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sábado, dezembro 4, 2021
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Noite de encerramento do 17º Floripa Teatro no Teatro Pedro Ivo

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Noite de encerramento do 17º Floripa Teatro no Teatro Pedro Ivo

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Festival Isnard Azevedo termina neste domingo com homenagens e espetáculo convidado do Rio de Janeiro

A Fundação Cultural de Florianópolis Franklin Cascaes (FCFFC), às 20h00 deste domingo (19/09), no Teatro Governador Pedro Ivo, antecedendo a apresentação do espetáculo de encerramento do 17º Floripa Teatro, homenageará patrocinadores, parceiros e apoiadores do evento. Na ocasião, também será feita a entrega do Troféu Isnard Azevedo – que também dá nome ao festival – ao ator, professor, diretor e tradutor de textos teatrais José Ronaldo Faleiro. Este é o quarto ano consecutivo que a Fundação laureia uma personalidade de reconhecida colaboração para o desenvolvimento do teatro na cidade.

Em 2007, a honraria foi entregue à professora Vera Collaço, do Centro de Artes (Ceart) da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), representando o meio acadêmico. Em 2008, a distinção foi para o iluminador Carlos Falcão, reverenciando um profissional da área técnica. Ano passado, a estatueta foi conferida à autora e atriz Zeula Soares, que passou parte de sua vida sobre um palco. Agora, a homenagem vai para alguém que já incursionou por diversos campos do fazer teatral.

Sua indicação ao troféu “é o reconhecimento a um mestre que, atuando como docente, diretor, ator e tradutor, contribui para a formação de atores, pesquisadores e arte-educadores. Além da participação ativa na criação de festivais de teatro em nosso Estado , tem auxiliado na inserção de profissionais no cenário nacional e mundial”, explica a diretora de artes da FCFFC e presidente da comissão organizadora, Waleska De Franceschi. “Não só pela sua formação, que é extensa, mas também pela sua generosidade. Todos que passaram por suas mãos o amam”, completa Sulanger Bavaresco, coordenadora técnica e artística do evento.

Faleiro também tem uma ligação antiga com o Festival Isnard Azevedo, desde o seu surgimento. Ao lado de Valmor Beltrame e Vera Collaço, seus colegas professores do Ceart/Udesc, ele foi fundamental na abertura de contatos junto a profissionais do teatro e da academia de outras regiões do Brasil, quando o projeto foi criado por Sulanger, em 1993. “Eu sempre digo que ele e a Margarida Baird (que chegava à cidade para dar aulas e que também participou do processo) são os padrinhos do festival”, conta ela, lembrando do estímulo permanente do professor: “faz que vai dar certo!”

Não bastasse isso, o espetáculo “As Aventuras de Mestre Nasrudin” lhe rendeu o troféu de melhor diretor na categoria infantil, logo na primeira edição do evento, que manteve formato competitivo até 2007. Posteriormente, também atuou no festival como selecionador, jurado e debatedor. “Estou feliz com essa premiação, mas ela não é só para mim. É na verdade uma homenagem a todos que fazem teatro, porque ninguém faz nada sozinho”, declara Faleiro, mais uma vez generoso.

Trajetória

José Ronaldo Faleiro iniciou-se no teatro no Colégio Anchieta, em Porto Alegre , com grupos de arte da escola, no começo da década de 1960. Seu primeiro trabalho profissional como ator foi na peça “Esperando Godot”, de Samuel Beckett (1965). É bacharel em direção teatral e licenciado como professor de teatro pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), onde estudou de 1966 a 1970, sendo a primeira turma universitária de teatro e uma das primeiras formadas no País.

Lecionou teatro no Colégio de Aplicação e cursou um semestre do primeiro mestrado em educação da mesma universidade. Em 1972, aos 25 anos, foi estudar na França. Ficaria nove meses e acabou permanecendo 14 anos. Lá, em 1975, concluiu seu mestrado especializado em estudos teatrais. Participou do Grupo de Pesquisa sobre Jogo Dramático e Pedagogia da Universidade de Paris III, que incluía, entre outros, Richard Monod, Jean-Pierre Ryngaert, Gisèle Barret, Augusto Boal e Jean-Gabriel Carasso.

Fez parte do Grupo de Teatro Província, de Porto Alegre (anos 1960-1970), um dos pioneiros do Rio Grande do Sul. Foi colaborador do “Correio do Povo” em Paris, ator e diretor. Excursionou com Catherine Dasté, durante o seu espetáculo “Visage de Sable” (Rosto de Areia), e esteve na organização da Unidade Infância do Centro Cultural de Évora (Portugal). Nos anos 90, participou dos cursos de Jerzy Grotowski, no Collège de France, e de Eugenio Barba e do Odin Teatret, na França e em Holstebro (Dinamarca).

Seu doutorado em artes do espetáculo, sob a orientação do professor doutor Robert Abirached, foi defendido em 1998, na pela Universidade de Paris X. Professor-pesquisador no Departamento de Artes Cênicas do Ceart/Udesc e em seu Programa de Pós-Graduação, atualmente empreende uma pesquisa sobre Jacques Copeau, de cuja obra é tradutor. Participa da linha de pesquisa Linguagens Poéticas. Está interessado nas questões referentes à formação ator, principalmente dos inícios do século XX até os dias de hoje, e na tradução de textos de referência sobre o ator.

Está estabelecido em Santa Catarina desde 1987. Foi mentor e coordenador das primeiras edições do Festival de Teatro Universitário de Blumenau, no qual também já foi premiado com menção honrosa pelo seu desempenho de ator. Dirigiu e atuou em diversos espetáculos. Agora, depois de quase dez anos sem subir aos palcos como intérprete, vive o cientista Jean-Martin Charcot, na peça “Retrato de Augustine”, das australianas Peta Tait e Matra Robertson, traduzida e dirigida por Brígida Miranda, que estreou em abril. Também dirige, com Vera Collaço, “Zylda: Anunciou, é Apoteose”, que será apresentada no Teatro Governador Pedro Ivo, dia 21 deste mês.

Teatro Independente encerra festival com “Rebú”

Seguindo a solenidade de encerramento, o Teatro Independente, do Rio de Janeiro, apresentará o espetáculo convidado “Rebú”, de Jô Bilac, dirigido por Vinicius Arneiro. Os atores Carolina Pismel, Diego Becker, Júlia Marini e Paulo Verlings, em 75 minutos, encenarão a história dos jovens recém-casados Matias e Bianca, que moram numa casa isolada em meio a um descampado. Eles se preparam para receber Vladine, irmã adoentada do anfitrião, que traz consigo seu bem mais precioso: Nataniel, um bode, que para ela é uma espécie de filho. A hiperbólica e exigida cautela com a saúde da hóspede e a presença de seu acompanhante faz com que Bianca, aos poucos, crie uma rivalidade com ambos, levando o embate às últimas consequências.

A encenação faz alusão ao cinema antigo, sem os atuais recursos tecnológicos, tais como projeções e afins. Um passo antes ainda: reporta à gravação em si, ao set de filmagem. A trama é ambientada no final do século XIX, ao qual o espectador é remetido não só pelo figurino e pelo cenário, mas também pela postura do elenco e pelo vocabulário polido. A plateia se diverte com o ritmo da trama, pontuada de humor ácido.

Segundo espetáculo do grupo, a tragicomédia estreou em 2009, contemplada pela lei de fomento à cultura do Estado do Rio de Janeiro. Já foi assistida em cidades fluminenses, além de Curitiba e São Paulo. A recomendação etária é de 14 anos.

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