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quinta-feira, maio 19, 2022
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Ausência de faixa de areia pode espantar turistas no verão na Armação

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Ausência de faixa de areia pode espantar turistas no verão na Armação

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Prefeitura diz que não há projetos previstos para melhorar a orla, destruída com a ressaca.

Quase terminado o muro para conter o avanço do mar, na praia da Armação, em Florianópolis, a preocupação da comunidade do Sul da Ilha passa a ser outra: o turismo no verão.

Sem faixa de areia, que desapareceu com a ressaca, moradores e comerciantes temem o sumiço também dos turistas. A prefeitura da Capital já adiantou que para a próxima temporada nada será feito.

O presidente da Associação de Pescadores da Armação, Fernando Sabino, observa que pelo menos 700 metros de areia, na metade da praia, deixaram de existir, e que não há perspectiva de que a faixa volte a aparecer naturalmente, como aconteceu em outros pontos. A região, onde o mar tomou conta do cenário, é a que concentra pousadas e restaurantes.

Além disso, o muro de pedras de 1.750 metros de extensão barrou o acesso à praia. A proximidade do verão preocupa ainda mais o presidente da associação. Para fazer o alargamento da faixa de areia, teria que ser feito um estudo de impacto ambiental e até todo processo estar pronto, levaria pelo menos um ano.

Um projeto feito em 1999 pelo Departamento Estadual de Infraestrutura (Deinfra) já apontava o alargamento da faixa de areia como a solução para o problema da Praia da Armação. Apesar disso, a prefeitura do município não tem nenhuma obra prevista.

O secretário de obras, Luiz Américo Medeiros, afirma que existe a expectativa de fazer algo, mas que não há prazo para isso. Ele ainda alega que o projeto do Deinfra não inclui a revitalização da praia, que é outra obra necessária. A prefeitura estuda colocar passeios, decks e bancos sobre o muro de pedras.

Para a construção do muro, foram repassados R$ 10 milhões à prefeitura pelo Ministério da Integração. A obra, que é emergencial, deveria acabar em 18 de agosto, mas o prazo foi prorrogado por mais três meses. O secretário de Obras acredita que em 60 dias ela esteja pronta.

Comunidade está em alerta

O pescador Aldori Aldo Souza, 43 anos, é um dos que dependem da pesca e do turismo. Durante a temporada, ele aluga a casa em que mora para os turistas. Ele reclama que a pesca foi bastante ruim e agora acredita que os turistas não vão aparecer.

A comerciante Carmem Lúcia Silva, que tem uma loja de roupas e lembranças, informa que o movimento do último verão foi pelo menos 30% menor, em relação ao anterior.

Carmem também notou a mudança de perfil das pessoas que vão à Armação. De acordo com ela, não existem mais banhistas que vão para ficar na praia e passar o dia:
— Antes eu reclamava das pessoas que saíam molhadas da praia e entravam na loja, sujando tudo. Hoje, até sinto falta delas.

Retrospectiva das ressacas nas praias da Armação, Barra da Lagoa e Campeche
A força das águas nas praias da Armação do Pântano Sul, no Sul da Ilha de Santa Catarina, Barra da Lagoa, no Leste, e em menores proporções, no Campeche, no Sul, deixou a Defesa Civil em alerta entre maio e junho. As ressacas destruíram casas, derrubaram muros, engoliram a faixa de areia e prejudicaram centenas de moradores e comerciantes.

Armação
O avanço da água trouxe prejuízos para pelo menos 400 pessoas da comunidade da praia da Armação do Pântano do Sul, no Sul da Ilha de Santa Catarina. Os maiores prejudicados foram os pescadores e as pessoas que vivem de turismo. Mais de 70 propriedades foram atingidas (incluindo terrenos), 31 casas afetadas e cinco completamente destruídas.

Barra Lagoa
A Barra da Lagoa, no Leste de Santa Catarina, também foi uma das afetadas pelas ressacas registradas em maio e junho deste ano. Cerca de 20 casa e estabelecimentos comerciais foram atingidas.

Campeche
A Praia do Campeche, no Sul da Ilha de Santa Catarina, foi uma das menos prejudicadas pelas ressacas, mas também houve prejuízos.Uma casa de alvenaria desabou na rua dos Pinheiros na Praia do Campeche, no Sul da Ilha. Muros foram destruídos e diversas casas ficaram ameaçadas.

Por Júlia Antunes Lorenço | julia.antunes@diario.com.br

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