A catarata segue como uma das principais causas de perda de visão reversível no Brasil, e os dados mais recentes reforçam a urgência da prevenção e do cuidado contínuo com a saúde ocular. De acordo com o estudo Demografia Médica no Brasil 2025, a região Sul é a segunda que mais realiza cirurgias de catarata no país: são 971 procedimentos para cada 100 mil habitantes, ficando atrás apenas do Sudeste (1.012).
Apesar do volume expressivo de cirurgias, muitos casos poderiam ser identificados mais cedo. A Pesquisa Nacional de Saúde (PNS/IBGE) revela que 34,6% dos brasileiros com 60 anos ou mais já receberam diagnóstico de catarata, mas a doença ainda é subdetectada em fases iniciais, quando os sintomas podem passar despercebidos.
Definida como a opacificação do cristalino, a lente natural do olho, a catarata tem a idade avançada como principal fator de risco, contudo o problema não se limita ao envelhecimento. Ela também pode estar associada à predisposição genética, ao uso prolongado de alguns medicamentos (como corticosteroides), a traumas oculares, à exposição intensa aos raios ultravioleta ou à radioterapia, além de condições de saúde como o diabetes não controlado.
O dado positivo é que 74,2% dos pacientes diagnosticados (cerca de 7,3 milhões de pessoas) conseguiram realizar a cirurgia que é rápida, segura e com resultados eficazes. Mesmo assim, especialistas reforçam que a prevenção continua sendo o melhor caminho. “Os exames preventivos são essenciais. A catarata evolui de forma silenciosa, e quando o diagnóstico demora, a perda visual pode afetar diretamente a autonomia, o equilíbrio e a qualidade de vida do paciente”, explica o oftalmologista Ernani Garcia, diretor técnico do Hospital de Olhos de Florianópolis (HOF).






