Há um ano, uma escola de Sombrio, no Sul de Santa Catarina, usa o jogo Minecraft como ferramenta de aprendizagem, unindo tecnologia, criatividade e inclusão para alunos com deficiência. O projeto Educar em Blocos, idealizado pelos professores Lucimara Ferraz Santos e João Paulo Santos da Silva, foi homenageado em agosto pelo Instituto Guga Kuerten na edição 2026 do Prêmio IGK.
Como funciona o Educar em Blocos?
O Educar em Blocos nasceu em 2025 no Atendimento Educacional Especializado (AEE) da Escola de Ensino Básico Normélio Cunha e também contempla estudantes do Atendimento Educacional Especializado para Deficientes Visuais (AEEDV) da Escola de Ensino Fundamental Prof. Mota Pires, em Sombrio. Construindo juntos no Minecraft, os alunos exercitam criatividade, gestão de tempo, memória e comunicação interpessoal.
O Minecraft é um jogo para celulares e computadores cujo design é composto por blocos tridimensionais. Os usuários podem jogar nos modos sobrevivência e criativo, erguendo estruturas com os blocos, e se conectar com outros jogadores no modo multiplayer.

Como o projeto começou?
Psicopedagoga e professora do AEE da Normélio Cunha, Lucimara Ferraz já usava jogos de computador nos atendimentos para estimular habilidades como memória e atenção. Seu marido, João Paulo Santos, havia usado o Minecraft de forma semelhante em 2015, na Escola Alcides de Souza Pereira, onde os alunos construíram suas casas e pontos da cidade dentro do jogo. Quando Lucimara contou essa história aos alunos, a empolgação foi imediata.
“Nós temos que fazer também!”, diziam as crianças. “A gente tem que construir a escola!”. Lucimara lembra que chegou em casa naquele dia e disse ao marido: “João, agora não tem como voltar atrás”.
Sob a coordenação dela, os próprios alunos do AEE organizaram o funcionamento do projeto. Um cartaz foi colado no meio do corredor da escola, ponto escolhido pelas crianças para alcançar o maior número de colegas, com a pergunta “O que é o Minecraft para você?” e as informações de inscrição. Vinte e quatro horas depois, o cartaz foi retirado e a equipe analisou as respostas. O critério de seleção? O grau de paixão. “Tem que ser emocionante, professora”, diziam. Assim, outros alunos da escola se juntaram aos cinco membros iniciais do AEE.
No começo, João Paulo pretendia apenas ajudar com a parte tecnológica, já que não via como incluir as crianças com deficiência visual com quem trabalha no AEEDV. Logo percebeu, porém, que algumas alunas já consumiam conteúdos sobre Minecraft em plataformas como o YouTube e que, com o auxílio certo, poderiam se aventurar no jogo, ainda que as ferramentas de acessibilidade dele sejam limitadas. Assim, o projeto foi integrado ao AEEDV.
Qual é o impacto do Educar em Blocos nos alunos?
Com o tempo, os integrantes do Educar em Blocos viraram uma comunidade, com as próprias famílias se movimentando para ajudar umas às outras. Para alguns alunos, o projeto também se tornou um lugar seguro, e crianças que tinham dificuldade de socialização se tornaram verdadeiras “tagarelas”, conta Lucimara. Um dos estudantes chegou a declarar: “Eu não vejo mais minha vida sem o Educar em Blocos”.
“Isso é gigantesco”, afirma a professora, que se emocionou na entrega do Prêmio IGK, que reconheceu histórias de inclusão em Santa Catarina. “Os alunos sabem que eu sou manteiga derretida, mas é porque na hora a mente passa tanta coisa…”, reflete. “Um aluno autista ou com deficiência pode aprender como qualquer outro. Só que a gente precisa olhar verdadeiramente para esse aluno e entender como ele pode aprender. Eu aprendo de um jeito, você aprende de outro, ele aprende de outro.”
A educação especial é uma bandeira que o casal carrega na vida. “A gente sempre insiste para os colegas que é possível trabalhar com educação especial”, diz João. Lucimara completa: “É mais difícil. Mas é possível.”
Qual foi o desafio lançado por Guga Kuerten?
Durante a premiação, Guga Kuerten lançou o próximo desafio do Educar em Blocos: construir a cidade de Sombrio inteira no Minecraft, missão em que os alunos já estão empenhados. Enquanto isso, um dos estudantes teve a ideia de homenagear o tenista com uma quadra de tênis na escola virtual, mesmo que a escola real não tenha uma. No mundo do Educar em Blocos, o céu é o limite.

Em resumo
- O projeto Educar em Blocos usa o Minecraft como ferramenta de aprendizagem para alunos com deficiência em Sombrio (SC).
- A iniciativa nasceu em 2025 no AEE da Escola de Ensino Básico Normélio Cunha e inclui alunos do AEEDV da Escola Prof. Mota Pires.
- Os idealizadores são os professores Lucimara Ferraz Santos e João Paulo Santos da Silva.
- O projeto foi homenageado em agosto no Prêmio IGK 2026, do Instituto Guga Kuerten.
- O próximo desafio, lançado por Guga, é construir Sombrio inteira no Minecraft.
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Texto enviado pela assessoria Estrutura de Comunicação. Fotos: Fernando Willadino e acervo pessoal



