Santa Catarina assume pela primeira vez o posto de estado mais competitivo do Brasil

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Após nove edições consecutivas na vice-liderança, estado supera São Paulo e chega ao topo com desempenho entre os cinco melhores do país em todos os dez pilares avaliados pelo CLP

Santa Catarina alcançou um resultado inédito no Ranking de Competitividade dos Estados 2026: pela primeira vez, o estado ocupa a liderança nacional. A nova classificação encerra uma sequência de 14 edições consecutivas com São Paulo no topo do levantamento, criado em 2011 pelo Centro de Liderança Pública (CLP). O Paraná permaneceu em terceiro lugar, enquanto o Rio Grande do Sul avançou para a quarta posição.

A trajetória catarinense até o primeiro lugar foi gradual. Santa Catarina apareceu em sétimo na edição inaugural, chegou à terceira colocação em 2015 e assumiu a vice-liderança em 2017. Foram nove edições consecutivas em segundo lugar antes da ultrapassagem de 2026.

Mais do que uma simples troca de posições, o resultado revela a principal força catarinense: a regularidade. Santa Catarina é o único estado situado entre os cinco primeiros em todos os dez pilares analisados. Em vez de depender de um único ponto de excelência, a liderança foi construída pela combinação de desempenho econômico, indicadores sociais, capital humano e gestão pública.

Quatro pilares na liderança nacional

Santa Catarina ocupa o primeiro lugar em Segurança Pública, Sustentabilidade Social, Capital Humano e Potencial de Mercado. O estado também aparece em segundo em Educação e Inovação, terceiro em Eficiência da Máquina Pública, quarto em Solidez Fiscal e Sustentabilidade Ambiental e quinto em Infraestrutura.

PilarPosição de SCNota normalizadaMudança ante 2025
Sustentabilidade Social1º100,0Subiu 1 posição
Segurança Pública1º100,0Estável
Capital Humano1º100,0Estável
Potencial de Mercado1º100,0Subiu 2 posições
Educação2º93,0Subiu 7 posições
Inovação2º87,6Estável
Eficiência da Máquina Pública3º82,9Subiu 7 posições
Solidez Fiscal4º70,0Subiu 3 posições
Sustentabilidade Ambiental4º87,6Subiu 3 posições
Infraestrutura5º55,7Caiu 1 posição

A distância para São Paulo vinha diminuindo ano após ano. A vantagem paulista, que era de 5,6 pontos em 2023, caiu para 2,7 em 2024 e para apenas um ponto em 2025. Na edição de 2026, o cenário se inverteu e Santa Catarina abriu uma frente de 6,4 pontos sobre o estado paulista.

O relatório adverte que essa mudança deve ser interpretada de forma relativa. A queda de São Paulo para a segunda posição não comprova, por si só, uma piora absoluta do estado. O resultado indica que Santa Catarina apresentou desempenho comparativo superior no conjunto ponderado dos indicadores.

Educação e gestão pública impulsionaram a virada

Dois avanços tiveram peso especial na nova liderança. Em Educação, Santa Catarina saltou do nono para o segundo lugar, um ganho de sete posições. O movimento foi impulsionado principalmente pelo indicador de Avaliação da Educação, no qual o estado avançou 23 colocações e passou a dividir a liderança nacional.

O estudo mostra, porém, que o bom desempenho educacional não elimina desafios. Santa Catarina aparece em primeiro lugar na taxa de atendimento da educação infantil e em segundo no Enem, mas está apenas na 22ª posição na taxa líquida de frequência do ensino fundamental. O contraste indica que qualidade, acesso e permanência escolar ainda não avançam no mesmo ritmo.

A segunda grande mudança ocorreu em Eficiência da Máquina Pública, pilar no qual o estado subiu do décimo para o terceiro lugar. O avanço foi puxado pelos indicadores de equilíbrio de gênero: Santa Catarina ganhou 17 posições na participação feminina no emprego público estadual e 12 na igualdade de remuneração, chegando ao primeiro lugar nacional neste último item.

Na Solidez Fiscal, o estado avançou três posições e chegou ao quarto lugar, com melhora relativa em planejamento orçamentário, Regra de Ouro e solvência. Em Sustentabilidade Ambiental, também subiu três colocações, apoiado por avanços em transparência das ações de combate ao desmatamento, serviços urbanos e tratamento de esgoto.

O Potencial de Mercado completa o grupo de áreas decisivas. Santa Catarina passou do terceiro para o primeiro lugar nesse pilar, que considera fatores como crescimento, crédito, comprometimento de renda e inadimplência. No indicador de inadimplência, o estado ficou na liderança nacional.

Liderança não elimina pontos de atenção

A primeira colocação geral não significa que Santa Catarina tenha alcançado excelência em todos os indicadores. O próprio estudo identifica gargalos que ajudam a definir a agenda necessária para manter o estado no topo nos próximos anos.

Em Infraestrutura, apesar do quinto lugar no pilar, Santa Catarina ocupa a 24ª posição na qualidade dos serviços de telecomunicações. Na Eficiência da Máquina Pública, está em 23º na oferta de serviços públicos digitais. Outros alertas aparecem na variação do desmatamento, em 22º; no custo da mão de obra, em 24º; nas mortes a esclarecer, em 23º; e na oferta de bolsas de mestrado e doutorado, em 15º.

Esses dados reforçam que competitividade não é um troféu definitivo, mas uma comparação dinâmica. Para Santa Catarina, sustentar o primeiro lugar dependerá de transformar a regularidade atual em avanços concretos justamente nas áreas em que o desempenho ainda é mais baixo.

O que o ranking mede

A edição de 2026 compara os 26 estados e o Distrito Federal por meio de 100 indicadores distribuídos em dez pilares: Infraestrutura, Sustentabilidade Social, Segurança Pública, Educação, Solidez Fiscal, Eficiência da Máquina Pública, Capital Humano, Sustentabilidade Ambiental, Potencial de Mercado e Inovação.

Os quatro pilares de maior peso — Segurança Pública, Sustentabilidade Social, Infraestrutura e Educação — representam 11,3% cada um na composição da nota. Solidez Fiscal e Eficiência da Máquina Pública têm peso de 10,5% cada; Sustentabilidade Ambiental, 10,4%; Potencial de Mercado, 9,1%; e Capital Humano e Inovação, 7,1% cada.

O estudo também exige cautela na leitura temporal. Os indicadores utilizam anos de referência diferentes, principalmente entre 2022 e 2026, conforme a disponibilidade das bases públicas. Quatro métricas passaram por ajustes metodológicos nesta edição: qualidade dos serviços de telecomunicações, bolsas de mestrado e doutorado, qualidade de crédito para pessoa física e equilíbrio racial. Alterações nesses itens, portanto, não devem ser interpretadas isoladamente como melhora ou piora absoluta.

Para Santa Catarina, ainda assim, o significado da virada é claro. O estado que começou o ranking na sétima posição e permaneceu nove edições na vice-liderança chega, pela primeira vez, ao topo nacional. A conquista foi construída menos por um salto isolado e mais pela combinação de segurança, condições sociais, capital humano, mercado, educação e gestão pública — uma regularidade que nenhum outro estado apresentou em 2026.

Sugestão de legenda: Santa Catarina lidera pela primeira vez o Ranking de Competitividade dos Estados, após nove edições consecutivas na segunda posição.

Fontes

[1] CLP — Relatório Técnico do Ranking de Competitividade dos Estados 2026

[2] FloripAmanhã/NSC — trajetória de Santa Catarina no ranking

[3] Portal oficial do Ranking de Competitividade dos Estados