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Centro a pé

Desfrute as belezas do coração de Florianópolis

Postado por: Emerson Gasperin / LB

Nada mais lógico do que começar um passeio pelo Centro de Florianópolis na Praça XV de Novembro. Foi neste local que a Vila Nossa Senhora do Desterro nasceu em 1662, fundada pelo bandeirante Francisco Dias Velho. O mar já não está tão perto como naqueles dias – devido a aterros –, mas a história continua presente na arquitetura, no traçado viário original e na sombra da velha figueira, que de tão vivida e imensa é sustentada por muletas de ferro. Conforme a placa de identificação, ela tinha uns 20 anos quando foi transportada do “jardim da matriz”, em 1891, para a moradia atual no meio da praça. Diz a lenda que andar em volta dela trás sorte e felicidade.

Desterro desenvolveu-se entre o mar (que batia na Alfândega e no Mercado Público), a praça e a igreja matriz. Na ruela ao lado do Largo da Catedral, um café e uma livraria ocupam casarões antigos. Por todo o Centro há construções seculares, públicas ou particulares. O prédio rosado em um dos cantos da Praça XV é o Palácio Cruz e Sousa, sede do governo do Estado e residência do governador até 1984 (hoje Museu Histórico de Santa Catarina). O nome homenageia o poeta local que se tornou um dos expoentes do Simbolismo. Além do mobiliário de época, das obras de arte e das relíquias expostas, a própria edificação é um atrativo: erigida no século XVIII, impressiona pela riqueza de detalhes no teto, no assoalho e nas paredes, como os azulejos portugueses que retratam cenas típicas, entre as quais a pesca artesanal.

Já que o assunto é museu, vale a pena pegar uma das ruas estreitas que saem da praça para conhecer a casa de Victor Meirelles. O sobrado, onde em 1832 o pintor deu seus primeiros passos, atualmente guarda obras e desenhos do morador ilustre. As dependências também abrigam o trabalho de outros artistas. De volta ao ponto de partida, na quadra atrás da Catedral fica o Teatro Álvaro de Carvalho (primeiro dramaturgo catarinense). Nas escadas que dão acesso aos camarotes, placas reverenciam as estrelas que pisaram aquele palco, inaugurado em 1875. Depois de algumas reformas (a última em 2004) e até ser ameaçado de fechamento, o teatro com 461 lugares recebe espetáculos de dança, música e artes cênicas.

Calçadão é o ponto nevrálgico do Centro

É também na Praça XV de Novembro que começa o caminho para a ponte Hercílio Luz. Basta pegar o calçadão da Felipe Schmidt e seguir reto “toda vida”, como ensinam os nativos. O trajeto até o mais importante cartão-postal de Florianópolis caracteriza-se pela atividade comercial, com muitos estabelecimentos sediados no andar térreo dos casarios históricos que resistem. A calçada diminui para permitir o tráfego de veículos, as lojas cedem lugar a condomínios e a caminhada continua. Parece longe, mas não é. Ainda mais porque antes da ponte sempre se pode dar uma respirada no Parque da Luz, recente área de lazer que integrou o verde com o Centro da cidade. Vistas de seus gramados, as torres da Hercílio Luz já surpreendem pela imponência. De perto, então, o conjunto é impressionante. Datas, medidas e volumes são insuficientes para descrever o gigantismo da obra, um colosso da engenharia feito de ferro, cabos e parafusos em 1926.

A ponte foi fechada em 1982 por medida de segurança. O mirante em sua cabeceira insular compensa a frustração de não poder atravessá-la – a foto tirada dali, com a Hercílio Luz dominando o fundo, vai parar nos álbuns de nove entre cada 10 turistas. Um ar de satisfação pavimenta o retorno ao burburinho do Centro: a ponte supera as expectativas, a volta é só descida e os próximos destinos são a Alfândega e o Mercado Público. Construídos respectivamente em 1876 e 1899, ambos permanecem como símbolos históricos. Próximo ao complexo, situava-se o Miramar (atual Praça Fernando Machado), o trapiche municipal extinto pelo aterro da Baía Sul. Felizmente, o progresso poupou a vizinhança. A Alfândega abriga uma exposição permanente de artesanato local e uma galeria de artes plásticas. Em seu largo, eventuais shows e manifestações populares tentam chamar mais a atenção do que o Mercado Público. A disputa é injusta. Afinal, o apelo da agitação do Mercado, o chope gelado e o peixe frito são irresistíveis.

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