é burro e incompentente" por coisas melhores.
Esta semana teve um único dia de sol. Estamos em pleno verão, mas é uma temporada estranha. Chove e faz frio. No único dia de sol, aproveitei e tentei ir para a praia. E o verbo tentar não é uma figura de linguagem. Primeiro, fui à Ponta das Canas, onde meus filhos cresceram e brincaram até dois anos atrás, no último verão que passamos em Floripa. Chegando lá, a praia tinha sumido - literalmente. Explicaram que foi o mesmo fenômeno que levou a Armação há dois anos.
Fiquei em choque, sem exagero. Mas a vida precisa seguir. Fomos procurar uma padaria e tomar café - saímos cedo para evitar o trânsito. Bem, não havia uma padaria decente em Ponta das Canas, um bairro turístico até para quem mora aqui. A única que encontramos tinha o dono e alguns funcionários do lado de fora do estabelecimento, esvaziando um refrigerador de sorvetes, que, tudo indicava, tinham derretido. Pensei logo como devia estar o presunto daquela padaria - e achei mais seguro procurar outra. Quem sabe na Brava, a praia predileta da sociedade local, o "Jurerê Mané"? Ledo engano, nem sinal de padaria. Gente, acho que se um bairro não tem padaria, nem pode ser chamado de bairro. A Brava tem um mercadinho bem fraco, uma loja de conveniências que mal cabem 5 pessoas ao mesmo tempo e...só. Bem, tem o Pirata também, mas o Pirata é um capítulo exclusivo - é o "beach club" do local, tudo caro e serviço muito ruim.
Comemos o que foi possível (agradeço o atendimento da loja de conveniências, foram muito gentils), pagamos o que não valia e fomos para a praia, em frente ao Pirata. Fomos mal atendidos, sem qualquer atenção e presenciamos a estratégia local de retenção de turistas. Provavelmente, a idéia é reter os pobres turistas em seus países, mas nunca em Floripa, na Brava e no Pirata. O mínimo que vi foi a tentativa de expulsão de uns argentinos jovens e bonitos que estavam em um daqueles estofados que os "beach clubs" colocam na areia - o que é proibido - e depois só deixam sentar quem estiver gastando no local - o que é mais proibido ainda, além de grande falta de educação. Aqueles turistas saíram dali prontos para "elogiar" a Capital Turística do Mercosul (só em piada mesmo, deve ser invenção de algum político que NUNCA viajou pelo Sul do continente).
Na areia, uma bagunça geral: vendedor de rede, com jogador de frescobol, barracas sem qualquer monitoramento, vendendo qualquer coisa - uma zona de guerra, incrivelmente desagradável. Ao voltar para meu carro, alarme ligado, porta com sinais de arrombamento, mas sem consumação do furto. Antes assim, mas com prejuízo e a sensação de que algo está MUITO ERRADO. Como já disse Jaime Lerner, a maior atração de uma cidade é a qualidade de vida de seus cidadãos. Bem, qualidade de vida é material escasso aqui - e não é só no verão. No verão piora, claro, como comentou aquele rapaz no JA outro dia. No verão, temos que conviver com dez vezes mais gente mal educada do que o normal. Mas mesmo o "normal" já está fora do normal. Fora do verão inclusive...
Falando no verão, li hoje a sempre adorável coluna da Viviane Bevilacqua. Lá, um texto sobre o verão que gostaria de comentar. Primeiro, porque ela fala em duas cidades - a Floripa calma e tranquila que escolheu para vivere a cidade bagunçada por visitantes de péssimo comportamento, no verão. Sobre isso, preciso dizer que devíamos ser pelo menos umas 10 cidades aqui na Ilha. Cada grande Bairro - Jurerê, Canasvieiras/Bom Jesus, Ingleses/Red River, Lagoa, Santa Mônica e adjacências, Centro/Trindade, Continente, Sul da Ilha, etc. - devia ser uma pequena cidade autônoma, com tudo que as pessoas precisam para viver bem. Ou seja, escolas, hospitais, lazer variado, emprego, prédios corporativos, áreas verdes públicas, oferta de serviços e comércio diversificados. Calma, não pretendo dividir a cidade em vários municípos. Apenas comentar que precisamos combater os bairros "doentes" que grassam por nossa Ilha. Cada bairro precisa ter vida própria. E todos os bairros precisam estar conectados de forma eficiente, por ciclovias e rede pública intermodal de transportes - inclusive e principalmente o marítimo. Não termos barcos públicos e marinas é uma grande vergonha, inexplicável para qualquer estrangeiro. Mas é papo para outro dia. Vamos voltar para a coluna da Viviane.
O segundo ponto que ela toca e o faz de forma muito divertida é sobre o "sumiço" das praias. Devido à nossa ocupação urbana predatória - todo mundo incluído aí, hein! Pobre, rico, pescador, construtor, funcionário público, rendeira, etc. - hoje já não é possível mais ver as praias...!! As praias foram privatizadas para meia dúzia de almas, que muitas vezes - na maior parte das vezes - não sabe o que fazer com isso e molda a percepção turística geral que os visitantes levam da cidade. O bairro Ingleses, citado pela Viviane, é exemplar. Hotéis, vários de categoria duvidosa, e residenciais desocupados durante 80% do ano ocupam a praia inteira. Naquela praia, a única certeza que o turista pode ter é o esgoto jogado direto no mar.
Enfim, amigos, precisamos sair da cadeira, abandonar o computador, e colocar todas as idéias que leio por aí em prática. Se não assumirmos nosso futuro de forma pessoal, cuidando nós mesmos daquilo que achamos que deveremos ser, ninguém o fará por nós. Ou melhor, muita gente fará muita coisa, mas não o que as pessoas realmente comprometidas com a cidade,com uma visão coletiva e sensata, esperam.
Basta ver a Floripa atual. Tem muita gente trabalhando para que seja assim, cheia de visitantes endinheirados, porém arrogantes e indelicados. Seria esse o tal de "turismo de qualidade"? Duvido. Ou trabalhando para uma cidade que encha de gente de fora buscando uma coisa e encontrando outra. Publicidade enganosa pura. Dá uma sensação de sucesso no curto prazo, mas é fracasso certo no longo prazo. Serve para os políticos e para alguns comerciantes e empresários, mas não para a maioria dos cidadãos.
Esse assunto é tão importante que podemos continuar falando nisso muitas outras vezes. Até lá!
MUITA CONVERSA. MAS NADA MUDA.
CRESCIMENTO É SINAL DE SUCESSO. MAS PRECISA SER ORGANIZADO.
A FILANTROPIA PODE MUDAR O BRASIL
O PADRE E A PEDRA
O DESASTRE TURÍSTICO DE CADA FERIADO
LIBERDADE DE INEXPRESSÃO
SE RESPEITÁSSEMOS NOSSA VOCAÇÃO TURÍSTICA...
A INOVAÇÃO E A SUSTENTABILIDADE ECONÔMICA
A EBX E O FUTURO DE FLORIPA
ANTES, UM BREVE COMENTÁRIO SOBRE TRANSPORTES NA CIDADE "TURÍSTICA E COSMOPOLITA"
PREFEITO DO FUTURO
EVENTO TERMINA COM SALDO POSITIVO
BRASILEIRICES INCOMODAM ESTRANGEIROS NO WTTC
PROMOÇÃO DA CIDADE É BEM FEITA NO WTTC
EVENTO COMEÇA COM CHUVA E ATRASO DE LULA
LIMPEZA GERAL, VAMOS LÁ!
É A RETA FINAL: FALTAM APENAS 20 DIAS PARA O EVENTO
SANTUR TEM RESPONSABILIDADE GRANDE NA VINDA DO WTTC
COMUNICAÇÃO PARA PREPARAR A POPULAÇÃO: QUAL A CORRETA?
OS EXEMPLOS QUE OUTRAS CIDADES DÃO: CHOQUE DE ORDEM - RJ
TRANSPORTE PÚBLICO: O MAR É A SOLUÇÃO MAIS RÁPIDA E INTELIGENTE
CONSELHO CONSULTIVO APRESENTA IDÉIAS PARA MELHORAR A CIDADE DURANTE WTTC
APRENDENDO A RECEBER NOSSOS VISITANTES
ENTREVISTA COM PRESIDENTE DO WTTC
COLUNISTA CONVERSA COM PRESIDENTE E CEO DO WTTC
PELA METADE É PIOR QUE NÃO FAZER
REGRAS CLARAS OU O DINHEIRO FOGE
A QUESTÃO DA CULTURA LOCAL E O WTTC
A COPA E O WTTC - OU SERIA O CONTRÁRIO?
SERÁ QUE OS PARTICIPANTES DO WTTC PODERÃO INVESTIR NA CIDADE? NEGÓCIOS ESPORTIVOS (47) |
MURAL ARQUITETURA (73) |
BALADAS, ETC E TAL! (340) |
MEIO AMBIENTE (69) |
FLORIPA DO FUTURO (51) |
TURISMO DE A a Z (82) |
MISTÉRIOS EM FLORIPA (21) |
NA ILHA DE CAMAROTE (8) |