Tomar decisões consome boa parte do tempo das lideranças — e nem sempre de forma eficiente. Levantamento da McKinsey com mais de 1.200 gestores em 91 países mostrou que 61% consideram ineficiente pelo menos metade do tempo dedicado à tomada de decisões. Menos da metade avalia que as escolhas são feitas no momento adequado.
Entre os fatores associados ao problema estão papéis pouco claros, processos complexos e a busca excessiva por consenso — o fenômeno conhecido como “death by committee”, quando a decisão passa por tantas pessoas e instâncias que perde velocidade e objetividade.
Para Diego Alegre, CEO e cofundador do Arquipélago, consultoria catarinense especializada em transformação cultural, o ponto não é reduzir a participação das equipes, e sim entender quando a colaboração qualifica a escolha e quando passa a adiar responsabilidades.
“Colaborar para construir uma decisão é uma coisa. Colaborar para não precisar decidir é outra completamente diferente.”
Segundo Alegre, o problema pode estar menos no comportamento das pessoas e mais na estrutura que organiza as relações na empresa. Sem clareza sobre quem tem autoridade para decidir, ampliar a conversa parece solução natural — e o risco é transformar perspectivas diferentes em discussões sem definição.
Mais colaboração, menos tempo para decidir
Pesquisas publicadas pela Harvard Business Review apontam que o tempo dedicado a reuniões, mensagens, chamadas e outras interações cresceu 50% ou mais em duas décadas. Em algumas organizações, essas atividades chegaram a consumir 85% ou mais da semana — a chamada collaborative overload, ou sobrecarga colaborativa.
“Quando uma organização tenta resolver tudo de forma colaborativa, é importante olhar para o sistema que sustenta esse processo: quem participa, quem influencia e, principalmente, quem decide.”
Nos dados da McKinsey, apenas 37% dos entrevistados afirmaram que suas organizações conseguem decisões que combinam alta qualidade e velocidade. Quem considerava a organização rápida para decidir tinha 1,98 vez mais probabilidade de avaliar essas decisões como de alta qualidade.
“Isso não significa que as decisões devam ser centralizadas. O desafio está em definir quais escolhas exigem participação ampla, quais podem ser delegadas e quem terá a responsabilidade final por cada uma delas. Nem toda decisão precisa ser coletiva e nem toda decisão deve ser individual. O importante é desenhar o processo adequado para cada situação”, afirma Alegre.
Na abordagem do Arquipélago, o diagnóstico cultural olha o sistema por trás dos comportamentos: em vez de tratar só reuniões excessivas ou demora como problema de produtividade, a consultoria analisa como responsabilidades, influência e poder de decisão estão distribuídos.
O Arquipélago – culturas que transformam atua em tensões organizacionais que afetam direção coletiva, mobilização e capacidade de crescimento. Com base em Design Estratégico, desenvolve diagnósticos culturais, projetos de ativação da cultura, jornadas de aprendizagem, workshops e processos colaborativos. Na trajetória, já realizou mais de 500 projetos para mais de 300 clientes de setores como cooperativas financeiras, indústrias, energia, saúde, educação e terceiro setor.
Foto: Arquipélago / Divulgação


