Gestores de cidades brasileiras se reúnem na capital catarinense para conhecer boas práticas na gestão de resíduos orgânicos.

Em setembro de 2024, primeiro Tour de Compostagem com Catadoras/es de Materiais Recicláveis organizado pelo Instituto Pólis em Florianópolis (SC).
Crédito: Manna Tavarazza
Florianópolis, junho de 2025 – Entre 30 de junho e 4 de julho, a cidade de Florianópolis será palco do Tour de Compostagem com Cidades, uma iniciativa liderada pelo Instituto Pólis em parceria com o Global Methane Hub (GMH) e o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). O evento reunirá mais de 15 representantes de municípios de todas as regiões do Brasil, além de órgãos federais e instituições financeiras, com o objetivo de fortalecer a gestão de resíduos orgânicos no país.
Durante os três dias de programação, os participantes farão visitas técnicas a equipamentos e iniciativas de compostagem em funcionamento na Grande Florianópolis, conhecendo de perto sistemas descentralizados de gestão de resíduos orgânicos, ações de educação ambiental e estratégias de coleta seletiva com participação comunitária.
A agenda inclui ainda momentos de troca entre os municípios, oficinas práticas e uma dinâmica coletiva voltada à construção de uma Estratégia Municipal Piloto de Valorização de Resíduos Orgânicos. O objetivo é que os gestores saiam do evento não apenas inspirados pelas boas práticas locais, mas também com propostas viáveis para implementar em seus próprios territórios.
O Tour de Compostagem com Cidades contará com a presença de representantes de municípios das cinco regiões do Brasil. Estão confirmadas as participações de gestores de Chapada dos Guimarães (MT), Brasília (DF), Salvaterra e Ananindeua (PA), Bertioga (SP), Venâncio Aires (RS), Arapiraca (AL), Caetité (BA), Contagem (MG), Alto Paraíso de Goiás (GO), Curitiba (PR), Sobral (CE), Rio de Janeiro (RJ), Marechal Cândido Rondon (PR), Belém (PA), Guarapuava (PR) e Paulínia (SP), além do Consórcio Sertão de Inhamuns (CE), que reúne os municípios de Aiuaba, Arneiroz, Parambu, Quiterianópolis e Tauá.
Também participam representantes de órgãos federais e instituições parceiras, como o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS), Ministério das Cidades, Secretaria de Planejamento e Investimentos Estratégicos (SPPI), FUNASA de Santa Catarina, SEBRAE, Caixa Econômica Federal, CEPAGRO, entre outras.
“O tour será uma oportunidade estratégica para que os gestores municipais elaborem estratégias piloto de valorização de resíduos orgânicos que possam ser aplicadas em suas cidades, promovendo ações práticas e duradouras a partir das experiências vivenciadas em campo”, afirma Victor Argentino, coordenador de projetos da equipe de resíduos sólidos do Instituto Pólis.
Compostagem: prática fundamental
A atividade faz parte da plataforma Brasil Composta Cultiva: Fortalecendo a Gestão de Resíduos Orgânicos, que visa à redução das emissões de metano, gás de efeito estufa 28 vezes mais potente que o CO₂, no setor de resíduos sólidos urbanos. No Brasil, esse setor é responsável por 16% das emissões nacionais de metano, atrás apenas da agropecuária no ranking de emissores.
A escolha de Florianópolis para sediar o evento não é por acaso: com um índice de recuperação de resíduos orgânicos de 13%, a capital catarinense é considerada exemplo nacional na área e surge como cenário para a apresentação de modelos replicáveis e inovadores de compostagem e coleta seletiva. Ao longo da programação, os participantes conhecerão práticas que envolvem diferentes atores sociais e promovem a valorização dos resíduos como insumo para a economia circular e o combate à crise climática.
No Brasil, quase metade dos resíduos sólidos urbanos é composta por matéria orgânica, o que faz da compostagem uma solução urgente e viável. Segundo pesquisa global encomendada pelo Global Methane Hub (GMH), o Brasil lidera mundialmente o apoio à ação contra o metano, com 90% da população defendendo medidas obrigatórias de separação de resíduos — incluindo os orgânicos — e a redução do envio desses resíduos para aterros sanitários.
Vale ressaltar que a compostagem, além de ambientalmente eficiente, é uma tecnologia social, reconhecida como tal pelo programa Pró-Catador (Decreto Nº 11.414/2023).
“O crescimento da compostagem no Brasil é expressivo, mas ainda recebe pouco apoio se comparado aos aterros sanitários. Apenas entre 2022 e 2023, o número de unidades de compostagem no país cresceu 55%, passando de 76 para 118. Este é um caminho com enorme potencial de geração de empregos — de cinco a dez vezes mais postos por tonelada tratada do que o aterro — e de combate às mudanças climáticas,” afirma Argentino.
Brasil Composta Cultiva leva compostagem aos municípios
O Instituto Pólis, por meio da iniciativa Brasil Composta Cultiva, tem promovido uma série de ações voltadas à gestão dos resíduos orgânicos nos municípios brasileiros. O projeto visa reduzir o envio de resíduos orgânicos urbanos para aterros e lixões, ampliar sua reciclagem, mitigar emissões de metano e gases de efeito estufa, e fortalecer iniciativas de compostagem municipal em larga escala.
Sobre o Instituto Pólis | Organização da sociedade civil (OSC) de atuação nacional, constituída como associação civil sem fins lucrativos, apartidária e pluralista. Desde sua fundação, em 1987, o Pólis tem a cidade como lócus de sua atuação. A defesa do Direito à Cidade está presente em suas ações de articulação política, advocacy, formação, pesquisas, trabalhos de assessoria ou de avaliação de políticas públicas, sempre atuando junto à sociedade civil visando o desenvolvimento local na construção de cidades mais justas, ambientalmente equilibradas sustentáveis e democráticas. São mais de 30 anos de atuação com equipes multidisciplinares de pesquisadores que também participam ativamente do debate público em torno de questões sociais urbanas. Aproxime-se https://polis.org.br/






