A reconstrução mamária após a mastectomia evoluiu de forma significativa nos últimos anos e hoje combina próteses, tecidos da própria paciente e enxerto de gordura de acordo com cada caso, afirma o cirurgião plástico Ricardo Votto, chefe do Serviço de Cirurgia Plástica do Hospital Universitário (HU) e coordenador do Ambulatório de Reconstrução de Mama da UFSC, em Florianópolis. No Outubro Rosa, o ambulatório realiza mais uma edição do mutirão de cirurgias, com previsão de 20 a 30 reconstruções de média e alta complexidade.
Quais técnicas de reconstrução mamária existem hoje?
Próteses, tecidos da própria paciente, enxerto de gordura ou a combinação dessas técnicas podem ser utilizados de acordo com o diagnóstico, o tratamento oncológico e as características individuais de cada mulher. Atualmente, as reconstruções com próteses estão entre as mais realizadas. As técnicas com tecidos da própria paciente permanecem como alternativa em determinados casos, enquanto o enxerto de gordura vem ganhando espaço como recurso para aprimorar os resultados.
“A reconstrução de mama é uma das áreas que mais evoluiu nos últimos 20 anos. A qualidade dos implantes permite resultados mais naturais, principalmente quando associada ao enxerto de gordura. Também existem técnicas chegando ao Brasil voltadas à melhora da sensibilidade das mamas após a mastectomia”, afirma Votto.
Como é definida a técnica mais indicada para cada paciente?
Segundo Ricardo Votto, não existe uma solução única para todas as pacientes. “A escolha depende de uma soma de fatores: o tipo de diagnóstico, o tratamento necessário, as características da mama, o momento de vida da paciente e também a necessidade de tratamentos complementares, como quimioterapia e radioterapia”, explica o cirurgião, que destaca a importância de incluir a reconstrução no planejamento do tratamento oncológico.
A reconstrução pode ser feita no mesmo momento da mastectomia?
Sim. A reconstrução pode ser feita de forma imediata, no mesmo momento da mastectomia, ou posteriormente, após o tratamento oncológico. Quando possível, a reconstrução imediata pode reduzir o impacto psicológico provocado pela retirada da mama e os estigmas relacionados à mastectomia. Para o cirurgião, além de recuperar forma e volume, o procedimento pode contribuir para a autoestima, a qualidade de vida e a retomada da rotina após o câncer.
Como será o mutirão do Outubro Rosa no HU-UFSC?
Como parte da programação do Outubro Rosa, o Ambulatório de Reconstrução de Mama do Hospital Universitário da UFSC realiza mais uma edição do mutirão voltado a pacientes que aguardam pelo procedimento, com previsão de 20 a 30 reconstruções mamárias. No dia 16 de outubro, no Delfino, haverá um encontro com cirurgiões convidados, aberto a médicos e estudantes da região. As cirurgias serão realizadas no dia 17 de outubro, no Hospital Universitário. Em 2025, o mutirão do HU terminou com 25 cirurgias e redução da fila de espera.
Quanto tempo as pacientes esperam hoje pela cirurgia?
Criado em 2019, o ambulatório contribuiu para reduzir uma espera que, segundo Ricardo Votto, chegava a 19 anos em alguns casos. Atualmente, o tempo para a cirurgia é inferior a seis meses e não há fila para consultas no ambulatório. A reconstrução mamária é um direito assegurado às mulheres submetidas à mastectomia, tanto no SUS quanto na assistência privada. Neste mês, o Governo de SC ampliou os valores pagos pela reconstrução mamária no SUS.
Quem é Ricardo Votto?
Ricardo Votto é cirurgião plástico, chefe do Serviço de Cirurgia Plástica do Hospital Universitário e coordenador do Ambulatório de Reconstrução de Mama da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). É o atual secretário da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica em Santa Catarina (SBCP/SC) e regente do capítulo de mamoplastia da SBCP.
Em resumo
- A reconstrução mamária pode usar próteses, tecidos da própria paciente, enxerto de gordura ou a combinação dessas técnicas.
- A escolha depende do diagnóstico, do tratamento, das características da mama e do momento de vida da paciente.
- A cirurgia pode ser imediata, junto com a mastectomia, ou feita após o tratamento oncológico.
- O mutirão do Outubro Rosa do HU-UFSC prevê de 20 a 30 reconstruções, com cirurgias em 17 de outubro.
- A reconstrução é um direito no SUS e na assistência privada; no HU, a espera caiu para menos de seis meses.
Leia também: SBM/SC reforça o cuidado com o câncer de mama no Outubro Rosa e Carretas da Saúde da Mulher agendam 25 mil exames em um ano em SC.
Texto enviado pela assessoria de imprensa Laura Coutinho. Foto: Divulgação



