Bancas de jornal do Centro de Florianópolis diversificam produtos e resistem à queda no número de leitores

GeralBancas de jornal do Centro de Florianópolis diversificam produtos e resistem à...

Villa Francioni abre a série Uvas e Vinhedos, que estreia nesta quarta-feira no canal Modo Viagem, da Globoplay

Vinícola pioneira em vinhos de altitude em Santa Catarina está entre as apresentadas pelo programa, que estreia às 20h30 desta quarta (4) no canal Modo Viagem.

Parque do Morro da Cruz ganha plano de manejo, com nove zonas e quase metade da área fechada à visitação

O Parque do Morro da Cruz, em Florianópolis, ganhou plano de manejo: nove zonas, 49,45% da área sem visitação e regras para o entorno. Veja o que muda.

A Corda em Si e Rodrigo Gudin Paiva levam “As Paredes Têm Ouvidos” a cinco cidades de SC, com shows gratuitos

Turnê começa em 12 de novembro, em Balneário Camboriú, passa por Joinville, Blumenau e Criciúma e chega a Florianópolis em 4 de dezembro, sempre às 19h, com ingressos gratuitos no Sympla.

ADIT Cidades reúne especialistas internacionais em Florianópolis para debater regeneração urbana, de 11 a 13 de novembro

Primeira edição do evento da ADIT Brasil e da Hurbana, no Passeio Primavera, discute retrofit, investimento em áreas consolidadas e espaços públicos com Ian Goldin, Gil Peñalosa, Tim Gill e Rute Ferreira.

Compartilhe

Por Carmelo Cañas, Felipe Lenhart e Karine Santos 

A reportagem do DeOlhoNaIlha percorreu algumas bancas de jornal do Centro de Florianópolis para ouvir de seus proprietários como é manter-se dignamente do trabalho em um ramo de comércio cujos produtos estão pouco a pouco desaparecendo – edições em papel de jornais, revistas, livros, guias e almanaques mais e mais estão sendo descontinuadas ou migrando para o meio digital.

No geral, os jornaleiros assumiram que a banca atual é uma pequena loja de conveniência – imagem reforçada pela recente atualização de layout por que todas passaram nos últimos anos na cidade. E todos reconhecem o óbvio: filas para comprar o "Jornal do Brasil" na Praça XV de Novembro jamais se repetirão. Não só porque o velho JB virou um portal de notícias, mas também porque caiu drasticamente o número de leitores de jornais e revistas que frequentam bancas.

Quando o assunto é internet e computadores, revela-se um paradoxo: ao mesmo tempo em que a informática, a digitalização de publicações e a popularização de smartphones e tablets vêm tirando leitores das edições impressas, a falta de informatização e de um sistema online de gestão nas bancas, com softwares específicos para o controle do que foi ou não vendido no regime de consignação, torna a vida desses microempreendedores ainda mais difícil.

É a chamada "venda forçada": quando a distribuidora passa para recolher o encalhe, se o jornaleiro não encontra uma revista que não vendeu, tem de pagá-la, mesmo que a localize em algum desvão de prateleira no dia seguinte. E mais: quando uma revista é vendida, a banca fica, por exemplo, com 25% do preço; quando a publicação é perdida ou furtada, a casa tem de arcar com 100% do valor.

Esse controle é todo feito na mão, em tabelas impressas fornecidas pelas distribuidoras, e no olho, para encontrar a "revistinha X, de tamanho Grande, Colorida, de XX páginas" na prateleira "Z". E essa verdadeira "função" é tarefa diária, de segunda a sexta-feira, já que as bancas funcionam como "minimercados", como bem chamou um dos entrevistados: todos os dias, dezenas e dezenas de novas publicações são entregues e dezenas e dezenas são recolhidas. E a conta precisa fechar.

Banca Catedral

A Banca Catedral é administrada desde 1994 por Adriano Silva, manezinho de 40 anos. Segundo o proprietário, o negócio ainda é bem lucrativo, apesar da queda nas vendas, que têm despencado desde o "boom" da internet.

Jornais e revistas, que antigamente eram os itens mais procurados, perderam espaço para os mangás (como são conhecidas as histórias em quadrinhos japonesas), as apostilas de concursos e cadernos de vestibular. “O público que consome esse tipo de material é bem específico. Esses conteúdos estão na internet, mas eles preferem as edições impressas”, explica Adriano.

Além do material impresso, há também uma infinidade de outros produtos, como guloseimas, cigarros e créditos para celular. Essa variedade garante que o local esteja sempre movimentado, desde a hora em que abre, às 7h30, até o fechamento, às 20h30.

Mesmo com o comércio sempre cheio, Adriano não se acomodou. Recentemente, criou um site em que vende alguns produtos que também são encontrados na banca. “Qualquer ramo tem seus altos e baixos. É preciso sempre inovar e ter persistência. Só não dá pra ficar parado e ver o negócio morrer”, completa.

Banca Praça XV

Persistência é o que não falta na vida do casal que administra a banca mais antiga de Florianópolis. A Banca Praça XV existe há quase cem anos, e o casal Irival Costa, 66, e sua esposa, Solange Maria Costa, 62, estão à frente do negócio desde 1974.

Para eles, que viram as vendas caírem drasticamente desde a popularização da internet, o segredo para manter o sucesso do comércio está no bom humor e no preço justo. “Abrimos a banca às 7h todos os dias e só saímos às 23h. Só descansamos no domingo porque a banca não abre, mas como a gente faz o que gosta, acaba sendo um prazer vir trabalhar”, conta Solange.

Enquanto a proprietária mantém os jornais e revistas organizados, seu marido fica no caixa atendendo os clientes. Nos horários de pico, os dois concentram-se no atendimento. O lucro vem da venda de bebidas, guloseimas, cigarros, entre outros. “Há 30 anos eu chegava aqui com um fardo do 'Jornal do Brasil' nas costas e já tinha fila para comprar. Agora, se vendo meia dúzia da 'Folha de S. Paulo', é muito”, diz Irival.

Mas, segundo os donos, ainda existe um pequeno público que busca por material impresso para leitura e entretenimento, como revistas segmentadas e palavras-cruzadas. “Foi-se o tempo que as pessoas entravam aqui e compravam duas ou três revistas e mais o jornal do dia. Isso não existe mais”, completa Irival.

Continue lendo a reportagem AQUI.