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A camareira Rosimere dos Santos Rodrigues é um exemplo de que nunca é tarde para voltar, ou até mesmo, começar a estudar. Aos 40 anos ela voltou as salas de aula.

Desde criança Rosimere sempre gostou de frequentar a escola. “O meu primeiro dia de aula foi muito bom”, conta. Mas infelizmente ela não conseguiu conciliar os estudos com as tarefas domésticas exigidas pela madrasta. Sem o apoio do pai, que a tirou da escola quando ela reprovou na 2ª série do primário, Rosimere teve que interromper o sonho de estudar.

Aos 15 anos, cansada dos maus tratos, decidiu ir embora de casa. Foi quando conheceu um homem 13 anos mais velho, com quem casou e teve seis filhos. O marido também não apoiava os estudos de Rosimere. “Eu era uma prisioneira, ele não me deixava fazer nada, muito menos estudar”, desabafa.

Quando se divorciou, ela esperava poder concluir os estudos, mas a dona da casa onde ela morava e trabalhava não permitiu que ela estudasse. Como precisava sustentar os filhos, Rosimere aceitou a situação. Os filhos cresceram e o apoio que ela esperou a vida toda finalmente chegou. “Decidi que ninguém ia mais me proibir de estudar e os meus filhos me apoiaram muito”, conta com entusiasmo.

Rosimere viu na EJA a oportunidade de concretizar o seu sonho e atualmente está concluindo o ensino fundamental no Núcleo Itacorubi – Bacia da Lagoa, na Escola Básica Municipal Henrique Veras. No ano que vem ela pretende realizar o 2º grau.

O mordomo Olímpio Domingos, 42, também voltou a estudar depois que recebeu o apoio da namorada que é professora de História. “Ela me incentivou bastante, por isso resolvi terminar os meus estudos”, conta. Por não conseguir conciliar o trabalho com as aulas, Olimpio abandonou a escola antes de terminar a 8ª série. Ele trabalha há 25 anos como mordomo, e é o único com carteira assinada na capital.

As amizades, a troca de experiência e os conhecimentos adquiridos na sala de aula são mais uma motivação para Olímpio concluir os estudos. Há um ano ele frequenta o Núcleo da EJA, no Centro de Educação Continuada da Secretaria Municipal de Educação. O mordomo também participa do Grupo Teatral EJAKI, um projeto dos alunos da EJA.