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domingo, janeiro 16, 2022
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Fundação Cultural Badesc lança projeto DocBrasil

Fundação Cultural Badesc lança projeto DocBrasil

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O homenageado do mês é o cineasta Leon Hirszman

A Fundação Cultural Badesc realiza em 2010 um novo projeto de cinema com documentários brasileiros. Denominado DocBrasil e com sessões mensais, a estreia ocorre na quinta-feira (11) com Deixa que eu falo, de Eduardo Escorel, sobre a vida e obra de Leon Hirszman, e na sexta (12), com a exibição de quatro filmes de Leon.

Considerado um dos principais expoentes do Cinema Novo e diretor de filmes ficcionais consagrados como São Bernardo e Eles não usam black-tie, Leon Hirszman foi também um produtivo realizador de documentários. A seleção dos filmes foi feita pelo cineasta José Rafael Mamigonian, formado em cinema pela ECA/USP e curador do projeto DocBrasil.

Deixa que eu falo, dirigido por Eduardo Escorel, refaz a trajetória de Leon Hirszman e de sua época por meio de uma cuidadosa montagem de materiais de arquivo. Amigo íntimo e montador de vários filmes de Leon, Escorel realizou o documentário em 2007 como uma homenagem póstuma ao diretor morto vinte anos antes, em 1987.

Na sexta feira serão exibidos os curtas Maioria Absoluta, Nelson Cavaquinho e Cantos de Trabalho no Campo: Cana de Açúcar e o longa ABC da Greve, rodado em 1979, no ABC Paulista. O filme registra a luta de 150 mil metalúrgicos por melhores salários e condições de trabalho, tendo à frente do sindicato à época Luis Inácio Lula da Silva. Após as sessões, haverá um debate mediado por José Rafael.

Leon Hirszman desenvolveu suas atividades cinematográficas junto a uma vigorosa e consistente militância política. Para o cineasta Nelson Pereira dos Santos, o diretor foi “o maior articulador que o cinema brasileiro já teve” e um “exemplo de convivência universal”, características muito especiais desse artista que sempre se mostrou preocupado em pensar a cultura brasileira.

Dia 11, quinta, às 19h

Deixa que eu falo (Eduardo Escorel, 2007, 83min)
Eduardo Escorel, companheiro e colaborador artístico de Leon Hirszman em vários filmes, refaz a trajetória do amigo cineasta e de sua época por meio de uma cuidadosa montagem de materiais de arquivo. Traçando uma síntese das esperanças e frustrações de toda uma geração, o filme destaca a rara virtude em Leon de combinar rigor político, capacidade de aglutinação e paixão pelo potencial transformador da arte.

Dia 12, sexta, às 19h

Maioria Absoluta (Leon Hirszman, 1964, 20min)
Filmado em som direto, o documentário retrata o cotidiano dos trabalhadores rurais analfabetos do Nordeste, que vivem na extrema miséria. Incapazes de escrever, são – no entanto – conscientes de sua condição e perfeitamente habilitados a propor as soluções que esperam para os seus problemas.

Nelson Cavaquinho (Leon Hirszman, 1969, 13min)
Um registro belo e pungente do sambista em seu ambiente, conversando e tocando com amigos e vizinhos, em casa, no bar, no terreiro. Cenas da vida no subúrbio mesclam-se às memórias e improvisos, compondo um sensível panorama, ao mesmo tempo melancólico e alegre, do compositor e do seu povo à margem da sociedade.

Cantos de Trabalho no Campo: Cana de Açúcar (Leon Hirszman, 1976, 10min)
Entre 1974 e 1976, seguindo os passos de Mário de Andrade e Humberto Mauro, Leon realizou três documentários produzidos pelo MEC sobre os cantos entoados pelos trabalhadores rurais nordestinos. Neste trabalho, documenta as cantorias dos trabalhadores da cultura da cana-de-açúcar na região de Feira de Santana, Bahia.

ABC da Greve (1979, 75min)
Documentário de longa-metragem sobre a primeira greve brasileira fora da fábrica. Cobrindo os acontecimentos na região do ABC paulista, em 1979, o filme acompanha a trajetória do movimento de 150 mil metalúrgicos em luta por melhores salários e condições de vida. Sem obter suas reivindicações, decidem pela greve, afrontando o governo militar, que responde com uma intervenção no sindicato da categoria. Mobilizando numeroso contingente policial, o governo inicia uma grande operação de repressão. Sem espaço para realizar suas assembléias, os trabalhadores são acolhidos pela Igreja. Passados 45 dias, patrões e empregados chegam a um acordo. Mas o movimento sindical nunca mais foi o mesmo.

O QUÊ: Ciclo Leon Hirszman, com curadoria e mediação de José Rafael Mamigonian.

QUANDO: quinta e sexta-feira, dias 11 e 12 de março, às 19 horas.

ONDE: Fundação Cultural Badesc. Rua Visconde de Ouro Preto, 216, Centro, Florianópolis, fone (48) 3224-8846.

QUANTO: Entrada franca.

CONTATO:
Curadoria e mediação
José Rafael Mamigonian
(48) 3222-7238, 9914-1979


Filmografia de Leon Hirszman

Imagens do inconsciente (1983-86) – roteiro (baseado em texto de Nise da Silveira) e direção. Trilogia composta por: Em busca do espaço Cotidiano, No Reino das Mães e A Barca do Sol.
Eles não usam black-tie (1981) – roteiro junto com Gianfrancesco Guarnieri e direção
ABC da greve (1979-90) – roteiro e direção
Que país é este? (1977) – roteiro com Zuenir Ventura e direção
Rio, carnaval da vida (1977) – roteiro junto com Sérgio Cabral e direção
Partido alto – (1976-82) roteiro e direção
Cantos do trabalho: Cacau (1976) – direção
Cantos do trabalho: Cana-de-açúcar (1976) – direção
Cantos do trabalho: Mutirão (1975) – direção
Cinema brasileiro: mercado ocupado (1975-95) – roteiro e direção
Megalópolis (1972) – direção
Ecologia (1972) – direção
São Bernardo (1972) – roteiro e direção
Garota de Ipanema (1967) – roteiro com Eduardo Coutinho e direção
A Falecida (1965) – roteiro com Eduardo Coutinho e direção
Sexta-feira da Paixão, Sábado de aleluia (1964) – direção
Nelson Cavaquinho (1964) – direção
Maioria absoluta (1964) – roteiro e direção
Pedreira de São Diogo (1962) – roteiro e direção

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