Florianópolis, 20 de julho de 2024

O futuro para o beach tennis no cenário catarinense

spot_img

Compartilhe

Brasil sedia a maioria dos torneios e lidera o número de jogadores no mundo, com mais de 1 milhão de praticantes, e atrai para o Estado cada vez mais adeptos e atletas.

Facilidade para jogar, maior condicionamento físico e melhora da saúde física e mental estão entre os motivos do beach tennis ter se espalhado pelo país inteiro, inclusive para cidades que estão longe do litoral. O esporte nasceu em areias italianas na década de 1980 e chegou ao Brasil em 2008, mais precisamente nas praias cariocas.  

Segundo a Confederação Brasileira de Tênis (CBT), atualmente cerca de 1,1 milhão de brasileiros praticam o esporte, sendo o país que reúne mais praticantes no mundo. Em Santa Catarina, a Federação Catarinense de Tênis (FCT) registra mais de 12 mil jogadores no Estado.

“As quadras de beach tennis se multiplicam a cada dia no Estado, tanto nas praias quanto nas arenas. Balneário Camboriú, por exemplo, vem se destacando principalmente depois do alargamento da faixa de areia, o que permitiu a instalação de cerca de 100 quadras no local”, diz o treinador Eduardo Guerra, especialista em Treinamento Desportivo de Alto Rendimento e há quase 20 anos no Estado.

A cidade sediou em abril e maio deste ano o ITF Beach Tennis World Tour BT 400, um dos maiores torneios de beach tennis do planeta. “O evento, muito bem organizado e com excelente premiação, atraiu mais de 800 atletas, entre amadores e os melhores profissionais do mundo, além de mais 13 mil torcedores durante os seis dias de competição”.

Atração mundial – O especialista declara que o Brasil atualmente é o país do beach tennis e o lugar onde os melhores atletas do mundo precisam estar. E muitos nomes mundiais já se mudaram para cá. “Isso não só pela estrutura que estamos construindo, vista na disseminação de quadras em praticamente todas as cidades, mas também pela qualidade dos torneios e pela atração de investimentos”. 

Guerra observa que o crescimento constante de adeptos acontece porque o esporte pode ser praticado em todas as estações do ano, não sendo uma modalidade exclusiva do verão. Outro ponto que contribui para esta ampliação é a facilidade com que se aprende a jogar, mesmo quem nunca praticou tênis antes.

Ele, que desde 1991 atua com treinamento de atletas no Brasil, Europa, Ásia e América do Norte, atenta também para a diversão, o espírito esportivo e o networking que o jogo proporciona, tornando-se fatores fundamentais para atrair mais praticantes às quadras.

“É grande o número de pessoas que fizeram novas amizades, iniciaram relacionamentos amorosos, fecharam negócios, saíram da depressão, emagreceram, ficaram mais fortes e dispostas devido ao simples ato de se reunir para jogar beach tennis”.

Referência – Em suas mais de três décadas de carreira, Guerra já treinou milhares de atletas em diversos esportes ao redor do mundo. No beach tennis, trabalhou com 30 atletas profissionais, de forma direta ou indireta. Ele é considerado pelas entidades representativas do esporte o mais completo dos treinadores do circuito mundial devido ao seu conhecimento, experiência nas diversas áreas do treinamento desportivo e pelo cuidado para que os atletas profissionais tenham o melhor desempenho nas competições.

A nova cultura da torcida – Guerra destaca que a forma de torcer envolve uma atmosfera diferente da presente em estádios de futebol, por exemplo, onde torcedores são mais vibrantes e participativos. “Para o público de outros esportes que começa a apreciar o beach tennis, é natural passar por uma fase de adaptação e aprendizado, afinal é uma novidade, assim como também é para aqueles que jogam pela primeira vez”. 

O esporte é dividido por pontos, games e sets e tem contagem parecida com o tênis convencional. 

“Diferente do futebol, onde a torcida pode gritar no momento em que o adversário vai cobrar um pênalti, no beach tennis o silêncio é sinal de respeito e importante para o jogo. A forma de torcer é diferente entre os esportes, nenhuma é correta ou melhor, elas são culturalmente diferentes, porque há história e contextos diferentes”, afirma o treinador, que também é mestre em Liderança Organizacional.

Os principais torneios – O país é o único do mundo a sediar, em 2023, três torneios do World Tour Sand Series Classic, nas cidades de Ribeirão Preto, Brasília e Valinhos. O Sand Series engloba as competições mais importantes e com maior premiação do beach tennis, assim como são os Grand Slams do tênis. Atualmente, seis atletas nacionais figuram entre os 20 melhores do mundo, ranqueados pela Federação Internacional de Tênis (ITF).

“Como em outros esportes, o talento é o suficiente para se destacar no início, mas para chegar e ficar entre os melhores, é preciso mais. Àqueles que já se estabeleceram no topo, vale lembrar que não chegaram sozinhos e contaram com o apoio de uma vasta rede de relações, como familiares, treinadores, fisioterapeutas, médicos, nutricionistas, psicólogos, preparadores físicos e companheiros de treinamento”.

Guerra afirma que o beach tennis está longe de atingir seu limite. “Santa Catarina está se desenvolvendo nos tópicos necessários para receber importantes torneios e revelar grandes atletas. Ainda vamos crescer muito no Estado e no país, principalmente no quesito profissionalismo”. 

Crédito das imagens: Maurício Nunes