Antes da explosão da IA generativa, Caio Paiola já aplicava inteligência artificial no varejo e na educação

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Com mais de 15 anos em tecnologia, o executivo e empreendedor liderou soluções usadas por mais de 1,2 milhão de estudantes e agora integra o conselho da Domlexia; em Florianópolis, fundou o Pinball Space

Quando a inteligência artificial generativa transformou a tecnologia em assunto cotidiano, Caio Paiola já acumulava quase uma década de experiência com aplicações comerciais de IA. Em 2015, o executivo paulistano utilizava algoritmos para prever padrões de consumo no varejo. Poucos anos depois, aplicaria a tecnologia à educação, com sistemas capazes de personalizar o aprendizado e utilizar reconhecimento de imagens em larga escala.

Aos 34 anos e com mais de 15 anos de experiência, Paiola construiu uma trajetória que atravessou publicidade, varejo digital, educação, fintech e entretenimento. Foi desenvolvedor, tech lead, CTO, sócio e empreendedor. Entre os resultados estão um aplicativo selecionado pela Apple entre os dez melhores do Brasil à época, uma edtech adquirida integralmente pela Arco Educação e a liderança de tecnologias utilizadas por mais de 1,2 milhão de alunos.

Neste ano, passou a integrar o conselho administrativo da Domlexia, organização voltada ao apoio de crianças com dislexia e outras neurodivergências, onde também contribuirá com a área de tecnologia. Entre as frentes em desenvolvimento está o uso de inteligência artificial como apoio a escolas e professores na identificação precoce de sinais e dificuldades de aprendizagem.

“A escola já produz um volume enorme de informação — padrões de erro, evolução entre avaliações, tempo de resposta — e quase nada disso recebe a devida atenção. Vi isso de perto na Studos, onde a plataforma acompanhava mais de 130 mil alunos: o sinal está lá, o que falta é alguém lendo”, afirma. Ele ressalta que o sistema não terá função de diagnóstico clínico: a proposta é apoiar a triagem e sinalizar casos que mereçam avaliação especializada.

Do universo da educação para o entretenimento

Paiola também fundou o Pinball Space, primeiro bar de pinball de Florianópolis, no conceito barcade, com investimento de cerca de R$ 1,5 milhão. O espaço chegou ao posto de atração nº 1 da cidade no TripAdvisor em sua categoria, com nota máxima 5.0 e o prêmio Travelers’ Choice 2026. Diante da falta de sistemas adequados, ele voltou a programar e desenvolveu softwares próprios para ponto de venda, cardápio, gestão de clientes e análise da operação.

IA antes de a IA virar assunto

A primeira experiência de Paiola com IA aplicada a um negócio aconteceu na HomeRefill, startup da qual assumiu o posto de CTO em 2014. A partir de 2015, algoritmos analisavam padrões de consumo para estimar quando produtos precisariam ser repostos. A empresa chegou a cerca de 170 mil usuários em São Paulo e, em dezembro de 2016, foi selecionada pela Apple para o “Best of 2016” da App Store Brasil.

Em 2017, entrou como sócio e CTO da Studos Software, edtech de Florianópolis dedicada à avaliação e ao aprendizado adaptativo. A plataforma chegou a mais de 130 mil alunos em mais de 500 escolas. Em 2020, a Studos foi adquirida integralmente pela Arco Educação. À frente da ArcoTech, Paiola liderou plataformas usadas por mais de 1,2 milhão de alunos e, na sequência, a criação da ArcoPay, plataforma de pagamentos escolares.

“Não adianta fazer alguma coisa simplesmente achando que vai dar dinheiro. Dinheiro tem que ser consequência do que você consegue trazer de bom para as pessoas”, afirma.