Florianópolis, 3 março 2026
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Alongar, aquecer e respeitar limites: como evitar lesões nos esportes de areia no verão

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Professor de Fisioterapia da UniSul explica que fazer para praticar exercícios de forma correta

Com a chegada do verão, as quadras de beach tennis lotam, as corridas na praia aumentam e o vôlei de areia volta com força. Porém, o entusiasmo vem acompanhado de um risco maior de lesões, principalmente para quem passa boa parte do ano sem treinar. A avaliação é do professor de Fisioterapia da UniSul Robson Pacheco, doutor em Ciências da Saúde.

O especialista explica que os traumas mais comuns no verão aparecem em praticamente todo o corpo. “São lesões de ombro, cotovelo, punho, joelho e tornozelo, além das musculares, como tendinites e tenossinovites. A areia, por sua instabilidade, aumenta o esforço e exige preparo prévio”, explica o docente.

Aquecimento: simples, curto e obrigatório

Antes da atividade, o aquecimento não é opcional. “O aquecimento muscular é essencial para evitar que, quando começar a partida, lesões musculares aconteçam, como estiramentos e contraturas”, afirma o professor.

Embora não exista um tempo fixo para esses exercícios, ele sugere um parâmetro claro. “Existe um tempo suficiente para aquecer as grandes articulações e grupos musculares. Algo em torno de 10 a 15 minutos”, sugere. Movimentos amplos, leves e progressivos já cumprem bem esse papel.

A diferença entre areia fofa e compacta

Seja na corrida ou em outros esportes, para quem alterna entre diferentes trechos de praia, o terreno pesa. “A areia fofa causa muito mais instabilidade no movimento, favorecendo a ocorrência de lesões ligamentares e musculares”, diz. Segundo ele, isso reforça a importância de trabalhar musculatura de forma contínua. “Por isso, a necessidade do reforço muscular para a prática de exercícios em terrenos instáveis”, completa Pacheco.

Para evitar sobrecarga, o professor recomenda ajustar o ritmo. “O treino deve ser gradual, respeitando os limites do corpo para evitar lesões. Além disso, utilizar material esportivo adequado e espaço próprio para a atividade ajudam muito no rendimento”, explica.

Tênis ou descalço?

Na praia, a escolha do calçado depende da modalidade. “A utilização do tênis para caminhadas e corridas na praia, por exemplo, é de fundamental importância, haja vista a instabilidade do terreno e a sobrecarga gerada nas articulações e também na fáscia plantar.” Em contrapartida, esportes como beach soccer e vôlei de praia dispensam o tênis.

Calor e hidratação

O verão traz outro fator de risco: a desidratação. “O calor, por si só, já altera o metabolismo muscular. Se temos baixa ingestão e aumento da perda de líquidos, a propensão de lesões é maior. Exemplo muito comum são as famosas câimbras”, afirma. Ele reforça que os sinais do corpo não devem ser ignorados. “As dores, sensações de queimação, sensação de estiramento e os inchaços são indicativos de lesões”, alerta.

Para quem está começando

Iniciantes na praia precisam de ainda mais atenção. “Talvez o mais importante é ter acompanhamento de um profissional da área. O gestual esportivo, o progresso do treino e a periodicidade são extremamente importantes para um começo de sucesso nos esportes de praia”, explica o professor.

Entre uma partida e outra, o descanso também faz parte da prevenção. “O ideal seria o tempo de reidratação e recovery, com relaxamento muscular, alongamentos e liberação de pontos de tensão. Acredito que, pelo menos, 1 hora, mas isso depende muito de pessoa para pessoa”, orienta.

No pós-treino, o cuidado continua. Segundo o professor, “reidratação é muito importante pela questão da perda demasiada de água e sais minerais. Além disso, alimentação leve e descanso são muito importantes”.

Regularidade e cuidados

De acordo com Pacheco, quem pratica esportes de areia precisa de regularidade no reforço muscular. “Os esportes de areia possuem uma demanda de força e potência bastante grande. Por isso, treinos de força, potência e resistência pelo menos 3 vezes por semana são essenciais”, indica.

A principal causa de lesão não está na areia, no calor ou no tipo de treino, mas no comportamento. “Aquelas pessoas que passam o ano todo de forma sedentária e quando chega o verão querem praticar exercício físico em alto rendimento como se fossem atletas. As chances de dar errado são altíssimas”, explica o docente. A regra para um verão ativo e seguro é simples: aquecer, fortalecer, hidratar e respeitar limites.