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Santa Catarina consolida ecossistema local e projeta faturamento de R$ 239 bilhões até 2066

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Projeção feita pela ACATE define avanço do setor de tecnologia catarinense que deve ter 130 mil empresas de tecnologia nos próximos 40 anos

O mercado catarinense vive uma simbiose entre empresas tradicionais e um ecossistema inovador pujante que tem transformado o estado em um dos principais hubs de inovação do país. De acordo com a ACATE (Associação Catarinense de Tecnologia), o setor tecnológico do estado deve faturar, até 2066, R$ 239 bilhões, com uma participação de 18% no Produto Interno Bruto (PIB) estadual.

Santa Catarina ocupa hoje o terceiro lugar no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do país e o primeiro lugar na região Sul, indicadores que contribuem para consolidar o estado como um hub de inovação. O avanço do ecossistema ocorre em um momento de maior seletividade na indústria de venture capital, marcado por juros elevados e redução global de liquidez. 

Nesse contexto, investidores passaram a priorizar modelos com maior eficiência operacional, recorrência de receita e capacidade de escala sustentável. “A maturidade do ecossistema catarinense mudou de patamar nos últimos anos. Hoje vemos empresas mais preparadas em governança, crescimento sustentável e eficiência operacional, o que torna o estado um ambiente cada vez mais relevante para o venture capital”, destaca Marcelo Wolowski, diretor de Venture Capital da Quartzo Capital.

A consolidação do estado como um dos principais pólos de inovação do país também passa pela expansão de gestoras de venture capital que apostam em empresas locais em estágio de crescimento. “Nós temos em nosso DNA um olhar voltado para mercados regionais e um jeito próprio de investir em empresas locais fora dos grandes centros econômicos”, explica a diretora de Relações com Investidores da Quartzo, Marina Leite.

Com mais de 15 anos de atuação, a Quartzo Capital, que mantém sua sede de VC em Florianópolis, consolidou-se como a maior gestora de capital de risco em startups do Sul do país. Somente em Santa Catarina, a empresa possui em seu portfólio 12 empresas investidas, com forte presença em fintechs, SaaS e retailtechs. As companhias catarinenses investidas pela holding são AMcom, Asaas, Cashway, Futuriza, Gofind, Knewin, Loopia, Ottimizza, Saks, Solan Group, Sonica e Spotlar.

Estados como Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Espírito Santo e Mato Grosso do Sul combinam crescimento e amadurecimento de ecossistemas tecnológicos. É nesse cenário que a Quartzo deve fortalecer sua atuação em investimentos diretos em FinTech, HealthTech, AgTech, Smart Cities e LogTech, com foco em modelos B2B e negócios SaaS-enabled e AI-enabled por meio de seu novo fundo, o VC6.

A gestora deve encerrar o primeiro trimestre com cerca de US$ 20 milhões comprometidos no novo fundo. A meta é alcançar um primeiro closing de US$ 30 milhões no início do segundo semestre e atingir o target total, de US$ 100 milhões, até o início de 2027. No VC6, os cheques devem variar entre US$ 2 milhões e US$ 10 milhões, com foco em rodadas mais estruturadas. Cerca de 25% do capital será destinado a follow-ons.

ACATE define metas audaciosas 

A Associação Catarinense de Tecnologia completou 40 anos, no início deste ano, e projetou um cenário para as próximas quatro décadas. A projeção prevê um mercado com mais de 130 mil negócios tecnológicos no estado, gerando 304 mil empregos diretos. “Quando olhamos para trás, vemos que o que parecia improvável se tornou realidade porque fomos capazes de construir juntos. Não é uma promessa de uma entidade, é um compromisso de um ecossistema inteiro. Santa Catarina tem as condições, a história e a cultura para ser uma referência mundial em inovação”, afirma Diego Brites Ramos, presidente da ACATE.

Segundo Marcelo Amorim, managing partner da Quartzo Capital, o fortalecimento do ecossistema local cria um ciclo virtuoso. “A construção de um ecossistema sólido depende de capital preparado para apoiar governança e escala. Santa Catarina desenvolveu essa combinação, saindo de um mercado que tinha 500 startups para quase 30 mil”, afirma Amorim.