A artista Damiana Bregalda abre na terça-feira, 6 de outubro, às 18h, a exposição individual “Da pele à terra: percursos de pousos e riscos” no Museu da Imagem e do Som de Santa Catarina (MIS-SC), no Centro Integrado de Cultura (CIC), em Florianópolis. Com curadoria de Juliana Crispe, a mostra gratuita reúne 16 obras — instalações, vídeo-performances, fotografias, monotipias e trabalhos sonoros — e fica em cartaz até 29 de novembro de 2026.
A pergunta que atravessa a exposição é direta: como habitar a Terra sem continuar ocupando-a como quem possui, domina e extrai? O título concentra dois eixos da pesquisa da artista — a pele e o corpo, de um lado; a terra como território vivo, do outro. “A ideia de ‘pouso’ aparece como um gesto de suspensão, desaceleração e atenção. Já o ‘risco’ diz respeito tanto à vulnerabilidade quanto à possibilidade de deslocar certezas e experimentar outras formas de habitar a Terra”, explica Damiana Bregalda.
O que é a exposição “Da pele à terra” no MIS-SC?
“Da pele à terra: percursos de pousos e riscos” é a primeira exposição individual de Damiana Bregalda no Museu da Imagem e do Som de Santa Catarina (MIS-SC). A mostra inédita, com curadoria de Juliana Crispe, abre em 6 de outubro de 2026 às 18h no CIC (Agronômica, Florianópolis), é gratuita e fica aberta de terça a domingo, das 10h às 21h, até 29 de novembro de 2026.
O conjunto reúne quatro instalações, uma série de quatro monotipias, quatro vídeo-performances, duas publicações de artista, uma série de seis foto-performances, duas fotografias e dois trabalhos sonoros. Embora alguns trabalhos já tenham circulado em outras mostras, a configuração e o título desta exposição são inéditos: a pesquisa se estende por mais de uma década, com obras iniciadas em 2013 e produções recentes.
Entre os trabalhos de longa duração está “Diário de pousos”, iniciado em 2013 e apresentado agora ao público pela primeira vez. Nele, a artista coleta folhas e flores no momento em que se desprendem das árvores e registra local e horário de cada pouso. Já a série “Ara Maí: semear em terras devastadas (2026)” nasceu no pós-doutorado (2024–2026) no Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), com bolsa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Os trabalhos “Ara Maí” e as monotipias foram realizados em três paisagens de Santa Catarina: uma pedreira e uma plantação de pinus elliottii em Florianópolis e uma mina de carvão em Criciúma.
Nas vídeo-performances “É preciso correr o risco – na pele” e “É preciso correr o risco – na terra”, a relação entre corpo, território e disputa fica explícita. Na segunda, Damiana percorre uma área de monocultura de soja em Paraí (RS) e semeia o Avaxi Para’í, variedade de milho cultivada pelos Guarani — um gesto que tensiona a lógica da monocultura e outras formas de cuidado da vida.
Habitar o mundo: crise ecológica e perspectiva decolonial
A exposição aborda crise climática, devastação ambiental, monocultura, exploração territorial e os efeitos da colonialidade sobre corpos e terra, em diálogo com saberes de povos originários e quilombolas. A curadora Juliana Crispe destaca: “A exposição propõe pensar a crise ecológica a partir de uma perspectiva decolonial. Em diálogo com Malcom Ferdinand e sua Uma ecologia decolonial, compreendemos que a devastação ambiental não pode ser dissociada da história do colonialismo, da escravidão, do racismo, da apropriação territorial e dos modelos de exploração que transformaram a natureza em propriedade e mercadoria.”
O gesto de semear atravessa vários trabalhos. “Interessa pensar a Terra como um mundo compartilhado entre humanos e não humanos. Por isso, o gesto de semear aparece como uma possibilidade poética e política: não como uma promessa ingênua de recuperar uma natureza intocada, mas como uma maneira de imaginar outros modos de habitar”, explicam curadora e artista.
Para Damiana, ocupar o MIS-SC — espaço público e de entrada gratuita — tem um sentido especial: “Tenho uma expectativa muito grande de que o espaço do MIS possa funcionar não apenas como lugar de apresentação das obras, mas como um espaço de encontro, pausa e reflexão.” E completa: “Da pele à terra é um convite para suspender, pousar, escutar e semear.”
A exposição foi viabilizada pela Lei nº 15.503, de 29 de junho de 2011.
Sobre a artista
Damiana Bregalda é artista, antropóloga e pesquisadora. Pós-doutora em Artes Visuais pela Udesc, doutora em Artes pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), mestre em Antropologia Social e bacharel em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Seu trabalho articula arte, antropologia e ecologia, investigando modos de estar no mundo e a relação entre humanos e não humanos.
Em resumo
- Abertura: 6 de outubro de 2026 (terça), às 18h, no MIS-SC / CIC, Florianópolis.
- Exposição individual inédita de Damiana Bregalda, com curadoria de Juliana Crispe.
- 16 obras (instalações, vídeo-performances, fotos, monotipias e áudio); pesquisa de mais de dez anos.
- Visitação gratuita até 29 de novembro de 2026, terça a domingo, das 10h às 21h.
- Entrada gratuita; endereço: Av. Governador Irineu Bornhausen, 5600, Agronômica.
Serviço — “Da pele à terra: percursos de pousos e riscos”
Abertura: 6 de outubro de 2026, terça-feira, às 18h
Local: Museu da Imagem e do Som de Santa Catarina (MIS-SC), Centro Integrado de Cultura (CIC) — Avenida Governador Irineu Bornhausen, 5600, Agronômica, Florianópolis/SC
Visitação: até 29 de novembro de 2026, de terça a domingo, das 10h às 21h
Entrada: gratuita
Foto: Damiana Bregalda — crédito Cássio Aranovich / divulgação
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