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segunda-feira, outubro 18, 2021
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Camerata Florianópolis apresenta-se neste sábado no Teatro Pedro Ivo

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Camerata Florianópolis apresenta-se neste sábado no Teatro Pedro Ivo

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Concerto integra projeto patrocinado pela WOA Empreendimentos Imobiliários

No próximo dia 16 a Camerata Florianópolis realiza apresentação La Serva Padrona e Cantata do Café no Teatro Pedro Ivo, em Florianópolis, às 21hs, com solos de Carla Domingues, soprano, Marcos Liesenberg,, tenor e Javier Venegas – baixo. O Concerto integra projeto patrocinado pela WOA Empreendimentos Imobiliários.

Na ocasião deste concerto, o público apreciará ilustres exemplos de gêneros musicais expoentes do período Barroco: a cantata e a opera. A cantata denota um gênero musical vocal, ao qual os compositores do Barroco dedicaram grande atenção. Assim como a ópera, a cantata surgiu na Itália, percorrendo a Europa e incorporando os estilos em voga de cada país. A Alemanha protestante adotou a cantata como parte do culto luterano, e formou a sólida herança musical através de compositores como Heinrich Schütz e Dietrich Buxtehude. Embora seja repleta de dramaticidade, a cantata diferencia-se da ópera por ser uma expressão musical que não está atrelada às artes cênicas.

Johann Sebastian Bach (1675-1750) compôs mais de 200 cantatas, que constituem um dos pilares de sua obra. Estas peças abrangem técnicas composicionais diversas e, na maneira de expressar musicalmente o texto, criam caráteres variados que nos demonstram um pouco da genialidade do compositor. Aberturas instrumentais, árias, recitativos, ariosos, coros e corais alternavam-se na narrativa de trechos bíblicos para as mais diversas ocasiões do calendário litúrgico. O período no qual Bach trabalhou em Leipzig foi particularmente fértil na produção de cantatas. Dessa fase, datam algumas cantatas profanas (ou seculares), encomendadas para casamentos, homenagens políticas, entre outras ocasiões – como é o caso da Cantata do Café (1732), de caráter humorístico, apresentada neste programa.

O café foi introduzido na Europa em meados do século XVII. O hábito de bebê-lo logo tornou-se moda e, com ele, surgiram as casas de café, que por volta de 1735 não somavam mais que uma dezena na Alemanha. Com sua difusão, especulou-se que o “veneno negro” causaria, dentre outros males, esterilidade nas mulheres. É neste contexto que o compositor alemão, sob encomenda de Gottfried Zimmermann, arranjou inspiração cômica. Essa cantata foi composta para ser executada na Kaffeehaus Zimmermann como um concerto de câmara. Como sua narrativa sugere personagens marcantes, a peça é frequentemente executada utilizando-se recursos cênicos. Tal fato merece destaque, uma vez que não conhecidas óperas compostas por Bach.

Eis a sinopse: Schlendrian está furioso com sua filha Lieschen, pois ela aderiu à nova moda europeia e está viciada em café. Ao longo da cantata, ele faz diversas proibições à filha, que teima em não abandonar suas três doses diárias da bebida, que é “deliciosa como mil beijos, mais doce que vinho moscatel”. Até que o pai a proíbe de casar, o que a faz obedecê-lo. Não sabe Schlendrian, contudo, que Lieschen tramara de, no contrato matrimonial, o marido consentir à sua condição de poder beber café o quanto desejar. A trama é arrematada por um trio que diz que, assim como os gatos não deixam os ratos em paz, as mulheres não abandonarão o café. Se avós e mães o bebem, quem irá impedi-lo às filhas?

Um ano após a composição da Cantata do Café, estreava, no Teatro San Bartolomeo de Nápoles, a ópera trágica Il Prigioner Superbo (O Orgulhoso Prisioneiro), de Giovanni Battista Pergolesi (1710-1736). Como entreato a essa ópera, foi apresentado um intermezzo cômico intitulado La Serva Padrona, também de Pergolesi, com libreto de Gennaro Antonio Federico. Não poderia imaginar o compositor que esta pequena pérola tornar-se-ia mais célebre que a própria obra para a qual servia de intermezzo.

A ópera La Serva Padrona tem sua estrutura calcada nas formas barrocas já estabelecidas, como as árias da capo (que têm duas seções contrastantes, retornando em seguida ao início) e os recitativos a secco (onde apenas o cravo harmoniza a declamação textual). No entanto, podemos ouvir nesta ópera o estilo galante que prenuncia o Classicismo, e que muito agradou o público francês na metade do século XVIII. É curioso observar que o próprio Bach teve contato com a música de Pergolesi, e que chegou a transcrever o famoso Stabat Mater, nomeando-o como Tilge, Höchster, meine Sünden (BWV 1083).

La Serva Padrona (traduzido por A Criada Patroa) consiste em dois atos, e conta com três personagens: Uberto (baixo), Serpina (soprano) e Vespone (personagem mudo). O enredo se desenrola da paixão que Serpina esconde pelo seu patrão Uberto, um solteirão rico. Prepotente, Serpina aproveita-se da bondade de Uberto e, na ária Stizzoso, mio stizzoso, dá a entender que quem manda na casa é ela. Ele, por sua vez, pretende dar-lhe uma lição: anuncia que quer casar, e contará com Vespone (cúmplice de Serpina) para encontrar sua esposa. Para causar ciúmes a Uberto, Serpina finge se apaixonar pelo capitão Tempesta que, na verdade, é Vespone disfarçado. O capitão Tempesta pede a Uberto um dote de 4000 escudos. Para não pagá-lo, Uberto casa-se com Serpina, e o amor secreto que existia entre os dois se revela num alegre dueto no qual as batidas de ambos os corações são representadas musicalmente. Nesse momento a criada torna-se, finalmente, patroa.

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