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sexta-feira, dezembro 3, 2021
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Adolescentes de Florianópolis apanham até sangrar em ritual de pancadaria

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Adolescentes de Florianópolis apanham até sangrar em ritual de pancadaria

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Os participantes chamam o torneio de “Luta do Lixo”. As imagens da barbárie foram parar na internet.

Soa o gongo e começa a pancadaria: socos, chutes, quedas e mais socos. Crianças e adolescentes apanham até sangrar em um ritual de barbárie que os participantes chamam de “Luta do Lixo”.

Os garotos que aparecem nas brigas são todos de famílias de classe média alta e frequentam colégios particulares de Florianópolis. Segundo os participantes, a Luta do Lixo começou por iniciativa de alguns rapazes há cerca de dois meses, e logo as disputas ganharam popularidade entre os alunos.

“Está todo mundo querendo achar um para lutar”, conta um menino.

O grupo tinha uma comunidade em um site de relacionamento. A página era usada para marcar as brigas. Eram até seis por fim de semana. E oito vídeos da pancadaria foram colocados na internet. Em um deles, um garoto de 14 anos luta com outro de apenas 11 anos.

Uma das brigas dura quase 10 minutos e só termina quando o menino mais novo, ferido, desiste. Em outra, dois meninos trocam golpes violentos. Machucado, o menino de 13 anos pede o fim da briga e tenta sair do ringue, mas, antes, é humilhado.

“Levanta e fala ‘desisto’ para a câmera. Diz: ‘eu sou uma franga, uma franguinha’”, ordena um adolescente.

Mostramos as imagens para os pais de alguns dos meninos. “É tanta violência a ponto de perguntar como isso acontece sem que a gente fique sabendo”, declara uma mãe.

“Você não reconhece o seu próprio filho. A criança tem uma casa tranqüila. É totalmente outra criança, descontrolada. O vídeo é muito pesado, e é bem violento”, avisa outra mãe;

O ringue das brigas foi montado na área de lazer da casa de um rapaz, de 17 anos de idade. Ele diz que muitos garotos queriam brigar para resolver disputas pessoais.

“Geralmente tinha alguma rixa, algum acerto a fazer, desde namorada, até não gostar do sujeito”, conta o rapaz.

A mãe dele diz que custou a perceber que as brigas eram para valer. “Achávamos que era uma brincadeira, sem maldade, sem agressão. E quando nós vimos que estavam sangrando e estavam machucados, isso acabou”, afirma a mulher.

Para a Promotoria da Infância e Juventude, todos os envolvidos são responsáveis pela violência. Os pais podem ser penalizados com uma multa que vai de 3 a 20 salários mínimos, se ficar comprovado que sabiam das brigas e não fizeram nada. Já os adolescentes cometeram atos infracionais de lesão corporal e podem sofrer medidas sócio-educativas.

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