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quinta-feira, dezembro 9, 2021
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Polícia Federal prende 10 pessoas suspeitas de corrupção em Florianópolis

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Polícia Federal prende 10 pessoas suspeitas de corrupção em Florianópolis

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Uma “devassa do patrimônio público” que pode chegar a R$ 30 milhões de prejuízos aos cofres públicos. Assim foi definido pelo delegado da Polícia Federal Allan Dias o esquema de fraudes em licitação e corrupção em pelo menos dois órgãos públicos de Florianópolis que vem sendo investigado há mais de um ano pela PF e que levou 10 envolvidos para a prisão na manhã desta quarta-feira, 12, na Capital. Denominada Ave de Rapina, a operação mobilizou cerca de 200 policiais na manhã de hoje para o cumprimento de 15 mandados de prisão preventiva, oito mandados de condução coercitiva (quando a pessoa é obrigada a ir prestar esclarecimentos) e 38 mandados de busca e apreensão em cidades de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

O esquema criminoso envolvia órgãos públicos de Florianópolis como Câmara de Vereadores, Instituto de Planejamento Urbano (IPUF) e Fundação Cultural Franklin Cascaes (FCFCC). Entre os presos está o presidente da FCFFC, João Augusto Freyesleben Valle Pereira. O vereador Marcos Espíndola, o Badeko, também foi preso na operação. Já o presidente da Câmara de Vereadores, César Faria, foi encaminhado para prestar depoimento na PF e liberado na sequencia.

A investigação comprovou que os servidores públicos recebiam dinheiro de empresários em troca de contratos milionários. Com a garantia da assinatura do contrato, os empresários devolviam uma parcela da verba aos servidores.

Além da Capital, foram cumpridos mandados de prisão também no interior catarinense, em Joaçaba, e nas cidades gaúchas de Porto Alegre, Vera Cruz, Santa Cruz e Flores da Cunha.

Na relação de nomes de pessoas procuradas em Florianópolis na manhã de hoje com mandado de prisão, constam proprietários da Kopp Tecnologia e da Focalle Engenharia Viária, ambas vencedoras da licitação dos radares de trânsito em Florianópolis, além de um representante da Artemil Comercial Ltda., que no ano passado venceu a licitação do contrato nº 745/2013 no IPUF para fornecimento de fardamento para a Policia Militar, incluindo capacete e jaquetas de couro.

Na lista dos mandados de prisão também constavam os nomes de Júlio Pereira Machado, que foi diretor de operações do IPUF, e de Jean Carlos Viana Cardoso, comandante da Guarda Municipal. Os doi foram flagrados com cerca de R$ 100 mil pela Polícia Rodoviária Federal quando voltavam de Porto Alegre (RS), no começo de setembro. Segundo o delegado Allan Dias, esta foi a primeira ação concreta contra a quadrilha e fruto da investigação iniciada há mais de um ano.

Operação ainda não foi concluída

Em entrevista ao DeOlhoNaIlha, o delegado Allan Dias explicou que a operação ainda não está concluída e por isso muitos detalhes ainda não podem ser divulgados para não atrapalhar no andamento da investigação, mas ele explicou que o trabalho da PF envolveu três pilares principais:

– Investigação de empresas especializadas em radares e lombadas eletrônicas que simulavam concorrência em licitações com o apoio de servidores públicos para garantir contratos com a Prefeitura de Florianópolis. Em troca pagavam mensalmente propina aos integrantes da organização criminosa.

– Identificação de empresários especializados em eventos festivos e culturais que fraudavam licitações com a participação de agentes públicos da Capital. Os empresários recebiam informações privilegiadas sobre empresas concorrentes e orientações de como proceder para fraudar o certame.

– Apurção da existência de corrupção no projeto de Lei Cidade Limpa, aprovado na Câmara de Vereadores em 2013. De acordo com o delegado da PF, a medida beneficiou empresários que pagavam altas quantias em dinheiro para ter seus interesses estampados nas normas municipais.

Confira a entrevista do DeOlhoNaIlha com o delegado da PF, Allan Dias: 

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