“Feminicídio não é destino, é projeto de poder”, diz procuradora-geral de Justiça em palestra  no Summit Cidades

Eventos“Feminicídio não é destino, é projeto de poder”, diz procuradora-geral de Justiça...

Casa dos Açores Museu Etnográfico, em Biguaçu, fecha para reforma estrutural e deve reabrir no primeiro semestre de 2027

Casarão administrado pela FCC fecha a partir desta quarta (4) para obras elétricas, hidráulicas, de telhado e de acessibilidade; oficinas e pesquisa seguem no espaço.

Festival Tambores do Axé leva “Uma Noite de Magia” a Biguaçu no dia 14 de novembro e abre o centenário de Mãe Hilca D’Iansã

Edição do festival reúne sete atrações no Centro de Eventos Fenix, sábado (14), às 21h, com arrecadação de alimentos para a Escola Pan-Africana Olodum Sul.

Villa Francioni abre a série Uvas e Vinhedos, que estreia nesta quarta-feira no canal Modo Viagem, da Globoplay

Vinícola pioneira em vinhos de altitude em Santa Catarina está entre as apresentadas pelo programa, que estreia às 20h30 desta quarta (4) no canal Modo Viagem.

Parque do Morro da Cruz ganha plano de manejo, com nove zonas e quase metade da área fechada à visitação

O Parque do Morro da Cruz, em Florianópolis, ganhou plano de manejo: nove zonas, 49,45% da área sem visitação e regras para o entorno. Veja o que muda.

Compartilhe

Vanessa Cavallazzi e a secretária de Assistência Social, Mulher e Família de SC, Adeliana Dal Pont, abriram a manhã de palestras no último dia do maior evento de cidades do Brasil

Priorizar políticas públicas, promover o acolhimento de mulheres vítimas de violência e mudar a cultura da sociedade devem estar entre as prioridades para reduzir os indicadores de feminicídio em Santa Catarina. Esse é o entendimento da procuradora-geral de Justiça do Ministério Público de Santa Catarina, Vanessa Wendhausen Cavallazzi, que compartilhou dados e percepções sobre o contexto dessa tipificação criminal no estado. A fala ocorreu durante a palestra “Viver sem Medo: o desafio estrutural do combate ao feminicídio”, conduzida ao lado da secretária estadual da Assistência Social, Mulher e Família de SC, Adeliana Dal Pont.

O conteúdo abriu o palco Fepese nesta quinta-feira (25), último dia de Summit Cidades. As lideranças destacaram que o crime de feminicídio, cometido majoritariamente por homens contra mulheres e em ambiente familiar, depende de instrumentos que vão além das ferramentas judiciais para ser combatido. “Essa cultura que está imersa na sociedade vem de um lugar objetivo: a forma como nós fomos tratadas ao longo da história. Isso está no DNA, inclusive no nosso, e esse ciclo precisa ser quebrado. Mas isso não vai ser interrompido em uma ação judicial ou em um processo, isso precisa ser quebrado em políticas sociais e de formação também”, disse Cavallazzi.

De acordo com a procuradora-geral de Justiça, 76,4% dos crimes de feminicídio que aconteceram em Santa Catarina ocorreram na casa da vítima e 63,9% deles foram cometidos por parceiros ou ex-companheiros. Em quase metade dos casos (47,7%), o autor do crime utilizou armas brancas, como faca ou facão, e as próprias mãos, em caso de esganadura. “O feminicídio não é o destino, é projeto de poder, é descaminho estrutural. E como toda construção social, pode e deve ser interrompida”, complementou a procuradora-geral de Justiça. Dados apresentados na palestra revelam que, a cada três mulheres mortas em Santa Catarina, duas foram vitimadas por violência de gênero.

“Instituições não podem ser cúmplices”

Durante sua fala, Vanessa Wendhausen Cavallazzi destacou que municípios e instituições precisam ser preparados para acolher mulheres vítimas de violência para assegurar o rompimento desse ciclo. “Quando há cumplicidade institucional com tudo isso, a mulher não se sente acolhida o suficiente para denunciar, para ingressar nos equipamentos sociais. A mulher não se sente ser humana o suficiente para romper com esse ciclo”, pontuou. O Mapa do Feminicídio em Santa Catarina, desenvolvido pelo MPSC, mostra que 335 mulheres foram mortas por violência de gênero entre 2020 a 2024 no estado. Entre as principais causas do feminicídio, estão a cultura de dominação masculina, a culpabilização da vítima, a desigualdade econômica como fator de vulnerabilidade e a cultura do silêncio familiar.

Neste sentido, a secretária de Assistência Social, Mulher e Família de Santa Catarina pontuou iniciativas desenvolvidas no Estado para promover a segurança das mulheres e assegurar condições para que elas garantam a própria autonomia. “Lançamos o programa ‘SC por Elas’, que estabelece reserva de 5% das vagas em licitações públicas para mulheres em vulnerabilidade econômica em decorrência de violência doméstica. Isso busca promover o sustento dessa mulher que, muitas vezes, continua na relação porque não tem condições econômicas de se manter”, explicou Adeliana.

A secretária destacou a importância da presença masculina na plateia durante a palestra porque, para ela, os homens são importantes aliados no combate a esse crime.“Precisamos parar de falar para nós mesmas e falar para os homens, porque é ali que está a violência”, enfatizou, citando a campanha “Seja homem: denuncie”, promovida pelo governo catarinense. A iniciativa busca inverter a lógica de dominação e conscientizar os homens sobre o respeito às mulheres.

Summit Cidades

A realização do Summit Cidades é da Fundação de Estudos e Pesquisas Socioeconômicos (Fepese), do Consórcio Interfederativo Santa Catarina (CINCATARINA) e do Consórcio de Inovação na Gestão Pública (Ciga), com correalização do Sistema Fecomércio SC. O maior evento de cidades do Brasil é apresentado por Itaipu Binacional e tem a Prefeitura de Florianópolis como cidade anfitriã.

A edição 2026 tem como patrocinadores platinum a editora A Página, Casan, Governo do Estado de Santa Catarina e Unifique. A Caixa Cartões e o Governo Federal também integram essa lista. O Summit Cidades tem patrocínios gold de BRDE e Codesul, entre demais parceiros.