Capital catarinense lidera ranking brasileiro de criatividade urbana em 2026, segundo estudo a Adobe Firefly

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Não basta ter mais teatros, museus ou agências no total. No Índice de Cidades Criativas 2026, o que conta é quanto desse ecossistema cabe em cada 100 mil habitantes. Nessa régua, Florianópolis ficou em primeiro lugar no Brasil, com 74,6 pontos numa escala de 0 a 100 — a única cidade do país a cruzar a linha dos 70.

O levantamento, atribuído à Adobe Firefly e divulgado no início de setembro, avaliou as 50 cidades mais populosas do Brasil. No recorte internacional, foram 428 cidades em sete países. Os números que sustentam a liderança da Ilha vieram de reportagens que reproduziram o estudo; a página oficial do relatório ainda não foi localizada para citação direta.

O que a nota mede, na prática

Foram 22 indicadores, agrupados em infraestrutura cultural, negócios criativos e satisfação dos visitantes. Os dados foram coletados em julho de 2026 em Google Maps, TripAdvisor, Glassdoor, Street Art Cities e OpenStreetMap, depois normalizados e ponderados para caber na escala de 0 a 100.

É por isso que o tamanho absoluto da cidade não decide o jogo. Municípios médios e densos sobem; metrópoles que concentram tudo no volume bruto, mas diluem o indicador por habitante, caem algumas casas.

Os números que puxaram Florianópolis

Na capital catarinense, o estudo aponta:

  • 270,8 agências criativas por 100 mil habitantes
  • 32,2 empregos no setor por 100 mil habitantes
  • 55,7 estabelecimentos de comércio criativo por 100 mil habitantes
  • 8,3 museus por 100 mil habitantes

Comparado a São Paulo, o contraste é de escala e de densidade ao mesmo tempo. Florianópolis tem cerca de 4% da população paulistana, mas concentra 6,2 vezes mais agências criativas per capita e quase o triplo de museus por habitante. O acesso à cultura também pesa: o valor mediano de um passeio cultural na Ilha fica em US$ 34 por adulto, ante US$ 181 em São Paulo e US$ 121 no Rio.

Desde 2014, a cidade já faz parte da Rede de Cidades Criativas da UNESCO na categoria Gastronomia. Isso não “explica” a nota do índice, mas ajuda a ler um território em que criação, cultura e economia convivem no mesmo mapa urbano.

Quem veio atrás

cinco cidades brasileiras passaram dos 60 pontos, todas no Sul e no Sudeste. Seis das dez primeiras não são capitais. São Paulo, maior polo absoluto do setor, ficou em (60,7). O Rio aparece em 14º.

Ranking nacional — top 10

  1. Florianópolis (SC) – 74,6
  2. Juiz de Fora (MG) – 63,9
  3. Niterói (RJ) – 63,6
  4. Curitiba (PR) – 62,5
  5. Belo Horizonte (MG) – 61,8
  6. São José dos Campos (SP) – 61,5
  7. São José do Rio Preto (SP) – 61,0
  8. São Paulo (SP) – 60,7
  9. Porto Alegre (RS) – 60,4
  10. Joinville (SC) – 60,3

A presença de Joinville no top 10 reforça o peso catarinense no recorte: a capital lidera, e o maior município do interior do estado também entra na lista das dez.

Do Brasil ao mapa global

Nenhuma cidade brasileira entrou no top 20 mundial. Florianópolis ficou na 90ª posição, atrás de polos históricos europeus como Florença, Brighton and Hove e La Rochelle. O estudo atribui parte desse desnível à infraestrutura cultural acumulada ao longo de décadas ou séculos nessas cidades.

Há, porém, um indicador em que o Brasil liderou isolado entre os sete países analisados: a satisfação do público com o comércio criativo. Lojas de design, ateliês e livrarias brasileiras receberam média de 4,56 de 5.

Para a Ilha, o retrato que sobra é duplo: no Brasil, a densidade criativa coloca Florianópolis na ponta; no mundo, o desafio continua sendo transformar esse ecossistema local em presença ainda mais forte no ranking global.