Evento “VIA da Ciência” reuniu pesquisadores e empreendedores que transformaram conhecimento acadêmico em inovação com impacto real na sociedade.
A manhã desta sexta-feira, 26, trouxe à UFSC um encontro que demonstra, na prática, o que acontece quando a pesquisa científica ultrapassa os muros da universidade. A roda de conversa “VIA da Ciência — Do conhecimento científico à inovação”, promovida pelo Grupo VIA Estação Conhecimento do Programa de Pós-Graduação em Engenharia, Gestão e Mídia do Conhecimento (PPGEGC), reuniu estudantes e egressos da instituição em um bate-papo aberto sobre empreendedorismo, desafios de carreira e as oportunidades que nascem do saber construído na academia.
O encontro aconteceu das 8h30 às 10h no LED I, atrás do Centro de Cultura e Eventos da UFSC, como parte da disciplina “A VIA da Ciência – Conhecimento → Inovação”, que propõe a mestrandos e doutorandos uma jornada prática para transformar teses e dissertações em soluções aplicáveis à sociedade. A proposta não era uma palestra formal, mas um momento leve de troca entre quem já percorreu o caminho da inovação e quem está dando os primeiros passos nessa direção.
Quatro trajetórias, um ponto de partida: a UFSC
Os painelistas convidados representam áreas distintas do conhecimento, mas compartilham uma origem comum na universidade e a convicção de que a ciência pode — e deve — gerar transformação concreta.
Profa. Raquel Kuerten de Salles é professora do Departamento de Nutrição da UFSC desde 1993, com atuação na área de Nutrição Clínica. Graduada em Nutrição pela UFSC (1984), mestre em Ciências dos Alimentos (1992) e doutora em Engenharia de Produção com ênfase em Ergonomia (2003), também pela UFSC, realizou Doutorado Sanduíche na Assistance Publique Hôpitaux de Paris (AP-HP), na França, com bolsa do CNPq. Sua trajetória acadêmica inclui a criação da Residência Integrada Multiprofissional em Saúde (RIMS) do Hospital Universitário da UFSC em 2010, onde atuou como professora e tutora até 2019, além de ter exercido a chefia do Departamento de Nutrição por duas gestões e a direção de Apoio Assistencial e Diagnóstico Complementar do HU/UFSC em dois mandatos (2004–2008 e 2014–2016). Raquel é co-inventora da tecnologia de um sorvete funcional licenciado para a Ypy Sorvetes — um complemento alimentar desenvolvido para minimizar os efeitos da quimioterapia em pacientes oncológicos, exemplo emblemático de como a pesquisa universitária pode chegar diretamente à vida das pessoas.
Fabiana Noronha Dornelles é co-fundadora e CEO da TechPain, uma startup deep tech dedicada a revolucionar o cuidado da dor crônica. Farmacêutica bioquímica de formação, Fabiana é mestre em Biologia Celular e Molecular pela PUCRS e doutora em Farmacologia pela UFSC, com foco em Dor e Inflamação e experiência internacional na Dinamarca. À frente da TechPain, lidera uma equipe multidisciplinar que desenvolve tecnologias inovadoras para o monitoramento e tratamento da dor crônica, combinando nanotecnologia, dispositivos médicos inteligentes e análise avançada de dados. Sua trajetória empreendedora é marcada por reconhecimentos como os prêmios Mulheres na Ciência e Inovação (British Council) e Women on The Road (BRDE), além de contar com o apoio de instituições como FAPESC, FINEP, Sebrae e CNPq, e parcerias estratégicas com a UFSC e a UFV.
Eduardo Souza Silva é co-fundador e CTO da TechPain. Profissional de Educação Física, mestre e doutor em Farmacologia pela UFSC, Eduardo realizou pós-doutorado em Ciências da Saúde e Tecnologia pelo Center for Neuroplasticity and Pain na Universidade de Aalborg, na Dinamarca. Atualmente realiza pós-doutorado em Neurociências e atua como professor colaborador do Programa de Mestrado Profissional em Farmacologia da UFSC. Na TechPain, é responsável pelo desenvolvimento de soluções que combinam dispositivos médicos, tecnologias digitais e análise de dados para melhorar o cuidado de pessoas que convivem com a dor crônica.
Eduardo Diener Gentil, o Dudu Gentil, é um manezinho da Ilha que transformou sua formação em Administração pela UFSC em uma trajetória de mais de duas décadas como empreendedor digital em Florianópolis. Com MBA em Gestão Estratégica de Negócios pela FURB e MBA em Marketing pela Universidade Gama Filho, Dudu é fundador da DASHCiTY, o primeiro Laboratório de Consciência Territorial do mundo, onde une pesquisa científica e inteligência artificial para transformar dados em decisões. Fundou também a NacionalVox (2005) e o portal De Olho na Ilha (2007), cofundou a LeadSquad (2023) e é autor de “A IA e Eu” — livro que deu origem ao movimento Os Novos Pensadores, uma reflexão sobre como usar a inteligência artificial para pensar melhor, e não menos.
Ciência que vira negócio, pesquisa que vira impacto
A diversidade dos painelistas evidencia que não existe um único caminho para o empreendedorismo científico. Há quem tenha licenciado uma tecnologia para a indústria, como a Profa. Raquel; quem tenha fundado uma startup deep tech a partir do doutorado, como Fabiana e Eduardo Souza; e quem tenha construído negócios digitais conectando dados, mídia e inteligência artificial ao território, como Dudu Gentil.
O que une essas trajetórias é a base de conhecimento construída na universidade e a coragem de aplicá-la para resolver problemas reais. É exatamente essa mensagem que a disciplina “A VIA da Ciência” busca transmitir aos seus alunos: a pesquisa acadêmica possui potencial para gerar transformações concretas quando conectada às necessidades da sociedade, aos ecossistemas de inovação e às possibilidades de aplicação.
A disciplina, ministrada pela Profa. Clarissa Stefani com tutoria de Juliana Corrêa, faz parte das ações do Grupo VIA Estação Conhecimento, que há mais de uma década atua como referência nacional em pesquisas sobre habitats de inovação e empreendedorismo, promovendo a transferência de conhecimento entre academia, mercado e sociedade.


