Fórum da ACATMAR bate recorde com 229 inscritos e expõe falta de mão de obra no setor náutico de SC

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Fórum da ACATMAR bate recorde com 229 inscritos e expõe falta de mão de obra no setor náutico de SC

VI Fórum de Capacitação Técnica da ACATMAR, no IFSC Câmpus Florianópolis-Continente, teve público recorde e debateu a escassez de profissionais, o Parque Marina Beira-Mar Norte e a Marina Escola do IFSC.

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O VI Fórum de Capacitação Técnica da ACATMAR, realizado nesta terça-feira (20) no Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), Câmpus Florianópolis-Continente, registrou 229 inscritos, número recorde desde a criação do evento, em 2014. Promovido pela Associação Náutica Brasileira (ACATMAR) e pela Mundo Mar Consulting, o encontro colocou no centro do debate um desafio da economia do mar em Santa Catarina: a falta de mão de obra especializada para acompanhar o crescimento do setor náutico.

O crescimento da indústria náutica, a construção de embarcações cada vez maiores e novos investimentos em infraestrutura, como o Parque Marina Beira-Mar Norte e o projeto da Marina Escola do IFSC, ampliam as oportunidades de trabalho em estaleiros, marinas, oficinas e empresas de serviços náuticos — e, com elas, a necessidade de capacitar profissionais. O evento foi divulgado previamente pelo portal na matéria sobre o fórum gratuito da ACATMAR para a economia do mar.

Em resumo

  • O VI Fórum de Capacitação Técnica da ACATMAR teve 229 inscritos, recorde desde 2014, no IFSC Câmpus Florianópolis-Continente.
  • A escassez de mão de obra qualificada atinge da indústria ao turismo náutico, segundo o presidente da ACATMAR, Leandro “Mané” Ferrari.
  • O Parque Marina Beira-Mar Norte deve movimentar cerca de 600 embarcações em Florianópolis e criar demanda por serviços especializados.
  • A Marina Escola do IFSC, planejada para quase 300 metros de orla, tem a proposta de ser a primeira da América Latina.
  • A economia do mar somou 239.671 empregos formais em SC em 2024, 8,5% dos vínculos do estado, segundo a SEPLAN/SC.

Por que falta mão de obra no setor náutico de Santa Catarina?

Para o presidente da ACATMAR, Leandro “Mané” Ferrari, a qualificação profissional é uma das principais necessidades para sustentar o desenvolvimento da atividade náutica. Na abertura, ele destacou que a escassez atinge diferentes segmentos, da indústria ao turismo náutico, e reforçou a importância de aproximar empresas, instituições de ensino e poder público.

“A gente sabe da falta de mão de obra que está no setor, e isso é em todas as instâncias, desde a indústria até o turismo náutico. Capacitar sempre foi um dos grandes lemas da ACATMAR. Quando começamos esse Fórum, em 2014, foi justamente para isso”, afirmou Ferrari, que também preside a Governança Estadual da Economia Azul de Santa Catarina.

Como o Parque Marina Beira-Mar Norte deve ampliar a demanda por profissionais?

Em implantação na capital, o Parque Marina Beira-Mar Norte deverá movimentar cerca de 600 embarcações, segundo o secretário municipal de Turismo, Desenvolvimento Econômico e Inovação de Florianópolis, Juliano Richter Pires, criando demanda por diferentes serviços especializados.

“Vamos precisar de manutenção, limpeza, profissionais para motores, marinheiros e uma série de serviços que Florianópolis até então não estava atenta. Esse Fórum serve justamente para capacitar as pessoas que poderão ocupar esses espaços, atrair novos prestadores de serviços e, consequentemente, gerar empregos e oportunidades”, destacou o secretário. Segundo ele, a Prefeitura pretende manter a parceria com a ACATMAR para ampliar as oportunidades de capacitação, especialmente para moradores de Florianópolis e região.

O que é a Marina Escola do IFSC?

Desenvolvido em parceria com a ACATMAR desde 2025, o projeto da Marina Escola do IFSC propõe criar, em Florianópolis, uma estrutura voltada à formação profissional e ao desenvolvimento de atividades ligadas à economia do mar. Segundo Vinícius de Luca, diretor-geral do IFSC Câmpus Florianópolis-Continente, ela está sendo planejada para uma área com quase 300 metros de orla, junto à instituição, e tem a proposta de se tornar a primeira da América Latina.

“Estamos trabalhando desde o ano passado com a ACATMAR na elaboração desse projeto. A Marina Escola vai envolver diferentes áreas de formação e contar também com a participação dos campus Florianópolis e São José, especialmente nas atividades de manutenção de embarcações, motores, fibra e design. Aqui, no Campus Florianópolis-Continente, o foco estará na economia azul e nos serviços ligados ao turismo, à gastronomia e à hotelaria”, explicou.

Como os estaleiros sentem a escassez de profissionais?

Amanda Remor, da área de marketing do Grupo Okean, patrocinador do Fórum, destacou que o crescimento dos estaleiros e o aumento do tamanho das embarcações exigem conhecimentos técnicos cada vez mais específicos. O grupo, que mantém estaleiro em Itajaí, concluiu recentemente a entrega de sua centésima embarcação. Segundo Amanda, a média de tamanho dos barcos produzidos chegou a 61 pés, enquanto, há quatro ou cinco anos, ficava pouco acima dos 50 pés.

“Cada vez que avançamos para embarcações maiores, precisamos de mais tecnologia e de mão de obra especializada. A indústria náutica é extremamente artesanal e depende muito das pessoas. Em Santa Catarina, percebemos que os profissionais acabam circulando entre os mesmos estaleiros. Precisamos capacitar mais jovens para que o setor consiga continuar crescendo”, afirmou. Para ela, a formação também é fundamental para garantir a qualidade dos serviços e a segurança de proprietários e marinheiros.

Que papel a tecnologia e a sustentabilidade tiveram no debate?

Januario Gagliardi, da JRG Trading, distribuidora oficial da Propspeed para a América Latina, apresentou a palestra “Menos craca, menos carbono”, sobre soluções para reduzir a incrustação de organismos marinhos em cascos e hélices, o que melhora a eficiência das embarcações e reduz consumo de combustível e emissões de carbono. Segundo ele, a descarbonização é um dos grandes desafios da atividade marítima e náutica, especialmente diante das exigências ambientais internacionais.

“Hoje temos empresas brasileiras exportando tecnologia, design e serviços. O mercado se profissionalizou muito nos últimos anos, mas ainda existem desafios. Compartilhar conhecimento é essencial, principalmente para estudantes e pessoas que nunca imaginaram que poderiam trabalhar nesse segmento”, destacou Gagliardi, que atua no segmento desde 2011.

Ao longo do dia, a programação também abordou monitoramento inteligente de embarcações, sistemas de arrefecimento, funcionamento de motores, eletrônica embarcada, segurança e resgate no litoral catarinense, vidros náuticos, reparos em fibra e compósitos, além de soluções sustentáveis para limpeza e conservação de embarcações.

Qual é o tamanho da economia do mar em Santa Catarina?

Segundo dados da Secretaria de Estado do Planejamento de Santa Catarina (SEPLAN/SC), a economia do mar contabilizou 239.671 empregos formais em 2024, o equivalente a 8,5% dos vínculos de trabalho do estado. Entre 2014 e 2024, o número de empregos cresceu 25%, com destaque para a Grande Florianópolis, que reúne 66.895 trabalhadores formais ligados ao setor. Santa Catarina também responde por 70% da produção nacional de embarcações de esporte e lazer e reúne 1.028 empresas náuticas, conforme indicadores compilados pela ACATMAR. A entidade também tem atuado na internacionalização do setor, como na missão ao Salão Náutico de Gênova.

O VI Fórum de Capacitação Técnica da ACATMAR teve realização da ACATMAR e da Mundo Mar Consulting, patrocínio da Prefeitura de Florianópolis e do Grupo Okean, além do apoio de empresas e instituições ligadas ao setor náutico.

Sobre a ACATMAR

Fundada em 2008, a ACATMAR — Associação Náutica Brasileira reúne empresas e profissionais ligados ao mar e atua na qualificação técnica, na articulação institucional e no desenvolvimento da economia do mar em Santa Catarina e no Brasil. Mais informações no site da ACATMAR.