Shows, rodas de choro, filmes, palestras e debates formam a programação rica e diversa do festival que celebra o choro como patrimônio cultural e coloca as mulheres no centro da cena musical
Roda de Choro no 1º Festival Choro Mulheril, em 2024. Foto:Sabrina Stahelin.
Florianópolis recebe, entre os dias 8 e 14 de setembro, o 2º Festival Choro Mulheril, iniciativa que busca consolidar o protagonismo feminino no universo da música instrumental brasileira e, em especial, no choro, gênero reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como patrimônio cultural imaterial do Brasil. Totalmente gratuito, o festival oferece uma programação completa e aberta ao público que inclui shows, rodas de choro, palestras, debates e exibição de filmes.
Mais do que uma celebração musical, o festival é um espaço de reflexão e ação diante de um cenário historicamente marcado pelo machismo. O Coletivo Choro Mulheril, organizador do evento, atua justamente no sentido de valorizar compositoras e instrumentistas mulheres, resgatando nomes fundamentais da história da música brasileira, como Chiquinha Gonzaga e Tia Amélia, e dando visibilidade às artistas contemporâneas.
Grupo Chora Mulheres na Roda, do Rio de Janeiro, fará show gratuito no Teatro Álvaro de Carvalho (TAC), durante 2º Festival Choro Mulheril. Foto: divulgação.
Grandes atrações nacionais no palco do TAC
Nos dias 11 e 12 de setembro, o Teatro Álvaro de Carvalho (TAC) será palco de apresentações de destaque na cena musical nacional. Entre elas: Chora Mulheres na Roda (RJ), grupo premiado que promove representatividade negra e feminina no choro; Brejeiras convidam Marcela Zanette (PR), coletivo que revisita clássicos da música brasileira com olhar feminino; o Duo Sheila Zagury e Daniela Spiellmann (RJ), trazendo sofisticação e inventividade; e o Trio Mulheril, formado pelas idealizadoras do coletivo, que nesta edição recebe a pianista cubana naturalizada brasileira Claudia Rivera.
A flautista Léa Freire estará presente no 2º Festival Choro Mulheril, participando de rodas livres de choro e de debate após o documentário “A Música Natureza de Léa Freire”, do cineasta Lucas Weglinsky. Foto: divulgação.
Cinema, debates e rodas de conversa
O festival também abre espaço para o diálogo e o pensamento crítico. A programação inclui a exibição do documentário “A Música Natureza de Léa Freire”, do cineasta Lucas Weglinsky, sobre a trajetória da compositora e instrumentista paulistana, seguida de bate-papo com a própria artista, que participa do festival pela primeira vez este ano. Outro destaque é a apresentação do filme “Chiquinha Gonzaga, Música Substantivo Feminino”, seguido de um rico debate no painel “Raça e Gênero”, com a pesquisadora Carolina Alves (RJ), que investiga dimensões raciais ocultadas na trajetória da compositora, Lia Vainer Schucman (UFSC) e Mayara Araújo (SC), aprofundando questões de memória, racismo e desigualdade na música brasileira. Ambos os filmes e o painel serão realizados no Centro Integrado de Cultura (CIC).
A palestra “Choro Patrimônio Nacional”, com a pesquisadora Camila Barros (UFSC), também integra a programação, abordando o processo de patrimonialização do choro e suas ações de salvaguarda, na Bugio Trindade. O livro “Escrita Musical de Mulheres Brasileiras” (EMMBRA), que reúne partituras de composições de musicistas célebres do país, será discutido em um seminário de Aline Gonçalves (RJ) organizadora da publicação, no Museu da Escola Catarinense (MESC).
Roda de choro: música na rua e para todos
Como não poderia faltar, o festival terá rodas de choro abertas durante toda a semana, com a participação especial de instrumentistas de renome como Carla Pronsato (SP), em espaços como Bugio Trindade e Bugio Centro. Essas rodas, essência do gênero, reforçam o espírito coletivo e democrático do choro, celebrando a música de forma acessível e inclusiva.
A Roda de Choro Mulheril, que ocorre semanalmente em Florianópolis, deu origem ao festival e simboliza sua missão: abrir espaço para mulheres instrumentistas, incentivar a criação autoral e fortalecer a presença feminina em um universo marcado pela desigualdade de gênero. Com repertório que mistura choro, samba e ritmos latinos, o coletivo tem ganhado reconhecimento nacional como voz ativa pela igualdade e valorização da mulher na música instrumental popular.
Em breve o 2º Festival Choro Mulheril divulgará em seu perfil no Instagram (@festivalchoromulheril) a programação completa com datas e horários, assim como os links para reserva de ingressos gratuitos por meio da plataforma Sympla, para as atrações com público limitado.
Serviço
2º Festival Choro Mulheril
Florianópolis – diversos espaços culturais
9 a 15 de setembro de 2025
Programação gratuita com shows, rodas de choro, filmes, palestras e debates
Destaques da programação:
- Shows no Teatro Álvaro de Carvalho (TAC)
• Chora Mulheres na Roda (RJ)
• Brejeiras convidam Marcela Zanette (PR)
• Duo Sheila Zagury e Daniela Spiellmann (RJ)
• Trio Mulheril convida Claudia Rivera (Cuba/BR)
- Cinema e debates no Centro Integrado de Cultura (CIC)
• Filme A Música Natureza, de Léa Freire + bate-papo com a artista
• Filme Chiquinha Gonzaga, Música Substantivo Feminino + painel “Raça e Gênero” com Carolina Alves (RJ), Lia Vainer Schucman (UFSC) e Mayara Araújo (SC) - Palestras
• Choro Patrimônio Nacional, com Camila Barros (UFSC) – Bugio Trindade
• Palestra EMMBRA – Museu da Escola Catarinense (MESC) - Rodas de Choro Abertas
Durante toda a semana, no Bugio Trindade e Bugio Centro, com a participação de instrumentistas convidados como Carla Pronsato (SP).
Entrada gratuita – retirada de ingressos em breve pelo Sympla
Mais informações: @festivalchoromulheril






