

23/03/09 - Ainda existem dúvidas sobre a idade de nossa cidade. Teria sido fundada quando foi desmembrada de Laguna e elevou-se à condição de Vila, há 283 anos, ou quando o bandeirante paulista, Dias Velho, chegou na ilha, no dia de Santa Catarina, em 1675 - e, logo, tem 334 anos? São 51 anos de diferença, um átimo na história da Terra - mas tem gente que vai achar uma boa idéia. Afinal, foi o destemido bandeirante, assassinado na igreja que precedeu a atual catedral, quem deu o nome mais "agradável" à nossa cidade. Desterro? Horrível. Florianópolis? Duvidoso. Tem quem goste e tem quem odeie. Por mim, é Santa Catarina mesmo. Floripa também me agrada.
E aí vem outra questão: quanto mais velha uma cidade, melhor para ela? Mais idade significaria desenvolvimento maior ou modernidade garantida? Tudo indica que não. Uma cidade melhora com a maturidade e não com a idade.
Que o diga Ur, na Suméria, a cidade mais antiga do mundo, com 6 mil anos. Pelo critério idade, seria a mais moderna cidade do mundo, entretanto, desapareceu e está reduzida a ruínas hoje. Ou Roma, que com 2.762 anos soube, de forma muito madura, transformar sua idade em vantagem e modernidade. Kyoto, que já foi capital do Japão - aliás, foi a primeira da era pós-feudal - tem 1.215 anos e é exemplo de desenvolvimento. Lisboa tem 830 anos e já venceu de tudo, até terremoto, mesmo tendo o Português como língua. Nossos colonizadores são vencedores, sim.
E nós? Estamos fazendo 283 anos e somos uma jovem sociedade
Bem, ele vai depender essencialmente de nós. Vai depender da nossa maturidade em aceitar que tudo hoje mudou e que uma nova realidade precisa ser enfrentada com uma nova atitude. Vamos analisar nossa história recente?
Éramos uma pequena província, cuja economia estava baseada no funcionalismo público - principalmente após a chegada da UFSC e da Eletrosul, que eram duas GRANDES empresas públicas. Era uma época em que os mais variados empreendedores - Koerich, Hoepke, Daux, só para citar alguns - trabalhavam para atender as necessidades básicas do enorme contingente de funcionários públicos da cidade. Imóveis, carros, eletrodomésticos, TUDO. E enriqueceram com isso, por competência e por absoluto excesso de demanda. Mas os tempos mudaram e a cidade cresceu. Já não há mais empregos públicos para todos.
Hoje, a matriz econômica mudou. Para continuarmos a crescer e atrairmos empregos e renda, precisamos garantir ótimas condições aos empreendedores. Houve uma clara inversão que precisa ser aceita, maduramente. Hoje, são nossos funcionários públicos que precisam trabalhar para os empreendedores. Eles precisam de garantias de que os seus investimentos não correrão riscos imprevisíveis. Precisam de segurança jurídica e regras claras. Este é o jogo que se joga no mundo. E precisa ser jogado aqui.
Há muita resistência a essa mudança. Há, inclusive, exemplos clássicos. Temos a inacreditável Ponta do Coral, que está simplesmente na PORTA DA FRENTE da casa do governador, mas consegue seguir como local de pagode, com disfarce de rancho de pescador artesanal, ao invés de transformar-se em espaço público, uma marina ou centro gastronômico para turistas - ou um belíssimo hotel, com tudo isso e mais um pouco. Favelizar, pode. Desenvolver, bem, aí é coisa de criminoso, né? Fazer direito é motivo de prisão.
É essa mentalidade que precisa mudar. Se mudar, faremos 300 anos com a autoridade de quem tem 1.000 anos. Ou, se optarmos por continuar pensando de forma primitiva e retrógrada, vamos chegar aos 300 anos em situação catastrófica, sem os empregos e qualidade de vida na medida para nossos filhos e netos.
Chega desse papo de "somos a melhor cidade, não há nada igual". Como não? Temos muito o que fazer em termos de infraestrutura - saneamento, aeroporto, estradas, hospitais, mobilidade urbana, integração com o mar. Depois, é necessário entendermos: o turismo é nosso principal negócio. O turismo de qualidade, aquele representado pelos investidores do WTTC que aqui estarão, em menos de 60 dias. Mas, isso é papo para outras colunas. Por enquanto, parabéns, querida Floripa. Que os seus te protejam.
Mas sem hipocrisia e individualismo.
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