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Second hand como estratégia: Desapega Floripa é escolhida como cenário de reality do SCC SBT

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A escolha da loja Desapega Floripa como cenário do reality universitário “Desafio Show”, exibido pelo SCC SBT, vai além de uma decisão estética ou logística. O movimento reforça uma tendência cada vez mais clara no mercado de comunicação: marcas com propósito, identidade forte e alinhamento a pautas contemporâneas estão ganhando protagonismo também nas narrativas do entretenimento televisivo.

Referência em moda second-hand em Florianópolis (SC), a loja de moda consciente Desapega Floripa foi selecionada após a equipe da Tem Dendê Produções, responsável pelo programa, visitar diversos brechós da capital e região. A decisão, segundo a fundadora Caroline Bremm, levou em conta a autenticidade do espaço e a forma como a loja traduz, na prática, o conceito de moda circular. “A produção buscava um local onde a moda consciente acontecesse de verdade, não apenas como discurso, mas como experiência”, afirma.

No reality, o brechó não atua apenas como cenário, mas como parte ativa da dinâmica do programa. Além das gravações no espaço, a equipe do Desapega participou orientando os estudantes em desafios relacionados à venda de peças second-hand, contribuindo para a construção do conteúdo e para o desenvolvimento das provas. A presença ativa reforça um modelo de branded content orgânico, no qual a marca se integra à narrativa sem perder coerência com seus valores.

O Desafio Show é o primeiro reality universitário do Brasil, realizado pelo SCC SBT em parceria com a UniSul com apresentação do ator Sérgio Marone e da jornalista Julia Matos. Ao longo de oito episódios, 20 estudantes enfrentam provas que testam criatividade, raciocínio rápido, trabalho em equipe e capacidade de adaptação, que são as competências cada vez mais valorizadas no mercado profissional. O vencedor recebe um prêmio de R$ 50 mil. A direção é de Vânia Lima e Athos Muniz, com produção da Tem Dendê Produções.

Mercado global da moda second-hand

A presença da Desapega no programa dialoga diretamente com transformações mais amplas no consumo e na comunicação das marcas. Dados da Boston Consulting Group (BCG) em parceria com o Vestiaire Collective indicam que o mercado global de moda second-hand cresce cerca de 10% ao ano, ritmo três vezes superior ao da moda tradicional, com potencial de atingir US$ 360 bilhões até 2030. O estudo também aponta que uma parcela significativa do guarda-roupa dos consumidores, especialmente da geração Z, já é composta por peças usadas ou semi-novas.

Esse crescimento ocorre em um contexto no qual a indústria da moda enfrenta questionamentos cada vez mais fortes sobre seu impacto ambiental. A baixa presença do setor nas discussões da COP 30 evidenciou um desalinhamento entre uma das cadeias produtivas mais poluentes do mundo e a agenda climática global, abrindo espaço para modelos de negócio mais alinhados à economia circular e à responsabilidade socioambiental.

Para Caroline, o interesse crescente por brechós não se limita a um público já engajado com sustentabilidade. “Hoje atendemos mulheres que nunca haviam considerado consumir moda second-hand, mas que se identificam com a curadoria, com a experiência e com a proposta da loja. Isso mostra uma mudança real de comportamento”, afirma.

Fundada em 2019, a Desapega Floripa construiu ao longo de quase sete anos um posicionamento consistente, baseado em colaboração, reaproveitamento e curadoria cuidadosa. Mais do que um ponto de venda, a loja se consolidou como um espaço de experiência e de construção de comunidade. Um ativo que, agora, também se traduz em mais visibilidade e relevância como case de marca conectada às transformações do consumo, da comunicação e do entretenimento.