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segunda-feira, setembro 27, 2021
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Máquinas de camisinhas criadas em Florianópolis vão para escolas de todo o país

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Máquinas de camisinhas criadas em Florianópolis vão para escolas de todo o país

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Alunos do ensino médio poderão acessar os preservativos com o número da matrícula

O Ministério da Saúde escolheu a máquina de preservativos criada pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Santa Catarina (IF-SC), em Florianópolis, para distribuir pelo país. Um projeto de João Pessoa (PA) também será aproveitado.

A intenção do Ministério é instalar o equipamento em 40 escolas brasileiras. Florianópolis será uma delas. Os nomes das outras cidades e a data da instalação não foram definidos.

Neste mês, a equipe do IF-SC terminou a construção do aparelho. O próximo passo é encaminhá-lo para Brasília, onde será produzido.

De acordo com Ellen Vita, assistente técnica da Unidade de Prevenção do Departamento de DST e Aids do Ministério da Saúde, antes de lançar o desafio entre 36 institutos federais de educação, o governo tentou importar uma máquina de Miami, nos Estados Unidos. Mas o equipamento não atendeu às necessidades: capacidade para 500 preservativos, programação para o aluno usar a máquina digitando matrícula e senha, limite de 20 camisinhas por mês para cada estudante e ser feita de material resistente.

— A máquina proposta por Florianópolis respeita todas as diretrizes que pedimos. Agora será produzida em escala comercial, com o preço definido pela empresa que ganhar a licitação — diz Ellen.

Ela não falou sobre valores, nem quantos alunos serão atendidos com a ação. Disse apenas que, para ajudar no desenvolvimento do aparelho criado pelo IF-SC e pelo instituto da Paraíba, o governo federal investiu cerca de R$ 180 mil — R$ 90 mil para cada unidade.

Para desenvolver o aparelho, três alunos de Mecatrônica contaram com a ajuda de dois professores do mesmo curso e um aluno de Design de Produto. Eles usaram material que não quebra para montar o protótipo do aparelho, que pesa 20 quilos.

O coordenador do curso de Mecatrônica, Valdir Noll, informou que a equipe tentou projetar uma máquina de acesso fácil para os estudantes e para o responsável da escola que terá uma chave para abrir e fechar a máquina.

O aluno precisa estar matriculado no ensino médio para ter acesso ao preservativo. Ele digita o número de matrícula e a senha no visor da máquina. Por mês, cada estudante tem direito a 20 unidades. Na máquina cabem 500 camisinhas. Quando está no fim, o sistema emite um alerta para o responsável adicionar mais.

Secretaria defende debates

A Secretaria de Estado da Educação avalia que é preciso um debate com os pais dos alunos antes da instalação das máquinas de camisinhas.

Rosemari Koch Martins, coordenadora do setor de Prevenção nas Escolas, diz que, em vez dos colégios, os aparelhos poderiam ser instalados em centros de saúde. Seria uma possibilidade de evitar polêmica com os pais, que há dois anos, quando o projeto foi lançado, rejeitaram a ideia.

No Instituto Estadual de Educação (IEE), em Florianópolis, a maior escola pública da América Latina, a hipótese de instalação da máquina não causa estranheza. O diretor de ensino, Vandelin Santo Borguevon, admite que o tema ainda é polêmico entre pais, educadores e alunos. Mas avalia que o uso teria princípio educativo e de saúde.

Borguevon entende que, tão importante quanto se proteger de doenças sexualmente transmissíveis e gravidez indesejada, é esclarecer ao jovem as dúvidas sobre o ato sexual.

— Pretendemos falar sobre o tema dentro dos programas de sexualidade da escola. Vamos trabalhar bastante, para deixar claro que o sexo não pode ser liberado. Tudo acontece no momento certo e com o acompanhamento da família — ressalta.

Com 4,7 mil alunos, o IEE tem um conselho deliberativo formado por cinco professores, cinco funcionários, cinco alunos, cinco pais e um diretor. O presidente do conselho, Sérvio Tulio de Lacerda, acredita que a maioria dos pais e mães apoiaria a iniciativa, caso um dos equipamentos seja destinado ao colégio.

— Tudo o que pode ajudar os jovens a evitar doenças e gravidez é favorável. Acho que no começo um ou outro vai ser contra, mas depois vão perceber que é para ajudar. Precisamos pensar no coletivo, que é a maioria — garante Lacerda.

Para Georgia Benetti, especialista em Ciências Humanas da Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul), seria interessante a escola aproveitar a chegada dos preservativos para trabalhar a sexualidade com os estudantes. Ela acredita que, se o objetivo da ação é prevenção, os responsáveis pela direção precisam pensar em um local para armazenar a máquina, sem constranger o aluno.

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