Em um relato pessoal nascido de projetos reais, o empreendedor florianopolitano troca a pergunta “a IA vai me substituir?” por outra, mais difícil — e mais humana: o que, em nós, é insubstituível?
Redação · De Olho na Ilha | Florianópolis
Há quem chegue à inteligência artificial em busca de produtividade e volte apenas com uma planilha mais rápida. Dudu Gentil voltou com uma pergunta. É dela que nasce A IA e Eu, o novo livro do empreendedor digital de Florianópolis — um ensaio pessoal sobre o que significa criar, pensar e trabalhar ao lado de uma máquina, sem manual técnico e sem profecia apocalíptica.
“Eu não procurava um espelho. Procurava tempo”, escreve o autor logo na abertura. O que encontrou foi outra coisa: a constatação de que, quando a parte difícil da execução deixa de ser difícil, sobra exatamente aquilo que sempre foi humano — e que poucas vezes paramos para nomear.
De um atalho a uma pergunta
O fio condutor do livro é uma inversão. No lugar do medo corrente — “a IA vai me substituir?” —, o autor propõe uma questão mais incômoda e mais útil: “o que, em mim, é insubstituível, e estou cuidando bem dessa parte?”. A obra não promete respostas fáceis; constrói, capítulo a capítulo, um caminho para encarar o assunto de frente.
Três atos e uma virada
A IA e Eu se organiza em três atos — O Encontro, A Vertigem e A Escolha. No primeiro, o ceticismo dá lugar à descoberta de que a máquina não apenas executa: ela responde e, ao responder, revela a clareza (ou a falta dela) do nosso próprio pensamento. No segundo, a ferramenta começa a “dobrar sobre si mesma” — o autor relata, por exemplo, escrever um romance sobre uma inteligência artificial usando uma inteligência artificial. No terceiro, a conclusão: a tecnologia amplifica, mas a decisão sempre foi humana.
Cada ato se encerra com um blueprint — um conjunto de práticas que o leitor pode aplicar no trabalho, nos projetos e na vida. É a aposta mais clara da obra: transformar reflexão em ação.
“A máquina sabe quase tudo sobre o mundo. Não sabe nada sobre estar nele.”
O que continua sendo só nosso
No centro do argumento estão três coisas que, segundo o autor, nenhuma máquina terá: a intenção (o porquê de fazer algo), o gosto (saber qual versão está certa) e o território vivido (o conhecimento que mora no corpo, recolhido com os pés no chão). O livro fecha com “O Despertar”, cinco princípios para quem quer atravessar essa transformação sem se perder — e encerra com um chamado: “Não espere o futuro chegar. Seja um dos que o escrevem.”
Uma perspectiva da ilha
Não é por acaso que a reflexão chega de Florianópolis. Há mais de duas décadas no ecossistema digital e de mídia da cidade, Dudu Gentil acompanhou de perto a transformação da ilha em polo de inovação. Sua trajetória — do portal De Olho na Ilha à agência NacionalVox, da aceleradora LeadSquad ao laboratório de inteligência territorial DASHCiTY, fundado em 2025 com Alex Lima — sustenta um olhar ao mesmo tempo prático e local sobre uma mudança global. No livro, ele evita citar marcas e prefere transformar a própria experiência em exemplos universais.
Interessados devem entrar em contato direto com o autor no e-mail: dudu.gentil@nacionalvox.com.br
Sobre o autor
Eduardo Diener Gentil, o Dudu Gentil, é administrador formado pela UFSC e empreendedor digital de Florianópolis há mais de duas décadas. Fundou o portal hiperlocal De Olho na Ilha (2007), é sócio-diretor da agência NacionalVox / NVX e cofundador da aceleradora LeadSquad. Em 2025, fundou ao lado de Alex Lima a DASHCiTY, laboratório de inteligência territorial sediado na Founder Haus, em Jurerê Internacional, e é autor de estudos sobre o futuro da região.






