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terça-feira, setembro 28, 2021
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O ”novo” Planet Hemp traz a velha mensagem e a boa energia de volta aos palcos de Florianópolis

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O ”novo” Planet Hemp traz a velha mensagem e a boa energia de volta aos palcos de Florianópolis

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A única coisa nova no show que a banda Planet Hemp fez sábado, 3, no Stage Music Park foi o contexto: 17 anos depois do lançamento de “Usuário”, primeiro disco do grupo, a ideia da descriminalização da maconha não é mais tabu, pode ser defendida abertamente e, em alguns países, já é uma realidade. No mais, tudo correu como nos “velhos” tempos de protagonismo da “causa”: energia e rebeldia a mil no palco, sob o comando de Marcelo D2 e BNegão, e muita fumaça no ar.

Antes do início do show, a expectativa era saber com que música a banda iria abrir a apresentação: “Não compre, plante”, primeira do disco clássico, ou “Legalize já!”, hino do movimento pró-descriminalização. Ganhou a segunda, para catarse de uma plateia de 10 mil pessoas que esperou mais de cinco horas para ver Planet Hemp de volta aos palcos de Florianópolis – os portões foram abertos às 21h, mas o grupo só começou a tocar depois das 2h.

A idade média do público foi um indicativo de que a banda continua a conquistar fãs em todo o Brasil mesmo depois de ter terminado. “Tem gente aqui que nem tinha nascido quando a gente acabou”, disse D2 em certo momento.

De fato, a plateia era composta basicamente por adolescentes que ou não viram a polêmica criada pelo Planet Hemp em meados da década de 90 ou eram muito pequenos para entender o que se passava. Havia também os saudosos com mais de 30 anos, inclusive os que viram vários shows do grupo “original” (Black Alien não está nesta turnê de “revival”) na Ilha da Magia (na Barra da Lagoa, na Lagoa da Conceição, na antiga Lupus…).

Dividido em três atos, o show começa com um vídeo que mostra um fictício carioca da gema questionando o porquê de fumar “a erva” ainda ser considerado crime e cenas da violência policial contra a última Marcha da Maconha na cidade do Rio de Janeiro.

No primeiro ato, “O usuário e a luta pela legalização da maconha”, foram tocados sucessos do disco de estreia. Na sequência, “Os cães ladram mas a caravana não para”, canções do segundo disco, homônimo, de 1997. Por fim, “A Invasão do Sagaz Homem Fumaça”, também do disco de mesmo nome, de 2000 – parte do show em que as músicas mais “novas” foram cantadas por uma plateia em êxtase.

O show durou pouco mais de 1h30. A banda fez uma homenagem a Chico Science, que morreu em 1997: “Samba Makossa” foi tocada com muita energia e gritada a plenos pulmões. Para fechar a apresentação (“A gente não faz isso de bis não”, disse D2), o clássico “Mantenha o respeito”.

Um dos melhores momentos do show foi “Futuro do país”, de “Usuário”, canção que foge da temática da banda e trata das crianças de rua. D2 fez questão de frisar que “eu tinha 14 anos quando fiz essa música”, como um alerta à juventude presente.

A letra de “Futuro do país” diz: “Mas eu queria somente lembrar / que milhões de crianças sem lar / são frutos de um mal que floriu / num país que jamais repartiu”. A ironia é que, hoje, o Brasil nunca repartiu tanta riqueza e que Fernando Henrique Cardoso, presidente à época em que o Planet Hemp era censurado, seja a principal referência intelectual na campanha pela descriminalização da maconha no Brasil.

De qualquer forma, o que poderia ser apenas um “refogado” revelou-se um show enérgico e vibrante, descontraído e ainda rebelde. Mesmo num contexto favorável, mais “fácil” – e como mostra a capa de “Usuário” -, foram os caras do Planet Hemp que deram a primeira tacada e abriram o jogo da descriminalização da maconha no Brasil. E a garotada, pelo jeito, está com eles.

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