“Cumprimos com os objetivos de ampliar a articulação e a integração das cidades da Região Metropolitana, tomar conhecimento da situação atual de setores básicos como mobilidade urbana, transporte coletivo e saneamento e estabelecer como prioridade uma governança entre Governo do Estado, municípios, entidades da sociedade civil e a iniciativa privada, para permitir um rápido desenvolvimento de ações e obras que têm muitos anos de atraso”, afirmou o presidente do Floripa Sustentável, Roberto Costa, ao final do Almoço Estratégico “Desafios da Região Metropolitana de Florianópolis”, promovido pelo Movimento nesta segunda-feira (27, na Cantina Zabot, em São José.
No painel da primeira parte do evento fizeram palestras o presidente da Associação Paulista de Municípios, Fred Guidoni; o presidente da Superintendência de Desenvolvimento das Regiões Metropolitanas (Sudesc), João Luiz Demantova; e o prefeito de Florianópolis e presidente da Federação Catarinense de Municípios (Fecam), Topázio Neto.
Na segunda parte, os prefeitos Orvino Coelho de Ávila, de São José, Alexandre Martins de Souza, de Biguaçu, e o secretário estadual de Articulação Internacional e Projetos Estratégicos, Paulo Bornhausen, falaram sobre a importância de uma efetiva integração regional. Representando duas instituições parceiras do evento, a presidente da Associação Empresarial da Região Metropolitana (Aemflo), Cintia Pieri, e o presidente do Conselho Metropolitano para o Desenvolvimento da Grande Florianópolis (Comdes), Robson Truppel, também trouxeram contribuições ao debate.
AVANÇO NA MOBILIDADE
Um dos anúncios mais importantes feitos no evento foi o do presidente da Sudesc, João Luiz Demantova, que apresentou o TIME (Transporte Integrado Metropolitano), que faz parte do Plano de Desenvolvimento Integrado Urbano (PDIU) que vem sendo desenvolvido pela Superintendência. Demantova anunciou que a partir de 2027 ocorrerá uma mudança no sistema de transporte coletivo regional, hoje sob a responsabilidade de cinco operadoras diferentes “e que não têm comunicação plena entre si”, segundo ele.
O presidente da Sudesc também colocou que, atualmente, “existe um excesso de linhas competindo para acessar a Ilha e há desintegração tarifária, ou seja, múltiplos pagamentos por viagem”. Para ele, “é muito importante acabar com o ceticismo da população, que há muitos anos espera por uma melhoria do sistema. Vamos mudar a lógica atual, de centenas de linhas indo para o mesmo lugar e passar ao sistema de corredores, como o dos metrôs, ou seja, um sistema metroviário que permita diminuir o tempo da viagem”. Demantova deu como exemplo uma viagem entre Biguaçu e a UFSC, que hoje leva 2h20, e que pelo novo sistema passará para 1h55, com uma economia de tempo de 23%.
“Vamos implantar também uma Nova Governança Metropolitana, com uma gestão consorciada de transportes coletivos, em que 60% dos votos são dos municípios e 40% do Governo do Estado”, afirmou presidente da Sudesc, acrescentando que para a implantação do novo sistema de transporte coletivo precisarão ser aplicados US$ 333 milhões (cerca de R$ 1,6 bilhão) nos próximos 20 anos.
Logo a seguir, o presidente da Associação Paulista de Municípios e ex-prefeito de Campos do Jordão, Fred Guidoni, fez uma exposição sobre o desenvolvimento das cinco regiões metropolitanas em seu Estado, lembrando que “nelas, assim como aqui, a população já vive integrada e por isso é preciso formular uma gestão administrativa sob a responsabilidade de um ente que possa, de fato, operacionalizar as políticas públicas”. Explicou que “é preciso fazer um bom processo de convencimento dos prefeitos pela integração, colocando todos na mesma mesa, como o Floripa Sustentável está fazendo aqui”. Guidoni elogiou o Movimento, fundado em 2017 e hoje integrado por 48 entidades da comunidade catarinense, “que é um exemplo para todo o Brasil”.
Já o presidente da Fecam e prefeito de Florianópolis, Topázio Neto, trouxe uma palestra intitulada “A Cidade e os Desafios Comuns da Grande Florianopolis”, na qual fez abordagens sobre a mobilidade, os problemas do transporte coletivo, do saneamento básico, da coleta e tratamento de resíduos sólidos. Agradeceu ao Governo do Estado “pela parceria” e lembrou que “nossa região em 2025 teve o maior movimento migratório do Brasil de acordo com o IBGE, com um crescimento de 2,24% na população de um ano para outro. Hoje nossos nove municípios já têm 1,5 milhão de moradores e a tendência é continuarmos crescendo nessa média, em virtude da alta qualidade de vida e farta oportunidade de empregos – mas, se não cuidarmos, esse quadro pode se reverter num futuro próximo”.
Fotos: Leonardo Sousa e Malu Sousa







