Florianópolis, 28 fevereiro 2026
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UFSC forma 66 mil empreendedores em 40 anos, criando ou liderando 107 mil empresas espalhadas por todas as regiões do Brasil

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Levantamento Empreendedores DNA UFSC mostra que empresas criadas por pessoas formadas pela Universidade Federal de Santa Catarina estão em todas as regiões do Brasil

Desde a década de 1966, mais de 66 mil membros da comunidade da UFSC apostaram no empreendedorismo, criando ou liderando 107 mil empresas espalhadas por todas as regiões do Brasil. Os dados são de um levantamento do SINOVA,  Departamento de inovação da Universidade Federal de Santa Catarina, que mapeou o impacto das iniciativas empreendedoras da instituição na formação de novos negócios.

São 34,9 mil microempresas, 28,2 mil MEIs (microempreendedor individual), 16,7 mil empresas de médio a grande porte e 8,1 mil de pequeno porte, segundo o Observatório de Empreendedores e Empresas DNA UFSC. A maior parte dos empreendedores estão na faixa etária entre 26 e 45 anos, com crescimento maior de fundação de empresas a partir de 2020, e abertura dos negócios em até 10 anos após o final da passagem pela universidade. Entre os empreendedores com DNA UFSC mapeados, 45% são do sexo feminino e 55% masculino. 

Outro ponto é a diversidade de vínculos entre os empreendedores. O ecossistema conta com 48,1 mil pessoas egressas ou ativas na graduação, 26 mil de pós-graduação, 3 mil professores, 2 mil técnicos administrativos e 1 mil de ensino médio. Ou seja, é uma cultura empreendedora que não se restringe a uma etapa da formação, mas se espalha por diferentes perfis da comunidade acadêmica.

No recorte por centros de ensino, o Centro Tecnológico lidera, com 17,5 mil empreendedores, seguido pelo Centro de Ciências da Saúde (11,7 mil) e pelo Centro Socioeconômico (11,4 mil). Embora as atividades ligadas à tecnologia estejam fortemente representadas, com cerca de 17 mil empresas, a maior concentração de negócios está em atenção médica ambulatorial (4,4 mil empresas), seguido por comércio varejista de vestuário e acessórios (3,5 mil) e restaurantes e serviços de alimentação (3,2 mil). 

Metodologia e próximos passos

A professora do Departamento de Engenharia do Conhecimento (EGC) da Universidade Federal de Santa Catarina, Clarissa Stefani Teixeira, explica que a concepção do Observatório DNA UFSC partiu da necessidade de mapear a influência de seus membros — incluindo alunos de graduação, pós-graduação, docentes e técnicos administrativos — na disseminação da cultura empreendedora em Santa Catarina e no restante do Brasil. 

“A primeira fase do projeto consistiu na identificação e cruzamento de dados da comunidade UFSC com fontes de domínio público, como a Receita Federal, RAIS, CAGED e dados da própria SINOVA/UFSC. Os resultados foram consolidados e apresentados em painéis interativos. Na segunda fase, em que nos encontramos, o foco é o refinamento desses dados para aumentar a granularidade da análise e aprofundar nossa compreensão sobre o impacto gerado. Por fim, a terceira etapa terá como proposta identificar oportunidades estratégicas para estimular e apoiar o ecossistema empreendedor da universidade”, conta a professora.

Para Clarissa, a universidade é um ator de conhecimento do ecossistema de inovação. Alguns exemplos de empresas de tecnologia criadas por empreendedores que passaram pela UFSC são a Nanovetores, a Softplan, a Pixeon, a Teltec, a Nanoscoping, a Mobway, a Carbon Free Brasil, a Guia da Alma, a Mill, a Bioitz, a JogaJunto e a Pollis, além de muitas outras. 

Atuação em ecossistema

Diego Ramos, que  é presidente da ACATE (Associação Catarinense de Tecnologia) e egresso do curso de Engenharia Elétrica da UFSC, além de CEO da Teltec,  comenta: “A universidade ganha muito por estar em Santa Catarina, um estado de cultura empreendedora por causa de fatores históricos e sociais. Ao mesmo tempo, Santa Catarina ganha muito por ter a UFSC como um espaço de formação profissional crítico e que forma milhares de empreendedores desde o início. Não à toa somos referência em inovação: a UFSC contribui desde o começo do entendimento do empreendedorismo, especialmente o tecnológico, como algo que se faz em rede e que melhora a vida das pessoas”.

A UFSC e a ACATE colaboram em vários projetos e iniciativas. Um exemplo é o Projeto Florescer, por meio do qual estudantes bolsistas da universidade oferecem aulas de robótica para alunos de escolas públicas de Santa Catarina. Outro é a parceria com pesquisadores para mapear riscos e oportunidades na construção de ecossistemas de negócios com potencial de crescimento. As iniciativas são muitas e resultaram na formação de líderes que atuam de forma ativa na construção de políticas para o fortalecimento do empreendedorismo.

Recentemente, a UFSC foi destaque em dois rankings do INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial). A universidade ocupa a 20ª posição, como depositante residente de patentes de invenção. Ao todo, foram 37 depósitos só em 2024. No ranking de depositantes residentes de programas de computador, a universidade aparece em 11º lugar, com um total de 41 depósitos no INPI. Naquele ano, em comparação aos dados de 2023, a Universidade subiu 16 posições no ranking de depósitos de patentes de invenção. Nos programas de computador, o avanço foi ainda maior, subindo 35 posições em comparação ao ano anterior.

Foto: Site da UFSC