Menopausa e osteoporose: SC teve 25 mil internações de idosos por fratura de fêmur em dez anos; veja como proteger os ossos

SaúdeMenopausa e osteoporose: SC teve 25 mil internações de idosos por fratura...

Olesc 2026: Florianópolis é vice-campeã em Lages, com 71 medalhas e 13 troféus

Delegação de 370 atletas de até 16 anos somou 150 pontos na 25ª Olimpíada Estudantil Catarinense, atrás apenas de Joinville.

Dia Mundial da Osteoporose: médica explica como evitar quedas e fraturas antes do primeiro acidente

Nesta terça (20), Dia Mundial da Osteoporose, a médica Elizabeth Buss Lunardelli, da DOM Senior Living, fala de diagnóstico, força muscular, equilíbrio e segurança em casa para prevenir quedas.

Veleiros da Ilha, de Florianópolis, conquista dois títulos e um vice na Copa Brasil de Vela 2026, em Ilhabela

Lara Candemil e Gael Gouvêa venceram a 29er Open, Ana Clara Carlin e Laís Passos levaram a 29er Feminino e Davi Neves foi vice na ILCA 7, a dois pontos do campeão.

Fokinho Day reúne feira de adoção de cães e Moriel Costa, do Dazaranha, neste sábado (24) em São José

Ação da Viva Corp na Avenida das Torres, no Real Parque, tem adoção de cães com a ONG Adote com o Coração, coral com Moriel Costa e workshop de truques; entrada gratuita com inscrição.

Compartilhe

Entre 2013 e 2023, o SUS registrou 25.055 internações de idosos por fratura de fêmur em Santa Catarina, e 70,8% dos pacientes eram mulheres, segundo estudo publicado em 2025 na revista Varia Scientia com dados do DATASUS. A fratura costuma ser a primeira manifestação da osteoporose, doença silenciosa que ganha velocidade na menopausa. Especialistas dos laboratórios Santa Luzia e Frischmann Aisengart, marcas da Dasa em Santa Catarina e no Paraná, explicam como proteger os ossos.

O tema tem duas datas neste mês: o Dia Mundial da Menopausa, lembrado em 18 de outubro, e o Dia Mundial da Osteoporose, em 20 de outubro. Ambas dividem o calendário com o Outubro Rosa, focado no câncer de mama, mas que também abre espaço para cuidados de prevenção de longo prazo, como a saúde óssea.

Em resumo

  • Por que a menopausa pesa: a queda do estrogênio faz o organismo reabsorver mais osso do que forma, e a perda é maior nos primeiros anos após a última menstruação.
  • Base da prevenção: alimentação com cálcio (1.000 a 1.200 mg por dia na pós-menopausa, segundo as diretrizes), vitamina D em nível adequado e exercício com carga.
  • Diagnóstico: a densitometria óssea (DXA) confirma a osteoporose; exames de sangue investigam causas da perda óssea.
  • Em SC: 25.055 internações de idosos por fratura de fêmur no SUS entre 2013 e 2023, com permanência média de 7,2 dias.
  • Datas: Dia Mundial da Menopausa (18/10) e Dia Mundial da Osteoporose (20/10).

Por que a menopausa aumenta o risco de osteoporose?

Segundo o ginecologista Jaime Kulak, do Laboratório Frischmann Aisengart, a ligação está na queda do estrogênio, hormônio que ajuda a regular a renovação dos ossos. Sem ele, o organismo passa a reabsorver mais osso do que consegue formar, e a massa óssea diminui. A perda é mais intensa nos primeiros anos depois da última menstruação, período em que a prevenção precisa se intensificar.

“A menopausa não causa a osteoporose sozinha, mas acelera um processo que já está em curso. Os primeiros anos depois da última menstruação são a fase na qual mais se perde massa óssea e é quando a prevenção precisa se intensificar”, afirma Kulak.

Um estudo publicado em junho de 2025 na revista científica Calcified Tissue International, conduzido na Universidade Deakin, na Austrália, analisou dados de 287 mulheres com menopausa recente. A perda óssea na coluna lombar e no antebraço foi maior nos primeiros cinco anos após a menopausa, e a proporção de mulheres com osteopenia e osteoporose cresceu a cada faixa de tempo desde a última menstruação. Entre as usuárias de terapia hormonal, não houve diferença entre os períodos, mas a indicação desse tratamento é uma decisão individual, tomada com o médico.

Alimentação, vitamina D e musculação

A base é a alimentação. As diretrizes costumam indicar entre 1.000 e 1.200 miligramas de cálcio por dia para mulheres na pós-menopausa, de preferência pela dieta: leite e derivados, sardinha e outros peixes consumidos com a espinha, vegetais verde-escuros como couve e brócolis, tofu e oleaginosas. O suplemento só deve entrar com orientação médica, porque o excesso também traz riscos. Proteína em quantidade adequada, menos sal, consumo moderado de álcool e abandono do cigarro completam o cuidado.

A endocrinologista Cristina Khawali, gerente médica do Laboratório Santa Luzia, marca da Dasa em Santa Catarina, explica que a vitamina D é a que permite ao organismo absorver o cálcio. A principal fonte é a exposição solar regular e moderada, nos horários e com os cuidados indicados por profissionais de saúde; peixes gordos e ovos contribuem pouco. “A deficiência é frequente, inclusive em países ensolarados como o Brasil, e só o exame de sangue mostra se os níveis estão adequados. Quando a reposição é necessária, deve ser prescrita”, diz.

Os ossos também respondem ao estímulo mecânico. Exercícios de força, como a musculação, e de impacto moderado, como caminhada, dança e subida de escadas, ajudam a preservar a massa óssea. Treinos de equilíbrio e coordenação reduzem o risco de quedas, uma das principais causas de fratura em idosos. A prática deve ser adaptada a cada pessoa e orientada por profissional.

“Não existe atalho. Cálcio na alimentação, vitamina D em nível adequado e exercício com carga são a base. O medicamento entra quando o risco de fratura justifica, e não substitui esses hábitos”, resume Kulak.

Quais exames acompanhar?

A densitometria óssea (DXA) é o exame que confirma o diagnóstico de osteoporose. Costuma ser indicada a partir dos 65 anos ou antes, para mulheres na pós-menopausa com fatores de risco, como menopausa precoce (antes dos 40 anos) ou antecipada (entre 40 e 45), baixo peso, tabagismo, uso prolongado de corticoide e histórico de fratura de quadril em pai ou mãe. Contam aqui as fraturas por fragilidade, que acontecem com pouco impacto, como uma queda da própria altura.

O painel básico de sangue inclui cálcio, fósforo, vitamina D (25-hidroxivitamina D) e paratormônio (PTH). Conforme a avaliação clínica, entram também creatinina, fosfatase alcalina, TSH e cálcio na urina de 24 horas. Marcadores de remodelação óssea, como CTX e P1NP, mostram o ritmo em que o osso é destruído e reconstruído e servem sobretudo para acompanhar a resposta ao tratamento.

“O exame de sangue não faz o diagnóstico de osteoporose, que depende da densitometria, mas mostra se há uma causa por trás da perda óssea, como alteração de paratireoide ou de tireoide e deficiência de vitamina D”, explica Cristina Khawali.

Os números em Santa Catarina e no Paraná

Em Santa Catarina, foram 25.055 internações pelo SUS por fratura de fêmur em idosos entre 2013 e 2023: 70,8% dos pacientes eram mulheres e 47,3% tinham 80 anos ou mais. O valor médio por internação foi de R$ 3.079, com permanência média de 7,2 dias. Em Chapecó, estudo com 186 mulheres acima de 60 anos, com dados coletados em 2007, encontrou fraturas vertebrais assintomáticas em 48,9% delas; a prevalência foi 1,44 vez maior entre as sedentárias, e nenhuma participante relatou consumo diário de cálcio acima de 600 miligramas.

No Paraná, o SUS registrou 45.448 internações de idosos por fratura de fêmur no mesmo período, com 67,6% de mulheres e valor médio de R$ 3.186 por internação, o mais alto da região Sul. Os números não medem a osteoporose em si, mas a sua consequência mais grave.

“Quem tem fatores de risco deve conversar com o ginecologista ou com o médico de referência sobre o momento de fazer os exames e de montar um plano de prevenção”, orienta Cristina.

Leia também: o que muda na visão da mulher com as alterações hormonais, como a densitometria óssea ajuda a orientar exercícios e os 40 anos da Rede Feminina de Florianópolis no Outubro Rosa.

Foto: Magnific/Divulgação