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sexta-feira, setembro 24, 2021
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Delegado Renato Hendges: atentados são crime organizado; culpa é do sistema prisional

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Delegado Renato Hendges: atentados são crime organizado; culpa é do sistema prisional

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O delegado Renato Hendges, da Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic), afirmou na manhã desta quarta-feira, 14, em entrevista á rádio CBN/Diário, que os atentados que vêm acontecendo na Grande Florianópolis, Blumenau e Criciúma não é baderna, mas crime organizado, e que o que gerou essa situação foi o sistema prisional, que é superlotado e trata seres humanos “como bichos”.

Hendges utilizou a declaração do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, para quem, no Brasil, é melhor morrer do que ir para a cadeia, para explicar seu ponto de vista: “O próprio ministro responde de quem é a culpa. A culpa é do sistema prisional. Os presos são tratados como bichos, onde devia ter um tem cinco, às vezes 12 ou 15, as pessoas precisam se revesar até para dormir. Isso cria organização dentro do presídio e isso afeta a rua, com ataques ao poder público, ao Estado. Não às pessoas. Os ataques são dirigidos ao sistema, à polícia, ao Estado”.

O delegado afirmou ainda que, ao contrário do que algumas autoridades estão sugerindo, os atentados não são casos isolados de exibicionismo. “Não adianta atribuir os casos à baderna. Pode ser que um ou outro seja, mas o que está acontecendo é crime, é organizado e já estava previsto, como ficamos sabemos”.

Questionado se o Estado deveria pedir reforço da Força Nacional de Segurança Pública, Hendges disse que não. “A solução tem de ser aqui, com Secretaria de Justiça e Cidadania, de Segurança Pública, Polícia Militar e Polícia Civil fazendo, cada uma, a sua parte. Não é o caso da Força de Segurança Nacional não.”

Sobre os fatos registrados no complexo penitenciário de São Pedro de Alcântara, o delegado afirmou que a organização pode ter começado lá. “Nasceu em São Pedro, com os maus tratos. Consta que lá não funciona o celular, mas então o que os presos estão fazendo com celular em cela? E lá é um presídio de segurança máxima. Está faltando ao Estado um controle da situação.”

Para finalizar, Hendges disse: “É hora de tomar iniciativa e parar de fazer de conta. Não é culpa do atual governo ou do anterior, são todos. Sabemos da intenção da secretaria Ada de Luca, que tem feito todos os esforços, mas não há milagre, porque falta dinheiro e faltam condições: quando o sistema consegue abrir 100 vagas no sistema penitenciários, já são 300 que precisa enjaular”.

“Imitação”

Nesta terça-feira, 13, na coletiva de imprensa da Secretaria de Segurança Pública sobre os atentados, o Comandante Geral da Polícia Militar, Coronel Nazareno Marcineiro, não descartou uma possível tentativa de atuação coordenada por parte de alguma facção criminosa ou que estes casos possam ter advindo de um processo de imitação, um fenômeno social suscitado inclusive pela onda de criminalidade midiatizada de outros Estados.

“O criminoso acaba por imitar ações que acontecem em outros Estados por entender que o crime compensa e, de alguma forma, conversa com seus comparsas, na tentativa de se articularem. Mas ainda não há provas contundentes de que organizações criminosas estejam liderando estas ocorrências”, disse Marcineiro.

Foto:www.adepolsc.org.br

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