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sexta-feira, setembro 17, 2021
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Assembleia Legislativa faz sessão em homenagem aos catarinenses que lutaram contra a Ditadura Militar

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Assembleia Legislativa faz sessão em homenagem aos catarinenses que lutaram contra a Ditadura Militar

 A Assembleia Legislativa promoveu uma sessão especial, nesta quarta-feira, 10, Dia Internacional dos Direitos Humanos, uma homenagem as pessoas que lutaram contra a Ditadura Militar no Brasil. A sessão foi solicitada pelo Coletivo Catarinense Memória, Verdade, Justiça aos deputados peemedebistas Ada De Luca e Edison Andrino. As informações são da Agência Alesc.

Familiares de 14 presos políticos já falecidos receberam a homenagem. Dentre 689 catarinenses presos durante a ditadura militar, o coletivo selecionou para a concessão da honraria um parlamentar, dois operários, uma mulher, um estudante, dois militares, um prefeito, um professor, um funcionário público, um dirigente partidário, dois advogados e um profissional da imprensa. Os critérios para definição dos homenageados foram: ter sido preso político, ser catarinense e já ter falecido.

Dez catarinenses foram mortos pelo regime militar – os corpos de quatro continuam desaparecidos.

Homenageados (in memoriam):

Addo Vânio de Aquino Faraco: Filho e neto de políticos, era deputado estadual, foi preso e teve o mandato cassado pelo regime militar. Faleceu em 2005.

Adolfo Luiz Dias: Estudante de Direito, foi o primeiro presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE) livre da UFSC. Organizou o protesto conhecido como Novembrada, foi detido e enquadrado na Lei de Segurança Nacional, sendo mais tarde absolvido. Faleceu em 1999.

Alecio Verzola:  Militante e dirigente do Partido Comunista Brasileiro (PCB), extinto pelos militares, foi preso e torturado na Operação Barriga Verde, de forma injusta, ilegítima e ilegal. Faleceu em 2010.

Alvaro Ventura: Estivador, anarquista, inquieto e combativo. Fundador da Liga Operária, participou da Revolução de 1930 e foi deputado classista, participando da Constituinte de 1934. Foi dirigente do PCB e, com o golpe militar, caiu na clandestinidade. Faleceu em 1989.

Arno Lippel: Bancário e depois funcionário da Celesc, era militante do PCB e foi preso pela ditadura logo após o golpe de 1964. Faleceu em 1986.

Elyani Marinho de Souza Santos: Era funcionária da Assembleia Legislativa. Durante o golpe, foi detida em sua residência, por guardas armados, nos meses de abril e maio, sem qualquer documento escrito. Foi indiciada pelo Exército e mais tarde inocentada por falta de provas. Mesmo assim, foi demitida da Assembleia Legislativa. Faleceu em 2010.

Francisco Sales de Moraes: Policial militar filiado ao PCB, foi excluído da PM e perdeu as honrarias militares. Foi preso em 1964 e torturado pela Marinha, ficou surdo e muito machucado.

Higino João Pio: Primeiro prefeito de Balneário Camboriú, eleito pelo PSD em 1965. Foi preso em fevereiro de 1969, juntamente com funcionários da prefeitura, e conduzido para a Escola de Aprendizes de Marinheiros de Florianópolis. No dia 3 de março, a família foi notificada de sua morte, por suicídio. A Comissão Nacional da Verdade nomeou três peritos para análise do laudo e a perícia confirmou o assassinato.

Manoel Alves Ribeiro – Mimo: Operário eletricista, trabalhou na construção da Ponte Hercílio Luz. Foi vereador pelo PCB. Faleceu em 1994.

Marcilio Cesar Ramos Krieger: Participou ativamente do movimento estudantil na década de 1960. Já advogado, militou na Ação Popular. Foi para o exílio e retornou ao Brasil em 1979. Faleceu em 2010.

Nery Clito Vieira: Era capitão da Polícia Militar, comandante do Batalhão de Chapecó. Durante o golpe, recusou-se a prender pessoas da cidade por considerar tais prisões injustas e precipitadas, sem ordem judicial. Foi preso, cassado e expulso da corporação. Faleceu em 1999.

Roberto Motta: Estudante, em outubro de 1968 foi detido no Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), em Ibiúna. Militante do PCB, foi detido novamente em 1975 na Operação Barriga Verde e bastante torturado. Faleceu em 1999.

Sérgio Luís de Castro Bonson:
Aluno do Instituto Estadual de Educação, participou ativamente do movimento estudantil que combatia a ditadura. Graduado em História, era cartunista talentoso e artista plástico autodidata. Faleceu em 2005.

Valmir Martins: Em 1964, era membro da Ação Popular e participou do 30º Congresso da UNE, em Ibiúna. Formado em História, foi professor da UFSC. Faleceu em 2012.

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