Florianópolis, 28 abril 2026
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O nômade digital brasileiro que trocou Florianópolis por Rancho Queimado

Rancho Queimado - Serra CatarinenseO nômade digital brasileiro que trocou Florianópolis por Rancho Queimado
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Felipe Novaes Rocha é desenvolvedor especializado em Blockchain, IA e Segurança e escolheu a pequena cidade da serra catarinense como base para atender clientes no Brasil e no mundo — uma história que mistura tecnologia de ponta, saúde e qualidade de vida

Há quem vá para Rancho Queimado no fim de semana para provar o morango fresquinho ou contemplar as paisagens do Morro da Boa Vista. Há quem chegue no inverno para sentir o frio serrano tão raro no litoral catarinense. E há quem, como Felipe Novaes Rocha, simplesmente fique — e passe a trabalhar de lá para o mundo inteiro.

Felipe é desenvolvedor e consultor de Tecnologias Emergentes com especialização em Blockchain, Segurança e Inteligência Artificial. Aos 36 anos, carrega mais de 18 anos de experiência no universo tecnológico e uma trajetória que começou literalmente na infância: aos 4 anos já mexia em computadores, aos 10 já programava em Visual Basic, e antes de completar 12 criou um sistema completo de cadastro escolar para a escola em que a mãe trabalhava.

Hoje, sentado em meio às araucárias e ao silêncio serrano a 65 km de Florianópolis, ele atende DAOs internacionais na web3, consulta empresas sobre inteligência artificial e blockchain, e começa a expandir cada vez mais sua atuação para o mercado brasileiro.

“Rancho Queimado me escolheu”

A decisão de se mudar para a pequena cidade de pouco mais de 3 mil habitantes não foi puramente racional — foi, nas palavras do próprio Felipe, quase um chamado.

“Rancho Queimado me escolheu, na verdade”, conta ele, com a leveza de quem já percorreu muitas estradas antes de encontrar seu lugar. “Mas já fazia algum tempo que eu vinha buscando lugares silenciosos e tranquilos para viver. O verão em Floripa se torna muito barulhento. E aí descobri um problema de pele que precisa que eu more em lugares mais frios. Quando Rancho Queimado apareceu, foi um match perfeito.”

O diagnóstico médico foi um divisor de águas. Morar em regiões de clima ameno, com temperaturas que na serra catarinense oscilam entre 10°C e 22°C ao longo do ano — e chegam facilmente a 0°C no inverno —, deixou de ser um desejo e passou a ser uma necessidade real. Rancho Queimado, com sua altitude média de 800 metros e clima serrano, entregou exatamente o que Felipe precisava.

Quatro anos rodando o Brasil antes de parar

A chegada a Rancho Queimado não foi um passo abrupto. Felipe passou quatro anos como nômade digital itinerante, rodando o Brasil a bordo de uma KombiHome — uma Kombi adaptada em casa sobre rodas. Nessa época, ele desenvolveu projetos remotamente enquanto explorava regiões do país, combinando trabalho de alta tecnologia com a aventura de descobrir o interior e o litoral brasileiro.

“Fui desenvolvedor nômade por quatro anos, viajando pelo Brasil de Kombi”, recorda. “Esse período me ensinou muito sobre como trabalhar de qualquer lugar e sobre o que realmente importa na hora de escolher onde viver.”

Foi também nesse período que ele mergulhou de cabeça no universo da Web3. Iniciando em 2021, Felipe integrou o ecossistema Gardens, uma plataforma de governança blockchain ligada à 1Hive.org, onde liderou o desenvolvimento da segunda versão do protocolo — projeto que conquistou 1º lugar em um hackathon internacional. Blockchain, IA e segurança: trabalhando para o mundo a partir da serra

Do alto da Serra Catarinense, Felipe presta consultoria para empresas e organizações autônomas descentralizadas (DAOs) ao redor do globo. Seu campo de atuação cobre algumas das fronteiras mais avançadas da tecnologia atual:

Blockchain e Web3 — desenvolvimento de soluções descentralizadas, contratos inteligentes e análise de ecossistemas digitais;

Inteligência Artificial — implementação de sistemas de IA para automação e otimização de processos;

Criptografia Avançada — pesquisa aplicada em Zero-Knowledge Proofs (ZK) e Fully Homomorphic Encryption (FHE);

Segurança e Privacidade — protocolos seguros para sistemas blockchain e aplicações descentralizadas.

“Nos últimos 4 a 5 anos servi muito DAOs na web3. Agora estou começando atender  clientes brasileiros também”, explica Felipe. A expansão para o mercado nacional chega em um momento em que o Brasil amadurece sua relação com essas tecnologias — e em que mais empresas buscam profissionais capazes de navegar por blockchain, IA e segurança digital ao mesmo tempo.

A cidade que virou cenário perfeito para o trabalho global

Rancho Queimado não é apenas o pano de fundo da vida de Felipe — é parte ativa da sua produtividade. A tranquilidade da cidade, que já atraiu novos moradores o suficiente para fazer sua população crescer quase 20% entre 2010 e 2022, oferece o silêncio e o ritmo que um profissional de tecnologia criativa precisa para pensar com profundidade.

A conexão com Florianópolis, a apenas 65 km, garante acesso quando necessário ao aeroporto e a toda infraestrutura da capital — hoje uma das cidades mais disputadas por nômades digitais no Brasil e no mundo. Mas é na quietude serrana, entre o frio bom e as paisagens de araucárias, que as melhores ideias aparecem.

“A tranquilidade da serra, a conexão com a natureza e o ritmo desacelerado,me dá o espaço mental para trabalhar com o que há de mais complexo e emergente na tecnologia”, reflete Felipe. “Não preciso de um escritório em São Paulo ou de uma conexão com o Vale do Silício para fazer um trabalho de classe mundial. Preciso de uma boa internet, de um lugar silencioso e de clareza mental. Rancho Queimado me dá tudo isso.”

Mais do que um nômade: um criador de conhecimento

Felipe não é apenas um profissional que trabalha remotamente. Ele se vê como um disseminador de conhecimento sobre as tecnologias que domina. Manteve por mais de 140 dias consecutivos lives diárias no YouTube, co-criou o projeto “Floripa Web3” e oferece mentoria para profissionais que desejam ingressar no universo blockchain e das tecnologias emergentes.

Sua trajetória, aliás, é marcada por uma característica pouco comum no mundo tech: além de programador, Felipe é Terapeuta e Mediador de Conflitos, uma combinação que, segundo ele, transforma radicalmente a forma como lida com equipes, clientes e projetos complexos.

“A tecnologia sozinha não resolve nada. São as pessoas por trás dela que fazem a diferença”, diz.

Rancho Queimado na rota do trabalho digital

A história de Felipe é um retrato de uma tendência que cresce no Brasil e no mundo: profissionais altamente qualificados que fogem dos grandes centros urbanos não por limitação, mas por escolha consciente de qualidade de vida. Com internet de qualidade e habilidades globalmente valorizadas, eles podem — e cada vez mais querem — trabalhar de onde o coração mandar.

Para Rancho Queimado, receber esse perfil de morador é um sinal de que a cidade não é apenas um destino de fim de semana. É um lugar onde se pode construir uma vida plena, produtiva e conectada ao mundo — sem abrir mão do silêncio das montanhas, do aroma do morango na safra, nem do frio que, para alguns, não é um inconveniente: é exatamente o que o médico receitou.

Conheça mais sobre o trabalho de Felipe Novaes em felipenovaesrocha.xyz


📍 Rancho Queimado fica a 65 km de Florianópolis pela BR-282, na entrada da Serra Catarinense. A cidade tem cerca de 3.279 habitantes, altitude média de 800m e é conhecida como a Capital Catarinense do Morango.