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Sábado no Mercado Público

Reunir gente interessada para algo mais que comprar e vender.

Postado por: Emerson Gasperin / LB

De peixe fresco a equipamentos para pescá-lo. De calçados àquela blusa que a personagem da novela usa. De artigos de armarinho a artesanato. De carne a temperos que não se acha em nenhum outro lugar da cidade. Do caldo de cana à cerveja. Vários são os pretextos que levam cerca de 10 mil pessoas a circularem de segunda a sexta-feira pelo Mercado Público de Florianópolis – inclusive somente passear. No sábado, o comércio continua movimentado, mas o vaivém constante através das duas alas e do vão central ressalta a outra vocação do local: ser ponto de encontro de florianopolitanos e visitantes num dia em que relaxar e consumir cabem no mesmo programa.

Reunir gente interessada para algo mais que comprar e vender tem sido tradição no Mercado Público desde sua fundação, em 1899. Na época, o cenário para tanto burburinho era apenas a atual ala Norte, com acesso pela rua Conselheiro Mafra e o mar batendo em sua face oposta. O galpão não tinha divisões, com os alimentos de cada banca dispostos em tabuleiros. Passado mais de um século, é a parte com mais cheiro de nova do mercado. Totalmente restaurada depois de consumida por um incêndio em 2005, em seu interior se encontram 51 boxes nos quais tênis, sandálias e sapatos a preços populares disputam a preferência do público.

Mercado expandiu-se a partir de 1930

Foi num sábado de janeiro de 1931 que o Mercado Público começou a ganhar seus contornos definitivos, com a inauguração de um segundo pavilhão, em área aterrada. Maior, mais largo e moderno, a ala Sul dispunha até de sistema de encanamento para lavar suas dependências, cheias de açougues e peixarias. No ano seguinte, foram construídas as quatro torres e as pontes que as unem, nas pontas de cada ala, consolidando o conjunto arquitetônico açoriano e o vão central.

São os espaços gerados por esta reforma que atraem grande parte das pessoas que acorrem ao Mercado Público no fim de semana – e nos almoços e happy hours durante a semana. Apesar do novo aterro – que em 1973 afastou o oceano, as embarcações e os pescadores do prédio –, a ala Sul continua sendo uma das melhores opções da capital em frutos do mar. Pelo menos metade de seu corredor é tomado de peixarias. Tainhas, linguados, salmões, atuns, camarões, lulas, siris, berbigões e outras espécies marinhas transformam os balcões em um festival de cores e odores. Como quase todos os comerciantes cobram os mesmos preços, os fatores decisivos para a escolha acabam sendo o aspecto do produto e alguns diferenciais (como um peixe mais raro...), além da simpatia do vendedor.

Música e gastronomia atraem curiosos e fregueses

Na outra metade da ala Sul, o Mercado Público torna-se um pólo etílico-gastronômico. É ali que ficam os bares, empórios e o estabelecimento que é o grande responsável pela fama do ambiente. Aberto em 1984, o Box 32 revitalizou o velho centro de compras com uma proposta que abrange do trivial ao requintado. O elogiado pastel de camarão, ostras preparadas de diversas formas e a cachaça personalizada dividem o menu com champanhe, fiambres e iguarias importadas. O movimento é tamanho no Box 32 e nos botecos em volta que a aglomeração de clientes espalha-se pelos arredores, inclusive com mesinhas na rua.
Entre um tira-gosto e um gole, as últimas sobre política, economia, esportes e comportamento são debatidas sem limite de horário. Aos sábados, quando o comércio ameaça fechar, às 14h, as mesas do vão central já estão todas ocupadas. Até 1984, veículos trafegavam pelo piso de paralelepípedos do oficialmente denominado Espaço Cultural Luiz Henrique Rosa. O nome homenageia o cantor e compositor que saiu de Florianópolis para conquistar os Estados Unidos com sua bossa nova na década de 1960. Agora, é o samba que pede passagem.

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