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sexta-feira, janeiro 28, 2022

Conheça Felipe Botelho, estudante que criou o Desterro Hoje, uma história de amor a Floripa

Conheça Felipe Botelho, estudante que criou o Desterro Hoje, uma história de amor a Floripa

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Assim como Guimarães Rosa, é o seu Osvaldi Gonçalves. Inventor de palavras novas e construtor de novos sonhos. Seu nome não é famoso por suas escritas, mas sim pelas suas histórias. Famoso ao menos para Felipe Botelho, seu neto e grande fã.

A admiração é tanta que Felipe, inspirado nas histórias de seu Osvaldi, criou o Portal “Desterro Hoje”. Com criatividade e muito trabalho, o objetivo do site é resgatar parte da história de Florianópolis por meio da sobreposição de fotos antigas com fotos atuais. Para isso, semanalmente Felipe seleciona em média duas ou três fotos da Capital no século XX e busca tirar outra exatamente no mesmo local. As comparações podem ser feitas através do que ele chamou de SlideShow, onde as imagens são sobrepostas e o usuário realiza a transição.

Mesmo com as mudanças do tempo e sem as imagens de alguns locais, Botelho diz que consegue imaginar como era a cidade na época só ouvindo as histórias do seu avô. “Ele conta as histórias com tanto detalhe que eu consigo imaginar tudo direitinho. Mas, escutando as histórias dele, tenho apenas uma visão dos fatos. Por isso, resolvi fazer o Desterro Hoje. É um espaço para que outras pessoas, assim como o meu avô, possam registrar o que sabem sobre a cidade”, esclarece.

E é no compartilhamento e na interação que estão a essência do seu trabalho. Qualquer cidadão que possui fotos antigas da cidade pode enviá-las ao portal. E todas elas são devidamente creditadas. Apesar da possibilidade de colaboração, boa parte das fotos é de seu avô e também de Edson Silva, o “Velho Bruxo”, funcionário da UFSC que tem um acervo online de fotos batidas por ele ao longo dos anos.

Na semana em que “Desterro Hoje” comemora três meses, os números conquistados até agora são muito promissores. São cerca de 9 mil acessos, sendo que a média é de 200 acessos por dia, 110 fotos baixadas e 944 fãs no Facebook, sua maior fonte de acesso ao portal. “Hoje o Facebook representa 90% do acesso diário ao site. No começo postava apenas o link para o site. Porém, com o tempo percebi que a foto dava mais interação do que compartilhar os links. Então passei a postar as fotos antigas no Facebook antes de fazer a sobreposição. O mais legal é que as pessoas tentam adivinhar o local e muitas acertam por mínimos detalhes, como, por exemplo, o formato de uma pedra”, diz.

Para manter o portal no ar, Felipe acumula múltiplas funções: programador, webdesigner, fotógrafo, gerenciador de conteúdo e publicitário. Sozinho, fez todo o layout e a programação do site nos dois meses anteriores ao seu lançamento. Hoje, ele ainda usa os fins de semana para bater as fotos e a hora do almoço do seu trabalho no Centro para gerenciar a rede social – isso sem falar na veia publicitária ao batizar a transição das fotos de SlideShow.

Conseguir manter a atualização e a interação do site não é tarefa fácil. E, para ter sucesso em tudo isso, ele também conta com o apoio de sua família. Mãe, pai, namorada, todos estão envolvidos. “Esses dias minha mãe até fez um comentário em uma foto no Facebook dizendo que era a Praia da Daniela, mesmo sabendo que era a do Bom Abrigo. Ela queria instigar o pessoal a adivinhar o nome da praia. Meu pai também sempre está comentando nas fotos, contando o que sabe sobre a história da nossa cidade”, conta.

Além da ajuda virtual, algumas vezes a família também acompanha Felipe nos fins de semana, quando vai capturar as fotos. Mas nem sempre é só curtição. “Fui tirar uma foto na cabeceira da ponte, no lado continental, e a grama tinha acabado de ser colocada. Fomos eu, minha mãe e minha namorada. Na volta, eu desci primeiro e acabei escorregando. Mas essa não foi a pior parte. E depois para tirar a mãe de lá?”, relembra Felipe gargalhando. Segundo ele, essa foi uma das situações mais engraçada e ao mesmo tempo perigosa pela qual passou ao tirar as fotos atuais. Mas as fotos mais difíceis são as que ele mais tem vontade de tirar.

Apesar de diferentes fontes, datas e histórias, todas as fotos têm um quesito em comum: o reflexo de uma sociedade sem tanto conforto, mas que era unida e ligada a natureza. “Meu avô conta que com seis anos já andava sozinho na rua sem nenhuma preocupação. A diversão dele era subir o Morro da Cruz e jogar pedra lá de cima só para vê-la caindo. Já adulto, adorava ir para o Centro jogar uma sinuquinha. Os bares também carregavam a história, o folclore e a identidade de Florianópolis. Hoje os bares e restaurantes abrem e fecham logo em seguida. Nossa cidade passou a ser comum, mais parecidas com outras de médio porte”, reflete.

Mesmo nascendo nessa “nova” Florianópolis, Felipe respira o ar dos anos 80. Entre histórias engraçadas, saudosistas e muita dedicação, Felipe Botelho, de 23 anos, estudante da 8ª fase de Sistemas de Informação na UFSC, colabora para resgatar não só a história da cidade, mas também o amor de todo manezinho pelo local onde vive. “Desterro Hoje” não é só história de uma cidade, é também uma história de amor. Amor ao pedacinho de terra perdido no mar e suas belezas sem par. Amor ao antigo Desterro e a Florianópolis de hoje.

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