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Bastidores da música: A complexa engenharia logística da Camerata Florianópolis para cruzar o planeta e se apresentar em festival de jazz na Indonésia

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Cruzando os céus em uma complexa operação logística, a Camerata Florianópolis está, neste exato momento, no meio de uma maratona aérea de mais de 48 horas. O grupo, que embarcou no Floripa Airport na tarde de domingo (24), enfrenta conexões em São Paulo e Doha, no Catar, com o objetivo de representar o Brasil na 21ª edição do Java Jazz Festival, em Jacarta, um dos eventos mais importantes do gênero no planeta.

A viagem começou muito antes do embarque. Para colocar a orquestra no palco do salão BYD Hall (NICE PIK2) nos dias 29 e 31 de maio com o espetáculo “Aquarela do Brasil”, a equipe organizou uma engenharia de bastidores meticulosa. Na bagagem, viajam 80 quilos de equipamentos próprios de áudio, incluindo mesas de som avançadas, 32 microfones selecionados e um sistema de comunicação de alta fidelidade (Hi-Fi).

Para viabilizar o deslocamento e evitar contratempos, apenas os instrumentos de grande porte, como violoncelos e contrabaixos, serão alugados diretamente na Indonésia, enquanto os músicos carregam suas próprias violas e violinos durante o trajeto.

A chegada ao Aeroporto Soekarno Hatta, na capital indonésia, está prevista para a tarde desta terça-feira (26). Após os trâmites de imigração, retirada da moeda local e chips de comunicação, os músicos e a produção seguem para a base oficial do grupo, no Hotel Mercure Jakarta Pantai Indah Kapuk. No mesmo dia da chegada, uma reunião técnica já está agendada para alinhar os detalhes finais dos palcos.

A partir daí, o ritmo é intenso. O grupo passará por uma rotina de três ensaios matinais consecutivos, agendados para os dias 27, 28 e 29 de maio. O foco principal é o entrosamento para os concertos em parceria com o músico Rega Daune. A agenda oficial de recepção também inclui compromissos de peso, como o “Artoz Show” (um encontro de boas-vindas na quarta-feira) e a passagem de som para um Jantar de Gala na quinta-feira, no Hotel Swissôtel.

O grande momento dessa jornada acontece na sexta-feira (29), às 19h15, e no domingo (31), às 21h, quando as cortinas se abrem para a Camerata Florianópolis apresentar, no Java Jazz Festival, o espetáculo “Aquarela do Brasil”. Sob a regência do maestro Jeferson Della Rocca, o repertório conta com clássicos como Tico-Tico no Fubá, Trenzinho Caipira, Garota de Ipanema e Influência do Jazz. As apresentações contarão com a participação de duas experientes vozes femininas: a manezinha Cláudia Bossle e a carioca Sheila Sá, que já participaram de edições anteriores do festival. Os dois shows serão gravados e exibidos posteriormente em canais especiais de música. 

BRASIL MUITO BEM REPRESENTADO

Levar a cultura brasileira a um palco internacional tão prestigiado representa, para a Camerata, a força da arte como instrumento de conexão entre diferentes povos e tradições. “Apresentar um programa dedicado à música brasileira para um festival como o Java Jazz é uma forma de mostrar a riqueza, a diversidade e a versatilidade do nosso repertório. É um encontro entre culturas que acontece por meio da música”, destaca Della Rocca.

Para Peter Gontha, fundador e idealizador do Java Jazz Festival, o Brasil estará muito bem representado. “A Camerata tem uma história fantástica e representará muito bem a música brasileira, que é muito admirada na Indonésia”, afirma Gotha.

A viagem é também uma oportunidade de mostrar a cultura do estado em outro país. “É a chance de levar a música brasileira para novos públicos e representar Santa Catarina em um evento de alcance mundial”, destaca a diretora de produção da orquestra, Maria Elita Pereira.

Foto: Scarduelli Comunicação