16.9 C
fpolis
sexta-feira, outubro 22, 2021
cinesytem

Pesquisa de professor da UFSC analisa relação entre discriminação e transtorno mental

spot_img

Pesquisa de professor da UFSC analisa relação entre discriminação e transtorno mental

spot_img

Pesquisa realizada no Departamento de Saúde Pública do Centro de Ciências da Saúde (CCS) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) associou experiências discriminatórias à manifestação de sofrimento psíquico, caracterizado pelo surgimento de transtornos mentais comuns, como depressão, ansiedade e estresse. A pesquisa foi realizada pelo professor João Luiz Dornelles Bastos, com a bolsista Pibic e estudante de Odontologia, Maria Vitória Cordeiro de Souza. Os pesquisadores analisaram dados obtidos a partir de entrevistas com estudantes da própria UFSC.

O total de 1.023 alunos do universo de 19.963 regularmente matriculados na Universidade no segundo semestre de 2011 responderam a um questionário, aplicado nos cursos de Ciências Contábeis; Direito; engenharias Elétrica, Mecânica, Química, e Sanitária e Ambiental; História; Medicina; Odontologia; Pedagogia; Psicologia e Sistemas de Informação. As perguntas abordavam características socioeconômicas, demográficas, experiências discriminatórias dentro e fora da UFSC e informações específicas a cada curso. Para analisar o sofrimento psíquico, 12 questões abordavam indícios de transtornos mentais comuns nas últimas duas semanas. Já para avaliar as experiências discriminatórias, eram apresentadas 18 perguntas sobre possíveis ocorrências de tratamento diferencial ao longo da vida do estudante, incluindo frequência, motivação e grau de incômodo dessas ocorrências, e se o aluno havia se sentido discriminado em tais situações.

Após análise dos resultados, verificou-se que estudantes que relataram sofrer discriminação em alta frequência e intensidade – isto é, que responderam positivamente a pelo menos 11 questões das 18 que abordavam experiências discriminatórias – possuem 4,42 vezes mais chances de apresentar sofrimento psíquico, se comparados a alunos sem histórico de discriminação, independentemente de sexo, idade ou cor. A prevalência de sofrimento psíquico atingiu cerca de 50% dos que afirmaram ter passado por eventos discriminatórios, com maior frequência entre os alunos dos cursos de História, Pedagogia e Medicina (ver gráficos abaixo).

No curso de Engenharia Elétrica, a relação entre discriminação e sofrimento psíquico foi inversa: estudantes que relataram ocorrência de eventos discriminatórios apresentaram menor probabilidade de manifestar transtornos mentais comuns.

A relação entre discriminação e sofrimento psíquico apresentou índices superiores aos encontrados em estudos anteriores, desenvolvidos em 2007, na Bahia, e em 2012, no Rio de Janeiro. Segundo os pesquisadores da UFSC, isso se daria pela abordagem diferenciada da pesquisa atual, que não levanta apenas tipos específicos de discriminação e permite uma avaliação mais contínua dos eventos, analisando-os quanto à intensidade e frequência. Recentemente, os resultados da pesquisa foram apresentados no Congresso Mundial de Epidemiologia, em Anchorage, no Alasca (EUA).

spot_img
spot_img