
Localização
A Ilha de Santa Catarina é rica em lendas e personagens de diferentes períodos históricos. Entre eles estão os tupi-guaranis, etnia do Litoral Sul do país a que os exploradores europeus se referiam como carijós. Daí veio o nome de batismo da Estação Ecológica Carijós, localizada a noroeste da Ilha, onde está a capital Florianópolis. A ESEC Carijós é uma das 13 Unidades de Conservação Federais criadas no Estado.
A unidade protege duas áreas com vegetação de manguezal e de restinga. Uma delas é o Manguezal do Rio Ratones, com 6,25 Km2. A outra é o Manguezal de Saco Grande, que possui 0,93 Km2. A conservação dessas duas áreas é extremamente importante porque restam apenas 37,7% e 68,1%, respectivamente, de suas áreas originais, de acordo com estudo feito a partir de fotos aéreas e levantamentos topográficos.
Além disso, estatísticas revelam que, entre 1991 e 2000, o crescimento da população no distrito-sede do município foi de 33,80%, pulando para 164,30% nos distritos localizados no entorno da ESEC. Assim, a Unidade não só protege um ecossistema bastante ameaçado, como também evita que a expansão urbana aconteça de forma contígua, sem espaços livres de ocupação.
A Área de Influência da ESEC Carijós compreende o município de Florianópolis - que tem uma porção insular e outra continental - e a Baía Norte da Ilha de Santa Catarina. A capital do Estado possui cerca de 425 Km2 e uma população de 341.781 habitantes (IBGE, 2001). O setor mais forte da economia florianopolitana é o terciário, impulsionado por atividades do setor público, comércio e turismo.
História
A idéia de criar uma estação ecológica para conservar os manguezais, ameaçados pela rápida expansão urbana da capital catarinense e pela especulação imobiliária, surgiu em 1977. A primeira ação para tornar possível a proposta foi o cadastramento das propriedades e o levantamento topográfico para a delimitação da área, iniciados em 1981. Apesar de o Código Florestal de 1965 definir as áreas de manguezal como de domínio público, os trabalhos apontaram a existência de títulos de terreno dentro do ecossistema registrados em cartório. Assim, a falta de regularização fundiária é um problema que persiste até hoje.
A Estação Ecológica Carijós foi criada em 20 de julho de 1987 pelo Decreto Federal n° 94.656, sendo inicialmente administrada pela Fundação Estadual do Meio Ambiente (Fatma) e, em 1989, assumida pelo Ibama.
Diante das dificuldades para consolidar os objetivos de conservação da Estação Ecológica, foi adotada uma estratégia de gestão participativa. Em junho de 1999, a mobilização da comunidade culminou na criação da Associação de Amigos Pró-Conservação da Estação Ecológica de Carijós, tornando possível a realização de uma série de atividades que foram importante para a imagem da Unidade.
Outras Unidades de Conservação públicas próximas também fortalecem o quadro institucional, indicando a necessidade de uma gestão integrada que reforce as ações necessárias para o atendimento dos objetivos da Unidade. Além delas, a ESEC Carijós tem como vizinhas a Reserva Natural do Olandi, que é privada, e a Unidade de Conservação Ambiental do Desterro, administrada pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Ambas preservam trechos importantes para a Ilha e para as duas glebas de Carijós, formando um corredor ecológico para a conservação da fauna e da flora.
Ecossistemas
"... Há vida em toda a parte. Grande quantidade de caranguejos vive nas áreas úmidas da região próxima ao mar e retraem-se em seus esconderijos, cruzando sua garra maior sobre a cabeça, quando o viandante se aproxima."
L. Chamisso de Boncourt, em sua passagem pela Ilha de Santa Catarina em 1815. In: Ilha de Santa Catarina: relato de viajantes estrangeiros nos séculos XVIII e XIX. UFSC/Lunardelli, 1990.
A Estação Ecológica Carijós abriga uma porção do ecossistema que impressionou os primeiros visitantes estrangeiros da Ilha de Santa Catarina, mas que se reduziu bastante nas últimas décadas. Além de proteger parte do sobrou dos manguezais da capital catarinense, a Unidade de Conservação também abriga o jacaré-de-papo-amarelo (Caiman latirostris), espécie ameaçada de extinção.
No manguezal e na restinga também foram registradas 107 espécies de aves, dentre as quais o biguá (Phalacrocorax brasilianus), mais abundante, e o colhereiro (Ajaia ajaja), que aparece com menos freqüência.
Entre os mamíferos, o destaque é a lontra (Lontra longicaudis), espécie incluída na Lista Oficial das Espécies da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, organizada pelo IBAMA. É comum encontrar vestígios desse animal nas barrancas arenosas dos rios, onde ele faz sua toca e deposita excrementos. Outro morador da ESEC é o mão-pelada (Procyon cancrivorus).
Com relação aos peixes, as capturas feitas para o estudos do projeto "Conhecimento e Gerenciamento da Microbacia do Rio Ratones e seu Manguezal", revelaram a existência de 42 espécies. Os estudos já realizados na Ilha de Santa Catarina, que podem ser extrapolados para a ESEC, indicaram uma grande diversidade de invertebrados.
A existência de três sítios arqueológicos do tipo sambaqui no interior da gleba Ratones é importante do ponto de vista histórico e cultural. Os sambaquis são indícios da presença humana na Ilha de Santa Catarina há pelo menos 4.500 anos.
Mais informações: www.ibama.gov.br/carijos/
Foto: DEOLHONAILHA.COM.BR
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