Maior cooperativa médica de Santa Catarina alerta para as mudanças da legislação que trata sobre os fatores de riscos às doenças psicossociais nas organizações
As empresas brasileiras estão vivendo uma transformação que vai além da gestão, dos processos, das receitas e despesas. A grande mudança nas organizações hoje passa pela saúde dos seus colaboradores, por meio da vigência das novas determinações da NR-01, do Ministério do Trabalho e Emprego, que rege sobre os riscos ocupacionais e pela primeira vez determina o controle dos fatores psicossociais relacionados às atividades laborais. Já em vigor, a norma define que as empresas são responsáveis em identificar, prevenir e gerenciar situações que possam afetar a saúde mental dos funcionários, como metas abusivas, jornadas exaustivas, assédio moral, falha na comunicação, sobrecarga e carências na organização.
Os fatores psicossociais refletem cada vez mais nas pessoas do chamado mundo da modernidade, podendo gerar estresse, depressão, ansiedade, fobias, pânico e outros problemas. Eles descrevem a interação entre aspectos psicológicos – como emoções, pensamentos, comportamentos – e sociais, relacionados ao ambiente, à cultura e ao trabalho. Também são esses fenômenos que afetam o bem-estar e impactam diretamente a saúde mental e física, com riscos globais associados à perda de produtividade e a graves consequências ocupacionais.
Atenta a esse cenário, a Dra. Liciane Horn Cardoso, especialista em Medicina do Trabalho e atuando junto da Unimed Grande Florianópolis, maior cooperativa médica de Santa Catarina, avalia que, acima de tudo, a nova NR-01 faz com que as empresas deem mais espaço e voz para que os trabalhadores participem dos processos que envolvem a saúde mental. “As organizações que ainda não oferecem programas de cuidado para um ambiente mais saudável, serão obrigadas a fazer. E mais do que isto: terão que documentar as atividades e os resultados práticos (orientações e treinamentos). Ou seja, será preciso saber se as ações implantadas funcionam ou não para proteger os trabalhadores de fatores de riscos psicossociais”.
Com 30 anos de experiência em Medicina do Trabalho, atendendo empresas de vários segmentos, a médica destaca que também é preciso promover mudanças na forma como os colaboradores são acolhidos e conduzidos no ambiente profissional. “Os gestores precisam ter um olhar mais apurado sobre as pessoas, com um lado mais humano na forma de se relacionar. Porque é do desentendimento entre gestor e trabalhador que nasce a maioria dos conflitos”.
Mesmo identificando desafios com o novo momento para as empresas, de forma geral a médica afirma que muitas corporações catarinenses já têm programas e fazem pesquisas com visão multifocal para identificar riscos à saúde. “Especialmente as grandes organizações já entenderam que se uma situação não faz bem ao trabalhador, também não faz bem para as suas atividades. As empresas são feitas de pessoas, portanto, o que afeta o colaborador afeta também o convívio, a produtividade e os resultados alcançados. Um bom ambiente de trabalho é positivo para todos”.
Já o presidente da Unimed, Dr. Ademar Paes Junior, ressalta que cuidar da saúde mental dos trabalhadores é também cuidar da sustentabilidade das empresas. “Na Grande Florianópolis, queremos ser parceiros das organizações na construção de ambientes de trabalho mais saudáveis, seguros e produtivos, transformando a NR-01 numa oportunidade de prevenção, gestão e valorização das pessoas”.


