Artigo — Por Paulo Zahr, empresário, investidor e executivo. O autor defende que o desafio da inteligência artificial nas empresas é preparar pessoas, e não apenas adotar ferramentas.
A inteligência artificial já está mudando a forma como as empresas trabalham, tomam decisões e organizam suas equipes. O futuro do emprego deixou de ser uma preocupação distante e faz parte das decisões que empresários e gestores precisam tomar hoje. A pergunta mais importante não é só quantos empregos poderão desaparecer, mas como estamos preparando as pessoas para trabalhar em um ambiente em que muitas atividades serão feitas de outra maneira. O debate costuma focar em automação e produtividade, mas a capacidade das empresas de desenvolver profissionais merece a mesma atenção.
Quanto cresceu a contratação de profissionais com competências em IA no Brasil?
O Barômetro de Empregos de IA 2026, da PwC, mostra que a contratação de profissionais com competências em IA no Brasil quase triplicou entre 2024 e 2025: de 1,1% para 3,6% dos anúncios analisados. Isso indica que a transformação não depende apenas de cargos especializados em tecnologia: empresas de diversos setores precisam incorporar novas ferramentas à gestão, ao atendimento, às vendas e à operação.
Por que o desafio é preparar pessoas, e não apenas adotar ferramentas?
Uma empresa pode investir em IA e continuar com problemas de produtividade, atendimento e gestão se não revisar seus processos nem preparar quem vai usar a tecnologia. É preciso identificar o que pode ser automatizado, quais decisões exigem julgamento humano e quais competências desenvolver. Pensamento analítico, adaptação, criatividade, comunicação e liderança ganham importância ao lado das habilidades digitais.
O relatório Future of Jobs 2025, do Fórum Econômico Mundial, aponta que a transformação tecnológica alterará significativamente as competências exigidas até 2030 e destaca a necessidade de requalificação. Para os empresários, isso é uma responsabilidade de gestão: identificar lacunas nas equipes atuais e criar condições para que acompanhem a evolução da operação.
O que muda para quem está começando a carreira?
Muitas tarefas iniciais, como organizar informações, elaborar relatórios e produzir versões preliminares de documentos, podem ser parcialmente automatizadas. Mas também são oportunidades de aprendizado, em que o profissional ganha repertório, entende os processos da organização e se prepara para responsabilidades maiores. Se essas tarefas forem automatizadas, as empresas precisarão encontrar novas formas de formar talentos. Como desenvolver análise e julgamento sem aprender na prática? O desafio merece a atenção de lideranças, do RH e das instituições de ensino.
Como os empresários devem encarar a transição?
Nessa transição, na minha visão, os empresários devem encarar a transformação com pragmatismo. A IA pode ampliar a capacidade das equipes e liberar tempo para atividades de maior valor, mas também pode exigir mudanças na estrutura e nas competências. Isso pede decisões concretas: investir em capacitação, revisar funções e estabelecer critérios para medir ganhos de produtividade. Pede também transparência: mudanças sem comunicação geram insegurança e dificultam a adoção das próprias ferramentas que deveriam melhorar o trabalho.
Prever quais profissões existirão daqui a alguns anos é arriscado, mas já vemos mudanças nas atividades, nas competências e na organização do trabalho. A discussão precisa ir além da substituição de pessoas por máquinas: a qualificação não pode depender só da iniciativa individual, e as organizações precisam participar desse processo. A questão que fica é direta: estamos apenas incorporando novas tecnologias às nossas operações ou preparando nossas equipes para trabalhar melhor com elas? A resposta terá impacto na produtividade, na formação de novos profissionais e no crescimento sustentável. A tecnologia amplia as possibilidades de uma organização, mas transformá-las em resultados continuará exigindo estratégia, liderança e pessoas preparadas.
Paulo Zahr é empresário, investidor e executivo.
Em resumo
- Artigo de opinião de Paulo Zahr sobre inteligência artificial e o futuro do trabalho.
- Segundo a PwC, a contratação de profissionais com competências em IA no Brasil subiu de 1,1% para 3,6% dos anúncios entre 2024 e 2025.
- O Fórum Econômico Mundial aponta mudança significativa nas competências exigidas até 2030 e necessidade de requalificação.
- O autor defende que empresas invistam em capacitação, revisem funções e comuniquem as mudanças com transparência.
- Tarefas de início de carreira automatizadas exigem novas formas de formar talentos.
A relação entre IA e gestão de pessoas também está na pauta do Peopletech Summit 2026, da ACATE, em Florianópolis. Leia ainda o checklist de governança de IA para empresas antes da fiscalização da ANPD e a cobertura do AI Builder Tour, dia de imersão em inteligência artificial no Square SC.
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