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quinta-feira, setembro 23, 2021
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Museu de Florianópolis vai virar realidade

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Museu de Florianópolis vai virar realidade

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Local escolhido para abrigá-lo é o antigo prédio da Câmara de Vereadores, onde no passado também funcionou a cadeia da cidade

A história de Florianópolis vai ganhar um palco especial. O prédio histórico datado de 1780, localizado na Praça XV, está passando por um processo de restauração e já tem um destino certo: abrigar o museu da cidade. Mas quem está por trás do projeto e da obra garante que ele será diferente dos tradicionais, um museu high-tech, com o uso de tecnologia e cenografia para tornar a visita uma experiência inesquecível, mostrando a memória da cidade de uma forma moderna, com movimento.

A gerente de projetos do Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (IPUF), arquiteta Tatiani Passos, afirma que o projeto tem prazo de dois anos para ser finalizado e está orçado em cerca de R$ 18 milhões. Os recursos foram captados através da Lei Rouanet. A previsão é que o museu já esteja em funcionamento em 2012. O IPUF é responsável pela coordenação do restauro do prédio.

A primeira etapa foi a remoção de vários anexos contemporâneos que foram construídos ao longo do tempo e que, segundo Tatiani, destoam do prédio histórico original. A segunda etapa, que deve começar em breve, é a de arqueologia, que fará o diagnóstico do imóvel, buscando descobrir as suas características originais do século XVIII e que acabaram se perdendo em função de reformas, acréscimos e outras intervenções. A arquiteta explica que essas informações são fundamentais, pois servirão de orientação para a etapa seguinte, a do restauro.

À frente da arqueologia está Marcos Albuquerque, professor da Universidade de Pernambuco (UFPE) e que comanda o Laboratório de Arqueologia (www.magmaarqueologia.pro.br) da instituição. “Ele é uma das maiores referências mundiais em Arqueologia no mundo. E trará sua equipe. Vão ser cerca de oito profissionais empenhados nesse trabalho durante seis meses. Queremos que a obra seja referência em restauro”, explica Tatiani.

A etapa da restauração ficará por conta da ARQrestauro.

Espaços e temáticas

O objetivo é criar salas temáticas no térreo que relatem aspectos históricos e culturais de Florianópolis. Uma delas será a “Sala gente”, que vai contar um pouco do cotidiano das pessoas da Capital. A arquiteta Tatiani explica que a cadeia será recriada no espaço onde funcionava no passado. “A pessoa vai se sentir na cadeia da época, isso com o uso de recursos de cenografia, iluminação”, conta. O piso superior será preparado para abrigar exposições itinerantes internacionais. “Santa Catarina não conta hoje um espaço seguro para recebê-las, mas em breve terá”, afirma. Além disso, o espaço terá cafeteria e lojinhas para a comercialização de souvenirs aos visitantes.

Educação patrimonial

O projeto será utilizado como uma oficina de aprendizado. A arquiteta Tatiani explica que tanto durante a etapa de Arqueologia quanto de restauro, o imóvel receberá visitas guiadas de estudantes e profissionais da área de arquitetura, além de pessoas da comunidade.

Histórico

O prédio é mais conhecido como a antiga sede da Câmara de Vereadores, que funcionou no local até 2005, mas desde a sua construção teve outros variados usos. Foi construído para ser a Casa de Câmara e Cadeia, uma das primeiras edificações da então Vila de Nossa Senhora do Desterro, juntamente com a Igreja Matriz e a Casa do Governo, que pela triangulação na implantação repetia o padrão de ocupação português.

O prédio abrigou também: Assembléia Legislativa da Província; mercado de escravos. local para autópsias e guarda de cadáveres; Tribunal do Júri e Sala de audiências; recolhimento de doentes mentais, para posterior transferência para a fortaleza de Anhatomirim; e Tribunal de Justiça. Nos seus últimos anos de uso, abrigou a Casa do Papai Noel, do Carnaval e da Diversidade.

Inicialmente, instalou-se em cinco pequenas edificações localizadas no mesmo terreno onde posteriormente foi construído o edifício definitivo. A construção do prédio durou quase uma década, de 1771 a 1780. O material utilizado seguia o padrão utilizado nas edificações da época: pedra com argamassa de oleato de cálcio, areia e cal. Tinha as celas no térreo e subsolo e a Câmara de Vereadores no andar superior.

Após a construção sucederam-se acréscimos de usos e algumas reformas. A mais significativa aconteceu entre 1902 e 1905. Nesta reforma, houve alterações no estilo luso-brasileiro do prédio, adaptando-o para o Ecletismo, estilo vigente na época.

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