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06.02.2020

Museu de Arte de Santa Catarina recebe exposição Narrativas em Processo – Livros de Artista na Coleção Itaú Cultural

06.02.2020
Museu de Arte de Santa Catarina recebe exposição  Narrativas em Processo – Livros de Artista na Coleção Itaú Cultural
Foto: Divulgação

Em Florianópolis, a mostra apresenta pela primeira vez o Livro de Areia, de Marilá Dardot, recém adquirido na coleção e que se junta às outras 46 obras em exposição. Elas abarcam mais de 80 anos da história da confecção deste tipo de livro por artistas brasileiros, na transição entre moderno e o contemporâneo.

Das 19h do dia 11 de fevereiro a 3 de maio, fica em cartaz no Museu de Arte de Santa Catarina (MASC) a exposição Narrativas em Processo: Livros de Artista na Coleção Itaú Cultural. Com curadoria de Felipe Scovino e projeto expográfico de Marcus Vinícius Santos, apresenta 47 das 125 obras deste acervo, em um percurso de 84 anos de história da confecção de livros de artista, em diversos formatos.

A mostra já foi apresentada em São Paulo, na sede do Itaú Cultural, em Ribeirão Preto, no Instituto Figueiredo Ferraz, em Curitiba, no Museu Oscar Niemeyer (MON), em Belo Horizonte, na Grande Galeria Alberto da Veiga Guignard do Palácio das Artes, da Fundação Clóvis Salgado, e em Recife, no Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (MAMAM). Na capital catarinense, o público terá a chance de conferir o Livro de Areia, encadernado com páginas de espelho, de Marilá Dardot, recém adquirido e nunca exposto.

Com exceção da obra do argentino Jorge Macchi, a escolha e recorte das obras e seções da exposição permanece concentrada nos artistas brasileiros da coleção de livros de artista do Itaú Cultural. Foca, ainda, na transição entre o moderno e o contemporâneo, especialmente o momento em que o formato do livro cria novas fronteiras no seu formato conceitual, expandindo o lugar da palavra para além da página.

“Acompanhando a criação de novos procedimentos para a concepção de livros de artista, a exposição constitui diversas relações para o leitor”, avalia Scovino. Uma delas, de acordo com o curador, é a da pluralidade de ações não só com a literatura e as artes visuais, como ainda com o design, a política e, em alguns momentos, com a música. “Também se verifica uma leitura que não se esgota, que se desdobra, redefinindo o papel do livro, do leitor e o do artista”, observa.

A mostra

Para Felipe Scovino, Narrativas em Processo: Livros de Artista na Coleção Itaú Cultural “não é uma exposição apenas sobre livros-objetos, como se poderia imaginar quando veem à mente a expressão ‘livro de artista’”. O curador destaca que a mostra amplia essa percepção ao envolver os atributos que cercam este tipo de obra de arte: reflete a produção de uma revista pelo próprio artista, concebendo seu conteúdo e design gráfico; a manufatura de um livro ou a intervenção propondo uma ação conceitual ou física nesse suporte, ambos em caráter de tiragem limitada; a ilustração de uma publicação ou a produção de uma obra especialmente concebida para a sua capa; e a execução de um álbum de gravura.

Em Florianópolis, a mostra se desdobra em cinco núcleos: Rasuras, Paisagens, Álbuns de Gravura, Uma escrita em Branco e Livros-objetos. Rasuras apresenta livros que, ao receber intervenção plástica, têm a sua função semântica ampliada. As obras não respeitam uma narrativa linear, a escrita não precisa ser compreendida e o que importa é a mensagem final, que tem até um certo grau de violência e gestualidade. Em Balada (1995), de Nuno Ramos, o livro espesso e de capa dura não contém palavras, mas sim uma perfuração profunda à bala, transpassando-o brutalmente do começo ao fim, servindo como o único signo de leitura. De Antonio Dias, há um livro com imagens ampliadas de pele humana, Flesh Room with Anima.

Mais uma obra representativa neste núcleo é As potências do orgânico (1994/1995), de Fernanda Gomes, Artur Barrio e Adriana Varejão. O surgimento da escrita visceral é o que marca este núcleo, testificado, ainda, por meio de três obras de Artur Barrio – Uma Extensão do Tempo (1996), Caderno Livro (1997) e O Sonho do Arqueólogo. De Antonio Dias, há um livro com imagens ampliadas de pele humana, Flesh Room with Anima.

O núcleo seguinte, Paisagens, exibe trabalhos que transportam o leitor a uma experiência sensorial por meio de efeitos de impressão. Os livros têm uma aspiração ao tátil e à textura na superfície ou nas imagens, dada a fusão de cores e formas utilizadas. Dão um panorama, nesse sentido, obras como Paisagismo, de Roberto Bethônico, que acumula camadas, e sobreposições sobre o estado transitivo da natureza. Cria, assim, uma relação fecunda entre objeto e imagem. Sandra Cinto está presente com o livro objeto Partitura, inspirado em antigos cadernos de estudos musicais e reinventados com a técnica da litografia.

Situação semelhante acontece em Memória Fotográfica, de Lucia Mindlin Loeb, onde o vazio –que também ocorre em Bethônico – incide na construção metafórica da imagem de uma câmara escura. Entre outras obras exibidas neste núcleo, também são emblemáticas Páreo (2006), de Tatiana Blass, Partitura, de Sandra Cinto, e Buenos Aires Tour (2003), de Jorge Macchi. Sandra Cinto também está presente com o livro objeto Partitura, inspirado em antigos cadernos de estudos musicais e reinventados com a técnica da litografia.

Em Álbuns de gravuras encontram-se obras de artistas plásticos que tiveram atuação determinante na passagem do moderno ao contemporâneo no Brasil. Entre elas, Gravuras Gaúchas (1952), em que o icônico Grupo de Bagé, composto por artistas como Carlos Scliar, Glauco Rodrigues e Glênio Bianchetti, defendia a popularização da arte.

Há obras emblemáticas ainda desse período assinadas por Arthur Luiz Piza e Sérvulo Esmeraldo, sendo este último importante artista cearense e um dos pioneiros da arte cinética no Brasil. Em uma de suas obras paradigmáticas, Variations sur une courbe, Esmeraldo apresenta uma poética incomum em seu trabalho. O mesmo acontece em Bernard Palissy, de Piza, cujas gravuras originais também estão em exposição.

Antonio Henrique Amaral e João Câmara, também presentes neste núcleo, exploraram, nos anos 1960, cada um a seu modo, percepções sobre o tema da identidade e, em especial, de uma linguagem popular extremamente vigorosa e crítica. Já a tônica na pesquisa de Regina Silveira é duvidar dos códigos de representação. Em Anamorfas (1980), presente na mostra, nota-se um registro significativo desse estudo que subverte os sistemas de perspectiva.

Uma escrita em branco é um núcleo contemporâneo e apresenta obras que quebram as expectativas de um conceito fechado de livro ou leitura. Eles são oferecidos ao público como matéria, densa, compacta e sensorial. Entre eles, Devaneios – Utopias, livros em pó de tijolo e resina produzidos por Brigida Baltar em 2005, e Blocado: a arte de projetar, obra de Debora Bolsoni, de 2016, composta de ferro, papel e cola.

Desde meados dos anos 1950, no Brasil, os poetas concretos vinham problematizando as noções de livro, palavra e leitor e este é o teor do núcleo Livros-objetos. Nele estão obras como Muda Luz (1970), projeto de Júlio Plaza e Augusto de Campos, e Notassons – Notações Musicais e Visuais Aleatórias (1970-1992), de Montez Magno, que demonstram a ideia de escrita expandida e desdobrada em novas poéticas e (des)continuidades.

Coleção Itaú

As peças desta exposição pertencem ao acervo do Banco Itaú, mantido e gerido pelo Itaú Cultural. Formado por recortes artísticos e culturais que abrangem da era pré-colombina à arte contemporânea, cobre a história da arte brasileira e importantes períodos da história de arte mundial. A coleção começou a ser criada na década de 1960, quando Olavo Egydio Setubal adquiriu a obra Povoado numa Planície Arborizada, do pintor holandês Frans Post – agora exposta no Espaço Olavo Setubal, que ocupa o 4º e 5º andares do Itaú Cultural, em São Paulo, na exposição permanente dos recortes Brasiliana e Numismática também pertencentes a este acervo.

Atualmente formada por mais de 135 mil itens, a coleção reúne pinturas, gravuras, esculturas, fotografias, filmes, vídeos, instalações, edições raras de obras literárias, moedas, medalhas e outras peças. As obras ficam instaladas nos prédios administrativos e nas agências no Brasil e em escritórios no exterior. Recortes curatoriais são organizados pelo Itaú Cultural em exposições no instituto e exibidas em itinerâncias com instituições parcerias pelo Brasil e no exterior, de modo a que todo o público tenha acesso a elas.

 

SERVIÇO

Narrativas em Processo – Livros de Artista na Coleção Itaú Cultural

Abertura: 11 de fevereiro, 19h

Visitação até 3 de maio de 2020

Terça a domingo: das 10h às 21h

Classificação indicativa: Livre

Entrada gratuita

 

Museu de Arte de Santa Catarina (MASC)

Av. Gov. Irineu Bornhausen, 5600 - Agronômica, Florianópolis - SC

Fones: (48)3664-2630 (administrativo), (48) 3664-2633 (agendamento de visita mediada), (48) 3664-2629 (recepção)

http://www.cultura.sc.gov.br/espacos/masc

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