Vanessa Cavallazzi e a secretária de Assistência Social, Mulher e Família de SC, Adeliana Dal Pont, abriram a manhã de palestras no último dia do maior evento de cidades do Brasil
Priorizar políticas públicas, promover o acolhimento de mulheres vítimas de violência e mudar a cultura da sociedade devem estar entre as prioridades para reduzir os indicadores de feminicídio em Santa Catarina. Esse é o entendimento da procuradora-geral de Justiça do Ministério Público de Santa Catarina, Vanessa Wendhausen Cavallazzi, que compartilhou dados e percepções sobre o contexto dessa tipificação criminal no estado. A fala ocorreu durante a palestra “Viver sem Medo: o desafio estrutural do combate ao feminicídio”, conduzida ao lado da secretária estadual da Assistência Social, Mulher e Família de SC, Adeliana Dal Pont.
O conteúdo abriu o palco Fepese nesta quinta-feira (25), último dia de Summit Cidades. As lideranças destacaram que o crime de feminicídio, cometido majoritariamente por homens contra mulheres e em ambiente familiar, depende de instrumentos que vão além das ferramentas judiciais para ser combatido. “Essa cultura que está imersa na sociedade vem de um lugar objetivo: a forma como nós fomos tratadas ao longo da história. Isso está no DNA, inclusive no nosso, e esse ciclo precisa ser quebrado. Mas isso não vai ser interrompido em uma ação judicial ou em um processo, isso precisa ser quebrado em políticas sociais e de formação também”, disse Cavallazzi.
De acordo com a procuradora-geral de Justiça, 76,4% dos crimes de feminicídio que aconteceram em Santa Catarina ocorreram na casa da vítima e 63,9% deles foram cometidos por parceiros ou ex-companheiros. Em quase metade dos casos (47,7%), o autor do crime utilizou armas brancas, como faca ou facão, e as próprias mãos, em caso de esganadura. “O feminicídio não é o destino, é projeto de poder, é descaminho estrutural. E como toda construção social, pode e deve ser interrompida”, complementou a procuradora-geral de Justiça. Dados apresentados na palestra revelam que, a cada três mulheres mortas em Santa Catarina, duas foram vitimadas por violência de gênero.
“Instituições não podem ser cúmplices”
Durante sua fala, Vanessa Wendhausen Cavallazzi destacou que municípios e instituições precisam ser preparados para acolher mulheres vítimas de violência para assegurar o rompimento desse ciclo. “Quando há cumplicidade institucional com tudo isso, a mulher não se sente acolhida o suficiente para denunciar, para ingressar nos equipamentos sociais. A mulher não se sente ser humana o suficiente para romper com esse ciclo”, pontuou. O Mapa do Feminicídio em Santa Catarina, desenvolvido pelo MPSC, mostra que 335 mulheres foram mortas por violência de gênero entre 2020 a 2024 no estado. Entre as principais causas do feminicídio, estão a cultura de dominação masculina, a culpabilização da vítima, a desigualdade econômica como fator de vulnerabilidade e a cultura do silêncio familiar.
Neste sentido, a secretária de Assistência Social, Mulher e Família de Santa Catarina pontuou iniciativas desenvolvidas no Estado para promover a segurança das mulheres e assegurar condições para que elas garantam a própria autonomia. “Lançamos o programa ‘SC por Elas’, que estabelece reserva de 5% das vagas em licitações públicas para mulheres em vulnerabilidade econômica em decorrência de violência doméstica. Isso busca promover o sustento dessa mulher que, muitas vezes, continua na relação porque não tem condições econômicas de se manter”, explicou Adeliana.
A secretária destacou a importância da presença masculina na plateia durante a palestra porque, para ela, os homens são importantes aliados no combate a esse crime.“Precisamos parar de falar para nós mesmas e falar para os homens, porque é ali que está a violência”, enfatizou, citando a campanha “Seja homem: denuncie”, promovida pelo governo catarinense. A iniciativa busca inverter a lógica de dominação e conscientizar os homens sobre o respeito às mulheres.
Summit Cidades
A realização do Summit Cidades é da Fundação de Estudos e Pesquisas Socioeconômicos (Fepese), do Consórcio Interfederativo Santa Catarina (CINCATARINA) e do Consórcio de Inovação na Gestão Pública (Ciga), com correalização do Sistema Fecomércio SC. O maior evento de cidades do Brasil é apresentado por Itaipu Binacional e tem a Prefeitura de Florianópolis como cidade anfitriã.
A edição 2026 tem como patrocinadores platinum a editora A Página, Casan, Governo do Estado de Santa Catarina e Unifique. A Caixa Cartões e o Governo Federal também integram essa lista. O Summit Cidades tem patrocínios gold de BRDE e Codesul, entre demais parceiros.


