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Sul da Ilha cresce como polo de experiências e movimenta cena autoral em Florianópolis

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Empreendedores apostam em modelos fora do óbvio, misturando gastronomia, convivência, cultura e novos formatos de ocupação urbana na região

Mais do que um destino de praia, o Sul da Ilha passou a ocupar, nos últimos anos, um novo lugar dentro da dinâmica urbana de Florianópolis. O crescimento da região já não se reflete apenas na verticalização, no aumento do fluxo de moradores ou na valorização imobiliária – o Campeche, por exemplo, já concentra 74% dos imóveis novos do Sul da Ilha, segundo levantamento do Sinduscon Grande Florianópolis. A transformação começa também a mudar a forma como as pessoas se encontram, consomem e ocupam a cidade, e a gastronomia virou uma das principais protagonistas desse movimento.

Entre o Rio Tavares e o Novo Campeche, uma nova geração de negócios aposta em modelos mais híbridos e menos convencionais, misturando comida, cultura, convivência e experiências urbanas conectadas ao estilo de vida local.

Um dos protagonistas desse movimento é o Izakaya Nankin, primeiro “boteco japonês” de Florianópolis. A operação aposta em uma leitura pouco tradicional da culinária nipônica, distante do clássico sushi e inspirada nos tradicionais izakayas japoneses, bares populares frequentados no Japão para encontros após o trabalho, refeições compartilhadas e happy hours.

A casa iniciou as operações no Sul da Ilha em 2021, com mudança de endereço em 2024, e expandiu para o Centro da Capital no ano seguinte. O cardápio foi pensado para compartilhar e desperta a curiosidade de moradores e turistas, reunindo pratos como karaage, tonkatsu, takoyaki e guiozas, além de opções conhecidas do público, como onigiri, rámens e donburis. O resultado é uma mistura entre a informalidade do boteco brasileiro e referências da cultura oriental.

A ambientação reforça a proposta: lambe-lambes, paredes ilustradas e iluminação em LED azul e vermelho ajudam a transportar o cliente para um cenário urbano japonês, reforçando a experiência de compartilhamento e permanência. “Trouxemos o Izakaya Nankin para o Rio Tavares com a ideia de diversificar a oferta gastronômica da região. O bairro está se transformando a cada ano, crescendo e se tornando um destino para quem busca experiências contemporâneas, com diferentes estilos e propostas. E as operações gastronômicas precisam responder a essa mudança na demanda”, afirma João Pedro Carrion da Silva, sócio-proprietário.

Novas demandas, novos negócios

O mesmo olhar aparece no Kubo Market, inaugurado no último verão, no Novo Campeche – com proposta híbrida que mistura conveniência, bar e pista de dança – e no Lima Cozinha Peruana, restaurante voltado à gastronomia latina, que abrirá em junho, no Rio Tavares. Os dois novos negócios têm à frente o empresário gaúcho João Pedro, sócio do Izakaya Nankin, e empreendedores do Rio de Janeiro.

Definido pelos sócios como um “mercadinho nada óbvio”, o Kubo mistura conveniência, bar, música e encontros casuais em um formato inspirado nas atuais bancas urbanas da capital Fluminense. “O movimento que estamos gerando no Campeche tem sido comparado a o que acontece no Baixo Gávea, no Rio de Janeiro. Tanto é que alguns clientes já apelidaram a região de Baixo Campeche”, conta o empresário carioca, Vicente Quinderé Falcão.

Com programação musical frequente, atmosfera descontraída e proposta voltada ao pós-praia e ao fim de tarde, o Kubo rapidamente passou a integrar a rotina do bairro, atraindo moradores, turistas e um público interessado em experiências mais espontâneas e menos engessadas. O espaço funciona como ponto de encontro no Sul da Ilha, reunindo consumo, circulação e convivência em um mesmo ambiente.
Já o Lima, restaurante peruano que deve abrir as portas em junho, chega a Florianópolis sob comando do renomado chef peruano Marco Espinoza, responsável também pela cozinha da “unidade mãe”, no Rio de Janeiro. A expansão reforça a aposta dos empreendedores no potencial de crescimento do Sul da Ilha, especialmente em bairros que vêm atraindo novos moradores, investimentos e modelos de negócio ligados à experiência e ao lifestyle.

“A cada ano, o Rio Tavares e o Campeche estão mais preparados, tanto em infraestrutura quanto em maturidade de mercado, para receber novos negócios. São bairros que vêm se destacando pela qualidade de vida e pela pluralidade de estilos. Encontramos aqui o ambiente perfeito para buscar o sucesso que conquistamos no Rio”, destaca Vicente.

Apesar do cenário positivo, os desafios permanecem, especialmente nos meses de baixa temporada. Mais do que a queda no fluxo turístico, fatores como frio e períodos prolongados de chuva impactam diretamente o movimento. Nesse contexto, a gestão financeira estratégica se torna essencial para a sustentabilidade do negócio ao longo do ano.

“Empreender em uma cidade sazonal exige planejamento e consistência. É fundamental saber equilibrar os períodos de maior e menor movimento, além de contar com uma equipe qualificada em todas as áreas para manter a operação saudável e preparada para crescer”, conclui João Pedro.