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domingo, julho 3, 2022
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Mergulhadores localizam navio do século XVI em Florianópolis

Mergulhadores localizam navio do século XVI em Florianópolis

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Projeto Resgate Barra Sul encontra peças de um galeão do século XVI

Depois de quatro anos pesquisando em livros e vasculhando as águas que circundam a cidade de Florianópolis, na Ilha de Santa Catarina, mergulhadores do Projeto Resgate Barra Sul localizaram, numa área próxima à Praia dos Naufragados, duas âncoras, um canhão, muitas pedras de lastro e cacos de cerâmica, que possivelmente pertencem a um navio do século XVI.

Esses objetos foram localizados na mesma região em que, em 2005, o mergulhador Gabriel Corrêa encontrou uma primeira âncora de quatro metros, que lhe chamou a atenção por ser diferente das utilizadas atualmente. Foi a partir desse achado que Gabriel Corrêa e outros mergulhadores criaram a equipe Barra Sul, responsável hoje pelo projeto.

As novas descobertas ocorreram com a intensificação das pesquisas no final do mês passado. De março a maio, o mar se torna calmo e transparente, criando as condições favoráveis para mergulho. Além disso, a equipe do Projeto Barra Sul ganhou mais um aliado: a Fapesc (Fundação de Apoio à Pesquisa Científica e Tecnológica do Estado de Santa Catarina), que entra com apoio financeiro. “Essa parceria deve trazer novos fatos às pesquisas e nosso objetivo é desvendar os segredos guardados no fundo do mar”, diz Gabriel Corrêa, acrescentando que até agora, o que se sabe, é que existem grandes indícios da presença de um galeão espanhol, possivelmente do século XVI, naufragado no local que está sendo pesquisado.

Essa região é considerada um cemitério de navios e, entre as mais importantes embarcações que provavelmente naufragaram nas imediações, estão as de dois famosos aventureiros dos livros de história: Juan Dias Solis, em 1516, e Sebastian Cabotto, em 1526. Mas muitos outros navios também encontraram ali o seu fim.

“A Ilha era um ponto estratégico de abastecimento para os navegadores que serviam aos reinos de diversos países europeus e seguiam rumo ao Rio da Prata. Quando eles adentravam a baía Sul, na Ilha de Santa Catarina, para se abastecerem de provisões, eram surpreendidos pela geografia acidentada do leito marinho e muitas vezes pegavam um inesperado vento Sul, e naufragavam”, observa o empresário e mergulhador Nei Mund Filho, da equipe Barra Sul.

Já o historiador João Carlos Mosimann, que acompanha os trabalhos, observa que até hoje, o que se sabe sobre esses navios são de relatos deixados pelos sobreviventes dos naufrágios. “Qualquer coisa localizada, qualquer pedaço de peça, pode ajudar na compreensão dos fatos”, afirma. As pesquisas estão concentradas numa área devidamente autorizada pela Marinha, que totaliza 400 quilômetros quadrados, englobando as praias de Naufragados, Ponta do Papagaio, do Sonho e Pântano do Sul.

Nesse imenso sítio arqueológico, os mergulhadores do Projeto Barra Sul localizaram nos últimos anos três possíveis naufrágios, mas os trabalhos atuais se concentram na localização de novas peças que podem pertencer ao galeão espanhol do século XVI.

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